Bolsonaro vai mesmo nomear o filho para Embaixada do Brasil nos EUA

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Publicado sexta-feira, 12 de julho de 2019 as 18:14, por: CdB

A informação de que Eduardo poderia ser o embaixador nos Estados Unidos foi confirmada pelo próprio presidente, nesta sexta, em uma live no Facebook. Bolsonaro também disse que a única coisa que falta é o “sim” de seu filho.

 

Por Redação – de Brasília

 

Inacreditável, mas não se trata de notícia falsa. O deputado Eduardo Bolsonaro (PSL-SP) confirmou, nesta sexta-feira, que o ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo, apoiou sua possível indicação para ser embaixador em Washington e que deve ter uma conversa final com seu pai, o presidente Jair Bolsonaro, até domingo.

— Pretendo até domingo conversar com o presidente para podermos ter uma conversa mais franca e com mais definições — disse Eduardo ao sair de um encontro com Araújo, na manhã desta sexta, no Itamaraty.

Eduardo Bolsonaro, ao atualizar seu perfil, em uma rede social, trocou 'poço' por 'posso' e virou piada nas rede sociais
Eduardo Bolsonaro, que já trocou ‘poço’ por ‘posso’ e virou piada nas rede sociais, quer assumir Embaixada do Brasil nos EUA

A informação de que Eduardo poderia ser o embaixador nos Estados Unidos foi confirmada pelo próprio presidente, nesta sexta, em uma live no Facebook. Bolsonaro também disse que a única coisa que falta é o “sim” de seu filho.

Drible no STF

O Planalto já fez até consultas jurídicas para saber se a indicação poderia ser enquadrada como nepotismo, mas concluiu que uma decisão do STF, que deixa fora da regra indicações políticas, permitiria a nomeação. Ao ser questionado sobre isso, Eduardo defendeu também seu currículo. Disse não ser apenas “um filho de deputado que vindo do nada” iria ser nomeado embaixador.

— Tenho um trabalho sendo feito, sou presidente da Comissão de Relações Exteriores da Câmara, tenho uma vivência pelo mundo, já fiz intercâmbio, já fritei hambúrguer lá nos EUA, no frio do Maine, no frio do Colorado, aprimorei meu inglês, vi como é o trato receptivo do (norte-)americano com os brasileiros — confirmou.

Assim, Bolsonaro confirma seu entendimento quanto à indicação de seu filho, que não se enquadraria como nepotismo.

— Alguns falam que é nepotismo. Essa função, tem decisão do Supremo, não é nepotismo, eu jamais faria isso. Ou vocês acham que devo aconselhar o Eduardo a renunciar o mandato e voltar a ser agente da Polícia Federal? — questiona.

Amorim

Bolsonaro reafirmou que, se depender dele, só falta o filho aceitar a indicação e o Senado aprovar. Na noite de quinta, o deputado afirmou que, se for realmente indicado, aceita e renuncia ao mandato.

— Não depende de mim, depende do meu filho aceitar e do Senado que vai sabatiná-lo. Agora, vocês querem que eu coloque quem? Celso Amorim nos EUA, que é do Itamaraty? — disse o presidente.

Amorim foi chanceler durante o governo do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Bolsonaro ainda lembra que o último ministro de Relações Exteriores, o ex-senador Aloysio Nunes Ferreira, não era diplomata e nem tinha formação na área, mas “ninguém falava nada”.

— Eu tenho certeza absoluta que o Eduardo Bolsonaro é muito melhor do que eu. A sua vivência, a sua educação, a sua formação. Logicamente eu tenho muito mais experiência do que ele, em muitos momentos quem tem a razão sou eu… filho para mim vai ser sempre subordinado meu — acrescenta.

Jovem preparado

Em um café da manhã com jornalistas, o ministro da Secretaria de Governo, Luiz Eduardo Ramos, admitiu que a indicação “deu polêmica”, mas lembrou que é um processo que ainda precisa passar pelo Senado.

— O presidente tem seus momentos de pronunciamento — disse o ministro, lembrando do anúncio de que a embaixada brasileira em Israel seria transferida para Jerusalém e a polêmica causada pelo anúncio. “E onde a embaixada está hoje? Em Tel Aviv”, lembrou o ministro, ressaltando que não estava comparando os dois anúncios.

Ramos admitiu que o momento do anúncio pode não ter sido o melhor, em meio à reforma da Previdência, já que vários deputados, na noite de quinta, criticaram o caso na tribuna da Câmara.

— Poderia anunciar semana que vem, no recesso? Talvez. Acabou sendo usado na votação. Deu margem para o pessoal falar — disse, o ministro. Ele destacou, no entanto, que Eduardo seria um “jovem preparado”.

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