As voltas que a vida dá e o bom senso

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Publicado sexta-feira, 19 de janeiro de 2018 as 09:34, por: CdB

Em política, não há como imaginar soluções mágicas para além da vida como ela é. Especialmente quando se trata da diferenciação e da reaglutinação de forças em ambiente complexo e conturbado

Por Luciano Siqueira – de Recife:

Virar a página e passar adiante não é um sofisma, antes uma imposição da realidade, e da necessidade de superar empecilhos e arrostar novos desafios.

As voltas que a vida dá e o bom senso

Como acontece agora quando vivemos o período que antecede as eleições gerais de outubro e novas alianças políticas são cogitadas.

Como sempre aconteceu, no Brasil e mundo afora, aliados de ontem se convertem em adversários hoje, assim como forças que se digladiaram em batalhas passadas agora admitem convergir numa mesma direção.

Em certa medida, o movimento real da vida escapa ao controle rígido das vontades subjetivas. Karl Marx assinalou isso em sua obra clássica O 18 Brumário de Luís Bonaparte.

Então, há que se considerar, conforme o ângulo de visão de cada um; aonde se situa cada ator (lideranças, partidos) no tempo presente; e a partir daí examinar com quem é possível se juntar; quem pode ser neutralizado e com que forças os possíveis adversários contarão.

Preconceitos e de sectarismo

Tudo livre de esquemas, de preconceitos e de sectarismo. Não cabe excomungar ninguém porque divergiu antes; por mais significativas que tenham sido as divergências. Importa saber em quê se pode convergir hoje.

Ora, vivemos um ambiente social e político fortemente marcado pelo golpe institucional; que afastou a presidenta Dilma via impeachment, desdobramento de um embate radicalizado. E não são poucos os que pretendem impor como referência suprema para coalizões político-eleitorais este episódio.

Mas não é fácil. O PT serve de exemplo. No último pleito municipal, a executiva nacional do partido determinou a interdição de composições com partidos cuja maioria dos deputados tivesse votado pelo impeachment. Segundo a revista Carta Capital, assim mesmo os petistas celebraram alianças com “golpistas” em cerca de 1.700 municípios no conjunto do país (incluindo cidades pólo importantes, como em Pernambuco).

PSB

Outro exemplo é o PSB, que vem atravessando processo de redefinição de suas posições acerca da questão nacional e que tem em parlamentares que votaram pelo impeachment e hoje se perfilam nas trincheiras da resistência ao governo Temer.

É que a realidade fala mais alto do que fórmulas preestabelecidas.

Mas isso não sugere alianças a qualquer preço, despidas de conteúdo. Quer dizer sim combinar clareza de propósitos com flexibilidade e amplitude, com o fito de arregimentar forças capazes de lograr êxito na batalha a ser travada e concretizar programas atuais.

Assim, hoje como sempre, e sob certos aspectos mais do que antes, compreender as voltas que o mundo dá e usar de bom senso na busca do melhor caminho tático se impõe como imprescindível à vitória almejada.

Médico, vice-prefeito do Recife, membro do Comitê Central do PCdoB

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