Bolsonaro mente sobre fechamento de multinacionais na Argentina

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Publicado quarta-feira, 6 de novembro de 2019 as 10:44, por: CdB

Em rede social, presidente disse que Honda, L’Oreal e MWM fecharão suas fábricas na Argentina para se instalar no Brasil, mas apagou a publicação, rapidamente.

Por Redação, com Sputnik – de Brasília

O presidente do Brasil, Jair Bolsonaro (PSL), anunciou nesta quarta-feira que as empresas Honda, L’Oreal e MWM fecharão suas fábricas na Argentina para se instalar no Brasil. Era mentira. O presidente apagou em seguida a publicação, em uma rede social. “A nova confiança do investidor vai gerar mais empregos e maior giro econômico em nosso país”, escreveu Bolsonaro, na justificativa da notícia falsa que divulgava.

Jair Bolsonaro apagou publicação em rede social na qual mencionou Honda, L'Oreal e MWM
Jair Bolsonaro apagou publicação em rede social na qual mencionou Honda, L’Oreal e MWM
A mensagem de Bolsonaro, posteriormente apagada
A mensagem de Bolsonaro, posteriormente apagada

Após a publicação de Bolsonaro, algumas das empresas desmentiram a intenção citada pelo presidente brasileiro. A Honda declarou ao portal Infobae que “não fechará sua fábrica na Argentina, e manterá suas operações como previsto, a partir de 2020, concentrando a produção na linha de motos”.

Por sua vez, representantes da L’Oreal também não confirmaram o fechamento de suas fábricas no território argentino. Já a MWM, fabricante norte-americana de motores, fechou sua fábrica de construção de motores a diesel na cidade de Jesús María, na Argentina, após redução na demanda local de motores e componentes, em uma operação amplamente negociada, sem qualquer previsão de mudança de suas operações para o Brasil.

O anúncio ocorreu após as relações entre Brasil e Argentina piorarem; além de Bolsonaro ter repetidas vezes criticado o presidente recém-eleito na Argentina, Alberto Fernández.

Relação turbulenta
entre Bolsonaro e Argentina

Recentemente, Bolsonaro confirmou que não comparecerá à cerimônia de posse de Alberto Fernández, que deve ocorrer no dia 10 de dezembro. Jair Bolsonaro também já reiteirou que o país vizinho pode inclusive ser afastado do Mercosul.

– Lamento, eu não tenho bola de cristal, mas acho que a Argentina escolheu mal. Primeiro ato do Fernández foi já Lula Livre, dizendo que ele está preso injustamente, já disse a que veio – disse Bolsonaro a jornalistas ao deixar os Emirados Árabes Unidos a caminho do Catar, sua próxima parada em uma viagem pela Ásia e o Oriento Médio.

– Vamos esperar o tempo para ver qual é a posição real dele na política. Ele vai assumir, vai tomar pé do que está acontecendo, e vamos ver qual linha ele vai adotar – afirmou.

Após o resultado das primárias, em agosto, Bolsonaro foi indagado sobre se procuraria Fernández caso ele vença a eleição presidencial e a resposta já havia sido não.

– Não, não. Ele é que vai ter que dar o sinal. Quando eu tomei posse eu falei que ia manter a democracia, a liberdade, abrir o mercado, respeitar as religiões, e é isso que eu estou fazendo – disse.

A vice-presidente eleita da Argentina, a ex-presidente Cristina Kirchner teria enviado uma carta a Bolsonaro (PSL), na qual agradece por um suposto apoio do vizinho e às ameaças que, segundo consta no texto, impulsionaram a campanha e, posteriormente, implicaram na vitória da oposição.

Carta de Cristina Kirchner

Na carta que circulou pelas redes sociais, Kirchner atribui às “asneiras proferidas pelo presidente brasileiro, o neoliberalismo na América Latina inicia sua derrocada”. E acrescenta que Bolsonaro foi “um grande cabo eleitoral”.

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