Bolsonaro, na guerra à Globo, aplaude ataque da Record à família Marinho

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Publicado segunda-feira, 21 de setembro de 2020 as 15:01, por: CdB

O dinheiro, segundo o delator, começou a ser entregue em 2003, logo após a campanha contra o então presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), no caso conhecido como ‘mensalão’, e o esquema teria continuado até 2017.

Por Redação – do Rio de Janeiro

O enfrentamento que o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) e as Organizações Globo têm protagonizado ganhou agora, com a escalada no volume de denúncias de parte a parte, mais uma etapa com a divulgação de delações premiadas no programa dominical da Rede Record, aliada do mandatário neofascista na guerra contra o grupo da mídia de ultradireita mais influente do país.

A Globo tem divulgado uma série de matérias que caracterizam Bolsonaro como o genocida que instituições da sociedade civil organizada denunciaram ao Tribunal Penal Internacional (TPI), com sede na Holanda, tanto em face dos incêndios criminosos na Amazônia e no Pantanal; quanto pela gestão de seu governo na luta contra o novo coronavírus e a pandemia, em curso.

Messer confessa ter entregue pacotes de dólares ao diretor da Globo, José Aleixo, preposto dos irmãos Marinho
Messer confessa ter entregue pacotes de dólares ao diretor da Globo, José Aleixo, preposto dos irmãos Marinho

“A família Marinho (Globo), por décadas, no topo da cadeia alimentar da corrupção”, escreveu Bolsonaro na página de uma rede social, nesta segunda-feira, ao comentar a reportagem da noite anterior. No programa, apresentado por dois ex-funcionários da emissora com sede no Jardim Botânico, Zona Sul do Rio – recém-contratados pela adversária, cuja dona é a Igreja Universal do Reino de Deus (IURD) –, o doleiro Cláudio Barbosa, também conhecido como Tony, denuncia a entrega, em dinheiro vivo, de mais de US$ 20 milhões aos herdeiros do jornalista Roberto Marinho, fundador da Rede Globo.

Lista de clientes

O dinheiro, segundo o delator, começou a ser entregue em 2003, logo após a campanha contra o então presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), no caso conhecido como ‘mensalão’, e o esquema teria continuado até 2017. Segundo o doleiro, os maços de dólares eram entregues em um dos escritórios da TV Globo. Na delação à Polícia Federal (PF), Tony revela ainda que, a partir de 2013, as entregas passaram a ser na casa de José Aleixo, ex-diretor financeiro da empresa, em São Conrado. Em cinco anos, ele calcula que foram entregues entre US$ 15 a US$ 20 milhões para a família Marinho.

Cláudio Barbosa foi preso em 2017, no âmbito da Operação Lava Jato e condenado por sonegação de impostos, formação de quadrilha e lavagem de dinheiro. Além dos irmãos Marinho, o ex-governador do Rio, Sérgio Cabral, o ex-presidente da Câmara, Eduardo Cunha, e executivos da Odebrecht figuravam na lista de clientes.

Segundo Messer, “a entrega dos pacotes de dinheiro acontecia dentro da sede da Rede Globo, no Jardim Botânico”, e “os destinatários do dinheiro seriam os irmãos Roberto Irineu (Presidente do Conselho de Administração do Grupo Globo) e João Roberto Marinho (vice-presidente do Grupo Globo)”. Na delação, Messer também detalhou que “a pessoa que recebia o dinheiro na Globo era um funcionário identificado por ele como José Aleixo”.

Outros processos

Em nenhum momento, a família Marinho explicou a movimentação de recursos no exterior. Apenas liberou uma nota, nesta segunda-feira, na qual nega qualquer ligação com Dario Messer e as quantias milionárias, em moeda estrangeira, que teriam chegado à sede da emissora. Com a morte de Aleixo, em 2018, vítima de um enfarto fulminante em casa, uma ponta importante do suposto esquema morreu também, embora a PF busque novos caminhos para provar as acusações.

Este, no entanto, não é o primeiro processo por sonegação de impostos que a Rede Globo responde, judicialmente. Outra denúncia, divulgada no Correio do Brasil, “um dos processos resultou numa cobrança superior a R$ 600 milhões — R$ 183 milhões de imposto devido, R$ 157 milhões de juros e R$ 274 milhões em multas, conforme consta do Processo Administrativo Fiscal de número 18471.000858/2006-97, sob responsabilidade do auditor Alberto Sodré Zile.

Como ele constatou crime contra a ordem tributária, pelo menos em tese, abriu a Representação Fiscal para Fins Penais sob o número 18471.001126/2006-14.

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