Berlinale pede libertação do cineasta sudanês Hajooj Kuka

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Publicado segunda-feira, 21 de setembro de 2020 as 11:27, por: CdB

O Festival Internacional de Cinema de Berlim divulgou um comunicado se juntando ao protesto internacional contra a prisão do cineasta sudanês Hajooj Kuka e de quatro outros artistas. O grupo de artistas foi aleatoriamente acusado de causar “incômodo público”. O Festival de Berlim apelou às autoridades sudanesas pela libertação imediata de Hajooj Kuka.

Berlinale pede libertação de cineasta africano

Hajooj Kuka é um importante cineasta sudanês, membro da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas. Como diretor de documentários e filmes de ficção, seu trabalho tem sido apreciado pela crítica em todo o mundo.

Nascido no Sudão, Kuka estudou no Líbano e nos Estados Unidos e atualmente reside no Sudão. Seu documentário Beats of the Antonov sobre guerra, música e a resiliência do povo do Nilo Azul e das Montanhas Nuba, ganhou o People’s Choice Award no Festival Internacional de Cinema de Toronto 2014, além de outros seis prêmios em festivais de cinema.

Em 2016, Hajooj Kuka participou da Berlinale Talentos. Seu primeiro longa-metragem narrativo, AKasha, foi financiado pela pelo Fundo de Cinema da Berlinale e estreado no Festival de Cinema de Veneza em 2018. Participou também da competição oficial do 17. Festival Internacional de Cinema de Marrakech, em 2018.

Além de sua carreira cinematográfica, Hajooj Kuka também ensina drama e cinema a jovens artistas em Cartum e é cofundador do Clube de Refugiados, uma aliança de artistas sudaneses cujo trabalho reflete uma consciência do estado transitório da migração.

Trechos de uma  entrevista do cineasta, por ocasião da exibição do filme AKasha, na capital do Marrocos:

Gostaria de esclarecer que a exibição do meu filme, na competição oficial do festival de Marrakesch, é inédita nos países árabes. Para mim, isso é importante. O que também é importante para mim é estar ao lado do público e sentir os sentimentos dos espectadores árabes enquanto assistem a um filme sudanês. Ocasionalmente, meu longa-metragem é o primeiro filme sudanês em vinte anos. Muito antes, não existiam filmes sudaneses devido à pressão do regime militar sudanês que não gosta de cinema.

Akasha é minha primeira experiência dramática. Também trabalho com pessoas que moram na minha área e que amam o cinema, embora não sejam atores. Criamos um clube em um vilarejo chamado Kauda onde nós, jovens, ensaiamos no Teatro dos Miserables e criamos mini-peças.

É assim que evoluímos fazendo curtas-metragens e depois esse longa-metragem. Nos últimos vinte anos, estive em Abu Dhabi, nos Emirados. Eu cresci lá. Recebi minha educação em Beirute, depois disso me mudei para os Estados Unidos para estudar na universidade. Foi assim que me formei em cinema em Nova York, onde trabalhei em comerciais. Em 2011 houve uma outra guerra tribal no Sudão. Em 2012, fui lá tentar documentar a situação no Sudão. Quando vi minha família em situações difíceis, decidi ficar. Vivo nesta região desde 2012 até hoje.

O filme é uma comédia. Embora este seja um longa-metragem, os fatos se desenrolam em um dia. O filme é sobre o modo de vida em zonas de conflito. O que está acontecendo no Sudão é bizarro. No outono, a chuva é abundante e a terra fica argilosa. Assim, os carros não podem se mover. E a guerra pára. É uma oportunidade para os soldados partirem.

O filme conta a história de três personagens principais. Adnan, Lina e Absi. Adnan é um jovem que adora participar da guerra. Ele adora ser amado e visto como um herói. Ele tem uma namorada chamada Lina. O filme começa com uma discussão entre Adnan e Lina que acaba expulsando-a de casa. Mas ele esquecesua arma na casa da namorada. Ao longo do filme, ele tenta buscar a arma. Ao mesmo tempo, nesta comédia, o espectador sente a existência de vida em zonas de guerra e conflitos. Além disso, há um casamento celebrado no mesmo dia. História para permitir ao espectador sentir a existência da música e da vida em meioà guerra. (Publicado em Marrakech)

Rui Martins, correspondente, com informações da Berlinale.

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