Amazônia é do Brasil, apesar de Bolsonaro

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Publicado sexta-feira, 30 de agosto de 2019 as 09:36, por: CdB

O isolamento internacional imposto ao Brasil durante a reunião do G7 na França foi provocado pela política de total descontrole ambiental do governo Bolsonaro.

Por Wadson Ribeiro – de Brasília

O desprezo pelos tratados e normas internacionais e os constantes ataques aos institutos de pesquisa, de controle e de fiscalização ambiental, aumentam no mundo a sensação de despreparo do governo brasileiro para cuidar de seus recursos naturais e abrem uma perigosa janela para a defesa de uma governança global sobre os recursos naturais do Brasil.


Na reunião com governadores da Amazônia Legal, Bolsonaro não apresentou nenhuma proposta concreta

É verdade que Bolsonaro não está preocupado com o desenvolvimento sustentável da Amazônia. Sua proposta para o desenvolvimento da região é predatória e culpa a demarcação de terras indígenas e a atuação de ONGs como responsáveis pelos problemas enfrentados na região.

Sua política ambiental é conivente com os desmatamentos ilegais, com o garimpo clandestino, com a biopirataria, com a expansão do agronegócio na floresta e, em última instância, com aumento das queimadas que destroem a mata.

Aliás, foram os dados divulgados pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) que atestaram o aumento do desmatamento na Amazônia este ano, e que culminou com a exoneração do diretor geral do órgão, o cientista Ricardo Galvão.

Na reunião com governadores da Amazônia Legal, Bolsonaro não apresentou nenhuma proposta concreta, apenas atacou o presidente francês e o G7.

A Noruega e a Alemanha suspenderam os envios de repasses para o Fundo Amazônia, o que impacta fortemente na fiscalização e no desenvolvimento de programas e atividades, sociais e econômicas para a região. Esses recursos são executados majoritariamente pelos governos.

Reino Unido

O Reino Unido enviará R$ 51 milhões para combater as queimadas. Outros US$ 20 milhões ofertados pelo G7 aguardam o bom senso do governo brasileiro para serem obtidos, uma vez que Bolsonaro condicionou a aceitação desse recurso a um pedido de desculpas do presidente francês.

O que apavora o mundo não são necessariamente as queimadas, mas sim a forma desqualificada e agressiva com as quais Bolsonaro trata o tema da Amazônia e do meio ambiente perante o mundo. De acordo com a série histórica do Inpe, no ano de 2000, a Amazônia teve um dos menores índices de focos de queimadas, foram 29.077 focos, mas o desmatamento engoliu 18.226 km² de mata.

No entanto, o ano de 2010 teve um dos maiores índices de queimadas, foram 118.939 focos e um desmatamento de 7 mil km². Esses dados demonstram que nem nos anos de um desmatamento recorde, nem nos anos com focos recordes de queimadas, o mundo condenou o Brasil como agora.

A diferença é que os governos federais desses períodos atuaram respeitando os organismos multilaterais e agindo concretamente para resolver o problema. O que vemos agora é a negação do problema, da ciência e dos organismos e tratados internacionais.

Por outro lado, Macron, o G7 e o capitalismo querem tirar do Brasil a soberania sobre seu território Amazônico. Não esqueçamos que a Otan, braço militar dos países imperialistas, prevê ataques a países que representem ameaças ao equilíbrio ambiental do planeta.

A responsabilidade

A responsabilidade de cuidar da Amazônia e conjugar os interesses nacionais pelo desenvolvimento econômico com a preservação é dos países que detêm a floresta Amazônica. A França em pleno século 21 faz parte da região Amazônica, pois mantém a Guiana Francesa como sua colônia até hoje.

Tudo que os países capitalistas desenvolvidos querem é o isolamento global do Brasil no tema amazônico e ambiental, para que se pavimente a chamada internacionalização da Amazônia e para que o Brasil perca a soberania sobre a região. Bolsonaro está contribuindo para que isso ocorra.

O Brasil possui 75% da Amazônia global, concentrando 20% de toda água doce do mundo. A floresta possui reservas minerais inestimáveis e tem um papel decisivo para o controle do clima, o que possibilita, inclusive, que o Brasil tenha uma boa produção agrícola em grande parte de seu território.

A disputa pela Amazônia é a disputa pelo futuro do mundo e caberá ao povo brasileiro defender seu território, sobretudo a Amazônia, para que o Brasil um dia alcance seu desenvolvimento, que se dará respeitando o meio ambiente, os acordos internacionais e o papel da Amazônia para o mundo.

Wadson Ribeiro, é presidente do PCdoB-MG, foi presidente da UNE, da UJS e secretário de Estado.

As opiniões aqui expostas não representam necessariamente a opinião do Correio do Brasil

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