De amigo, Wassef passa agora a uma pedra no sapato de Bolsonaro

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Publicado segunda-feira, 22 de junho de 2020 as 14:57, por: CdB

Segundo a Polícia, Queiroz estava hospedado por Wassef havia mais de um ano. O criminalista nega que tenha abrigado Queiroz ou que tenha tido contato com ele, mas não explica como o ex-assessor do então deputado Flávio Bolsonaro chegou até o imóvel.

Por Redação – de Brasília e São Paulo

O senador Flávio Bolsonaro contratou, na noite passada, o advogado Rodrigo Roca em substituição ao criminalista Frederick Wassef. Amigo do presidente Jair Bolsonaro, agora em rota de colisão com a família presidencial, Wassef é dono do escritório onde Fabrício Queiroz foi preso na manhã de quinta-feira na cidade de Atibaia (SP).

Wassef passa de advogado da família Bolsonaro a uma ameaça velada ao mandato do presidente da República
Wassef passa de advogado da família Bolsonaro a uma ameaça velada ao mandato do presidente da República

Segundo a Polícia, Queiroz estava hospedado por Wassef havia mais de um ano. O criminalista nega que tenha abrigado Queiroz ou que tenha tido contato com ele, mas não explica como o ex-assessor do então deputado Flávio Bolsonaro instalou-se no imóvel. Já Roca foi advogado de Sérgio Cabral até 2018, quando o ex-governador decidiu fazer delação, contrariando sua estratégia de defesa à época. Cabral segue preso no Rio de Janeiro.

Wassef deixou a defesa do senador Flávio Bolsonaro (Republicanos-RJ) no inquérito do Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPE-RJ) que apura suspeita de que o senador se apropriou e desviou salários de funcionários de seu gabinete quando era deputado estadual no Estado, num esquema conhecido como “rachadinha”, informou o parlamentar em publicação em sua conta no Twitter.

Redes sociais

Wassef deixou a defesa de Flávio Bolsonaro, filho do presidente Jair Bolsonaro, depois de, na semana passada, Fabrício Queiroz, ex-assessor parlamentar do senador, ser preso em um imóvel que pertence ao advogado em Atibaia, interior de São Paulo. Wassef já representou o presidente da República, é próximo da família Bolsonaro. Ele era visto com frequência no Palácio do Planalto, em Brasília.

“A lealdade e a competência do advogado Frederick Wassef são ímpares e insubstituíveis. Contudo, por decisão dele e contra a minha vontade, acreditando que está sendo usado para prejudicar a mim e ao presidente Bolsonaro, deixa a causa mesmo ciente de que nada fez de errado”, escreveu Flávio Bolsonaro em sua conta no Twitter no domingo.

Durante o fim de semana , tanto Flávio, que nega irregularidades e afirma que é alvo de uma perseguição que visa atingir seu pai, quanto o próprio Bolsonaro postaram mensagens nas redes sociais afirmando que a verdade será estabelecida.

Testemunhas

No Rio, Flávio Bolsonaro é investigado, além do inquérito sobre suspeita de “rachadinha” na Assembleia Legislativa do Estado, também na Justiça Eleitoral por suspeitas de falsidade ideológica e lavagem de dinheiro, que envolvem a declaração de bens de do senador nas eleições de 2014, 2016 e 2018.

A interlocutores, no entanto, o presidente Bolsonaro afirmou estar irritado com Wassef, ”de saco cheio” disse, segundo a colunista Mônica Bergamo, do diário conservador paulistano Folha de S Paulo (FSP). O advogado teria deixado seus clientes em situação ainda mais difícil perante o juiz Flávio Itabaiana Nicolau, da 27ª Vara Criminal do Tribunal de Justiça do Rio (TJ-RJ).

Milícia

O magistrado citou mensagens de Márcia Oliveira de Aguiar, mulher de Queiroz, em que ela comparou o marido a um bandido “que tá preso dando ordens aqui fora, resolvendo tudo”. Ainda pesa o fato de que uma das testemunhas que deixaram de ser ouvidas foi Danielle Nóbrega, ex-mulher do capitão do Bope, Adriano Nóbrega, miliciano morto no começo deste ano pela polícia na Bahia e que era ligado à família Bolsonaro.

Nóbrega era o chefe do chamado Escritório do Crime, grupo de matadores de aluguel com “sede” no Rio e suspeito de envolvimento com a morte da ex-vereadora Marielle Franco (PSOL), assassinada pelo crime organizado. Ela era ativista de direitos humanos e denunciava a truculência policial, bem como a atuação de milícias nas favelas.

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