Bolsonaro foge de perguntas em entrevista e reafirma discurso de ódio

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Publicado quarta-feira, 29 de agosto de 2018 as 13:55, por: CdB

O candidato reafirmou ser favorável à proposta, defendida por setores empresariais, de que é preferível ter mais emprego, ainda que haja uma redução dos direitos trabalhistas. Contudo, ele foi evasivo sobre que mudanças faria.

 

Por Redação – do Rio de Janeiro

 

Candidato do PSL à Presidência da República, o deputado Jair Bolsonaro (PSL) afirmou, em entrevista ao principal telejornal da Rede Globo de Televisão, na noite passada, que não tem ingerência em relação aos salários inferiores pagos atualmente às mulheres e defendeu que o Ministério Público do Trabalho é quem deveria agir nessa questão. A questão suscitou um debate com os apresentadores William Bonner e Renata Vasconcellos.

A jornalista Renata Vasconcellos deu uma resposta dura ao representante neofascista Jair Bolsonaro
A jornalista Renata Vasconcellos deu uma resposta dura ao representante neofascista Jair Bolsonaro

Bolsonaro — líder nas pesquisas de intenção de voto nos cenários sem o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva — foi questionado sobre se adotaria mecanismos para reduzir essas disparidades. Disse ser “lógico que faria”, mas não deu detalhes sobre que medidas poderia adotar, citando apenas que a legislação trabalhista já dispõe de meios para corrigir distorções.

Empregadas

O candidato reafirmou ser favorável à proposta, defendida por setores empresariais, de que é preferível ter mais emprego, ainda que haja uma redução dos direitos trabalhistas. Contudo, ele foi evasivo sobre que mudanças faria, mas destacou que não se pode mexer em direitos previstos na Constituição.

— Temos que desonerar a folha de pagamento, desregulamentar, desburocratizar — disse Bolsonaro, ao mencionar que no país se demora 100 dias para abrir uma empresa. Ele afirmou que somente uma nova “Assembleia Nacional Constituinte” é que poderá tirar direitos dos trabalhadores.

O candidato foi questionado sobre o fato de ter votado contra a aprovação da chama PEC das Domésticas, emenda constitucional que garantiu uma série de direitos a esses trabalhadores. Ele disse ter sido o “único” a votar contra, pois tinha como objetivo “proteger” os empregados domésticos.

Neofascista

Segundo Bolsonaro, a medida levou a um aumento no desemprego dessa categoria, porque as pessoas não teriam condições de arcar com os custos desses empregados.
“Muita gente teve que demitir porque não teria como pagar”, disse ele, para quem muitos domésticos se tornaram diaristas. “Houve, sim, demissão, muita gente que dormia no trabalho, não dorme mais”, completou.

Além de ser questionado sobre sua posição contra a classe trabalhadora, também foi perguntado sobre receber auxílio-moradia, preconceito contra LGBTs, por estimular a violência e outros temas. Mas usou sempre o recurso de desviar o foco das questões ou partir para o ataque.

Disse que não tem preconceito contra LGBTs, e que seu intuito é “defender as crianças”. Sentindo-se em um ‘estande de tiro’, o representante neofascista repisou a questão do kit gay. Desta vez, porém, usando de um artifício. Tentou mostrar uma cartilha que, na realidade, nunca foi distribuída aos alunos.

Homossexual

Segundo esclarecimento do Ministério da Educação, o livro nunca constou do cardápio do Programa Nacional do Livro Didático (PNLD); ou do Programa Nacional Biblioteca da Escola (PNBE). Ambos são responsáveis pelo acervo das bibliotecas das escolas e os livros de estudo distribuídos para os estudantes das escolas públicas de todo país. Bolsonaro usou de um boato que circulou pelas redes sociais em 2013; também desmentido pelo ministério, na época.

Ainda assim, insistiu:

— Um pai não quer chegar em casa e ver um filho brincar com boneca por influência em sala de aula — afirmou, após ouvir a pergunta sobre seu preconceito e sua frase segundo a qual “seria incapaz de amar um filho homossexual” e que preferiria que um filho morresse do que aparecer “com um bigodudo por aí”.

Mais violência

O candidato afirmou que tem uma relação de “fidelidade” com o economista Paulo Guedes, cotado para ser seu superministro da área econômica caso seja eleito, por eles terem um “enorme compromisso” para com o Brasil. Disse que ambos trabalharão para tentar implementar as medidas do seu plano de governo, embora tenha destacado que há um “filtro” que é a Câmara dos Deputados e o Senado.

Questionado como demitiria um subordinado com tamanha força no governo, Bolsonaro comparou a situação como um casamento e disse duvidar que esse “divórcio” venha a acontecer.

O candidato disse que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva não entendia sobre economia e levou um médico para o Ministério da Fazenda, numa alusão a Antonio Palocci, e que a ex-presidente Dilma Rousseff entendia da área —ela é economista de formação— e levou o país ao “caos”.

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