Alckmin atrai ‘blocão’ e isola Bolsonaro, que tende a reavaliar candidatura

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Publicado sexta-feira, 20 de julho de 2018 as 17:45, por: CdB

Bolsonaro disputaria o segundo turno com Ciro Gomes (PDT), Geraldo Alckmin, agora reforçado com o apoio do ‘blocão’ ou Marina Silva (Rede). Perderia para qualquer um eles, segundo as pesquisas.

 

Por Redação – de São Paulo

Líderes dos partidos do chamado ‘blocão’ —grupo formado por DEM, PP, PRB, PR e Solidariedade— decidiram fechar apoio ao pré-candidato do PSDB à Presidência, Geraldo Alckmin. Mas a formalização do apoio depende ainda do “dever de casa” a ser feito pelas partes, disse um presidente de uma sigla do grupo a jornalistas.

Bolsonaro, com apenas 8 segundos, tende a rever seus planos de concorrer à Presidência da República
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Segundo o dirigente partidário, que pediu para não ter seu nome revelado, o acerto inclui o compromisso de Alckmin de, se eleito no pleito de outubro, buscar uma solução para o financiamento de sindicatos, após a extinção do imposto sindical na reforma trabalhista. A demanda atende ao Solidariedade, partido presidido pelo deputado Paulo Pereira da Silva (SP), presidente da Força Sindical.

Ficou combinado, ainda de acordo com essa fonte, que o acordo incluirá a reeleição do deputado Rodrigo Maia (DEM-RJ) como presidente da Câmara dos Deputados em 2019. Maia lançou sua pré-candidatura ao Planalto, mas já desistiu da postulação, apesar de ainda não ter anunciado publicamente.

Renúncia

A decisão de apoiar Alckmin aconteceu depois de uma reunião de líderes deste grupo de partidos com o presidenciável tucano, na véspera, em São Paulo. O fato gerou uma reviravolta na corrida presidencial, uma vez que as siglas do ‘blocão’ vinham pendendo para um apoio ao pré-candidato do PDT, Ciro Gomes.

Outro fato gerado pela decisão dos partidos da direita, de apoio aos tucanos, esperado por um experiente publicitário, que geriu campanhas majoritárias em 2014, é a possível renúncia do principal quadro do campo político, o próprio Jair Bolsonaro (PSL). Segundo a fonte, ouvida pela reportagem do Correio do Brasil, nesta manhã, “ele não quer perder o mandato, o que fatalmente ocorrerá se ele disputar o segundo turno com qualquer dos demais candidatos”.

— As pesquisas deixaram claro que a melhor chance de Bolsonaro se transformar em presidente do Brasil seria vencer no primeiro turno. Isso, porém, não é uma opção, de acordo com os últimos estudos dos institutos de pesquisa — afirmou.

Jogo de xadrez

No primeiro turno, o único pré-candidato com chance clara de vitória seria o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Caso seja bloqueado, por força de um processo judicial, Bolsonaro disputaria o segundo turno com Ciro Gomes (PDT), Geraldo Alckmin, agora reforçado com o apoio do ‘blocão’ ou Marina Silva (Rede).

— Ele perderia para qualquer um eles, segundo a última pesquisa do Instituto Datafolha. E evitará perder o mandato para, simplesmente, não desaparecer da cena política. Uma renúncia e a tentativa de chegar a uma cadeira no Senado, com apoio dos partidos da direita, em troca de votos dos eleitores mais radicais, é uma opção que deveria constar no horizonte do pré-candidato — antecipa.

O tucano, por sua vez, será formalizado candidato do PSDB à Presidência na eleição de outubro na convenção do partido, marcada para 4 de agosto, em Brasília.

Blocão

Secretário-geral do PSDB, deputado federal Marcus Pestana (MG), afirmou na quinta-feira que a negociação para fechar a aliança com o blocão estava indo bem. Mas que algumas questões pontuais seriam conduzidas por Alckmin, pessoalmente.

— Nós temos que respeitar o tempo dos potenciais aliados. Nós temos mais afinidades, e o Ciro Gomes ajuda a realçar isso. Quando ele mostra o apreço que ele tem pelo Ministério Público, quando ele trata da questão da Boeing com a Embraer, facilita bastante o nosso trabalho — disse Pestana. Ele enfatizou que um anúncio caberá aos partidos do blocão.

Outros grupos já haviam afirmado à agência inglesa de notícias Reuters, na quinta-feira, que o acerto com o pré-candidato do PSDB estava mais perto.

‘Golden share’

Um dos líderes partidários, quando questionado sobre o motivo que levou o ‘blocão; a voltar-se a Alckmin, disse apenas que o “juízo” tem pesado em favor do tucano.

Nesta semana, Ciro voltou a criar polêmica ao xingar uma promotora, sem saber tratar-se de uma mulher, que pediu abertura de inquérito contra ele por injúria racial, após o pedetista chamar o vereador paulistano Fernando Holiday (DEM) de “capitãozinho do mato”.

Também gerou controvérsia ao divulgar uma carta enviada aos fabricantes de aviões Boeing e Embraer solicitando que seja desfeito um acordo de parceria entre as companhias. O governo brasileiro tem uma “golden share” na Embraer que lhe dá poder de veto sobre decisões da companhia.

Tempo ao tempo

O PDT, que realiza convenção nesta sexta-feira para oficializar a candidatura de Ciro, não fechou aliança formal com qualquer partido até agora.

Eufórico, dias atrás, com o possível acordo com o blocão, o presidente do PDT, Carlos Lupi, minimizou o impacto de não ter o apoio do grupo, após a reunião de Alckmin com líderes do blocão.

— Qual o prejuízo de perder aquilo que nunca tivemos? Não vamos ficar isolados. Vamos dar tempo ao tempo — disse, em entrevista, noite passada, na sede do PDT em Brasília.

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