Bolsonaro quer licença para matar no campo

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Publicado quinta-feira, 28 de novembro de 2019 as 09:48, por: CdB

Em mais uma guinada fascistizante, o “capetão” Jair Bolsonaro afirmou que enviará ao Congresso Nacional projeto de lei autorizando o emprego da chamada GLO (Garantia da Lei e da Ordem) para reintegração de posse em propriedades rurais.

Por Altamiro Borges – de São Paulo

A medida é uma verdadeira licença para matar no campo brasileiro, servindo de reforço a ação criminosa de grileiros e latifundiários, hoje disfarçados de “modernos” barões do agronegócio.

O “capetão” Jair Bolsonaro
O “capetão” Jair Bolsonaro

As GLOs são operações de segurança que podem durar vários meses e que incluem as forças públicas, incluindo soldados das Forças Armadas e agentes da Polícia Federal.

Para justificar mais essa truculência, o presidente alegou que os governadores desobedecem ou retardam o cumprimento das decisões judiciais de reintegração de posse. “Quando marginais invadem as propriedades rurais, e o juiz determina a reintegração de posse, como é quase como regra que governadores protelam, poderia, pelo nosso projeto, ter uma GLO do campo para chegar e tirar o cara”, rosnou o fascistoide. Além de pregar maior violência no campo, o “capetão” volta a investir contra o pacto federativo, desrespeitando a autonomia dos Estados no cumprimento das reintegrações de posse.

GLO

Ao anunciar a criação da GLO da zona rural, Jair Bolsonaro, um laranja da cloaca burguesa nativa, informou que tem o apoio da bancada ruralista, que hoje é composta por 247 dos 513 deputados federais e 38 dos 81 senadores. “Deixo bem claro que isso passa pelo Parlamento.

Não é nenhuma medida impositiva da minha parte. Se o Parlamento achar que assim deve ser tratada a propriedade privada, aprova. Se achar que a propriedade privada não vale nada, aí não aprova”, argumentou com seu raciocínio tosco e grotesco.

Na semana anterior, o “capetão” já havia enviado ao Congresso Nacional outro projeto de lei que garante o “excludente de ilicitude” a agentes de segurança pública durante as operações de GLO.

Essa medida de cunho escancaradamente fascista-punitivista anula as penas para policiais que cometem excessos,“sob escusável medo, surpresa ou violenta emoção”. O dispositivo, que fazia parte do chamado projeto anticrime do laranja Sergio Moro, gerou críticas no parlamento. Mas os fascistas, incluindo o ministro da Justiça, não desistiram. A cavalgada contra a democracia brasileira segue em ritmo acelerado.

Sobre a GLO do campo, vale conferir a nota oficial do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST).

Altamiro Borges, é jornalista.

As opiniões aqui expostas não representam necessariamente a opinião do Correio do Brasil

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