Bolsonaro pega ‘gripezinha’ e toma cloroquina contra covid-19

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Publicado terça-feira, 7 de julho de 2020 as 12:49, por: CdB

Presidente disse que está “bem” e que vem tomando hidroxicloroquina. Ele ainda aproveitou para criticar medidas de isolamento impostas por autoridades estaduais e municipais.

Por Redação, com ABr – de Brasília

O presidente Jair Bolsonaro informou nesta terça-feira que seu exame para detectar a covid-19 teve resultado positivo.

Presidente Jair Bolsonaro testa positivo para covid-19
Presidente Jair Bolsonaro testa positivo para covid-19

Bolsonaro se submeteu ao exame na segunda-feira, após informar que estava sentindo sintomas leves da covid-19. Na ocasião, ele foi levado ao Hospital das Forças Armadas em Brasília para fazer uma ressonância magnética nos pulmões, antes de fazer um novo teste para o novo coronavírus.

Ao anunciar o resultado, em frente ao Palácio da Alvorada, Bolsonaro aproveitou a ocasião para mais uma vez reclamar das medidas de isolamento impostas por prefeitos e governadores. “Levou um certo pânico à sociedade no tocante ao vírus. Todo mundo sabia que mais cedo ele iria atingir uma parte considerável da população. Eu, por exemplo, se não tivesse feito o exame, não saberia o resultado. E ele acabou de dar positivo.”

As informações foram relatadas à emissora CNN Brasil. À rede, Bolsonaro a também relatou que está se tratando com hidroxicloroquina, o medicamente que o presidente tem propagandeado como uma “cura” contra a doença,  apesar de sua eficácia não ter sido comprovada e agências sanitárias de vários países já terem descartado seu uso no tratamento da covid-19. “Estou perfeitamente bem”, disse o presidente.”As medidas que estou tomando são para evitar contaminação a terceiros.”

Bolsonaro afirmou ainda que não ficou surpreso com o resultado. “Confesso que achava que já tinha pego lá atrás, tendo em vista a minha atividade muito dinâmica perante a população”, disse Bolsonaro. Nos últimos meses, em diversas ocasiões, o presidente contrariou recomendações e desafiou medidas impostas para evitar aglomerações ao realizar passeios pelo comércio, participando de atos com apoiadores e abraçando e cumprimentando pessoas.

O presidente, que faz parte do grupo de risco por causa da idade, também voltou a minimizar em parte o coronavírus. “O cuidado mais importante é com mais idosos, que têm problema de saúde. Com os demais você toma cuidado mas não precisa entrar em pânico. A vida continua. Temos que voltar a trabalhar caso contrário a economia pode se colocar em uma situação bastante complexa. Como eu já disse no passado, não se pode combater o vírus onde o  efeito colateral desse combate é pior do que os danos causados pelo próprio vírus.”  

Ainda na segunda-feira, Bolsonaro deixou o Palácio do Planalto relatando que sentia dores no corpo e febre. Ao retornar do hospital, ele afirmou a apoiadores que havia feito uma “chapa do pulmão”.

– Tá limpo o pulmão. Vou fazer exame de covid agora há pouco (sic), mas está tudo bem – afirmou o presidente em um vídeo registrado por simpatizantes. Ele disse ainda que estava evitando se aproximar das pessoas. “Não é pra chegar muito perto não, recomendação aí pra todo mundo”, disse o presidente, que estava usando máscara, em contraste com interações anteriores com apoiadores desde o início da pandemia.

Na segunda-feira, o presidente, de 65 anos, disse que teve febre de 38 graus na noite anterior e que estava com 96% de oxigenação no sangue, além de ja adiantar que estava tomando hidroxicloroquina.

Cerimônia no Palácio do Planalto

O presidente não participou na segunda-feira de uma cerimônia no Palácio do Planalto comemorativa aos cinco anos da Lei Brasileira de Inclusão da Pessoa com Deficiência. Segundo apurou o portal de notícias G1, o presidente cancelou todos os compromissos para a manhã desta terça-feira, enquanto agrada o resultado do teste. Bolsonaro tem marcada em sua agenda uma audiência com Luiz Eduardo Ramos, ministro da Secretaria de Governo, pela tarde.

Os ministros Rogério Marinho (Desenvolvimento Regional) e José Levi (Advocacia Geral da União), que estiveram com o presidente nos últimos dias, devem também ser submetidos a testes nesta terça-feira. Outros membros do gabinete também devem ser examinados.

No último sábado, Bolsonaro esteve em um almoço na embaixada dos Estados Unidos em Brasília para comemorar o Dia da Independência americana. Ele estava acompanhado de um dos filhos, o deputado federal Eduardo Bolsonaro, e ministros de seu gabinete.

Nesta terça-feira, a Embaixada dos Estados Unidos informou que o embaixador Todd Chapman “está tomando as precauções” e “fará os testes” após o encontro do último fim de semana com Bolsonaro.

Fotografias divulgadas do almoço na embaixada mostravam todos os participantes sem máscaras. Em uma delas, o presidente aparece abraçado ao ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo.

Mais cedo, Bolsonaro esteve em Santa Catarina, onde participou de um sobrevoo das áreas atingidas por um ciclone. Durante a visita, ele posou para fotos ao lado de funcionários do aeroporto e manteve contato com políticos locais.

Esta é a quarta vez que o presidente realiza exames para detectar o novo coronavírus. Em março, após o retornar ao Brasil de uma viagem oficial aos Estados Unidos, ao menos 23 integrantes da comitiva presidencial foram diagnosticados com covid-19, inclusive o secretário de Comunicação da Presidência da República, Fabio Wajngarten.

Bolsonaro foi examinado, mas se recusou a apresentar os resultados dos testes, se limitando a afirmar que eles deram negativo. Os resultados foram divulgados somente em maio, após um processo judicial movido pelo jornal O Estado de S. Paulo, que pediu acesso aos laudos dos exames.

O impacto da doença

O presidente vem tentando minimizar o impacto da doença desde que o coronavírus chegou ao país, tendo se referido à covid-19 como uma “gripezinha”. Ele ignorou várias vezes as recomendações da Organização Mundial de saúde (OMS) ao participar de manifestações organizadas por seus simpatizantes e provocar aglomerações, muitas vezes entrando em contato direto com seus apoiadores. Durante muito tempo, ele evitou utilizar a máscara de proteção.

O governo federal dificultou o acesso a informações sobre a doença e atribuiu aos governadores a responsabilidade pelo combate à epidemia.

Nesta segunda-feira, o Brasil superou a marca de 65 mil mortos pela doença, com 1.623.284 casos registrados, segundo o Ministério da Saúde. Entretanto, diversas autoridades e instituições de saúde em todo o país alertam que os números reais do novo coronavírus devem ser ainda maiores em razão da falta de testes em larga escala e da subnotificação.

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