Bolsonaro não tem mais força e deve cair

Arquivado em: Destaque do Dia, Opinião, Últimas Notícias
Publicado domingo, 17 de janeiro de 2021 as 15:24, por: CdB

O fascismo é um sistema de curta duração. Ele se consome em sua própria ignorância. Cada piada homofóbica, cada mentira em live, cada mentira em rede nacional somou-se aos inúmeros indícios de crime de corrupção e à incompetência fascisto-militar em todas as áreas.

Por Fernando Horta – do Rio de Janeiro

É hora. Bolsonaro deve cair. Mais ainda, Bolsonaro precisa cair. A diferença entre um processo de impeachment há 3 meses e um agora é colossal. Agora, Bolsonaro pode cair. E as razões para isto são várias. Bolsonaro não tem mais força para fazer as reformas que o capital quer. Gastou capital político numa velocidade maior do que poderia ganhar.

A queda da popularidade de Jair Bolsonaro ficou explícita com a rejeição dos candidatos que apoiou nas Eleições Municipais
A queda da popularidade de Jair Bolsonaro ficou explícita com a rejeição dos candidatos que apoiou nas Eleições Municipais

O fascismo é um sistema de curta duração. Ele se consome em sua própria ignorância. Cada piada homofóbica, cada mentira em live, cada mentira em rede nacional somou-se aos inúmeros indícios de crime de corrupção e à incompetência fascisto-militar em todas as áreas. O capital abandonou Bolsonaro enfraquecido. Sem utilidade, a elite sabe que é melhor livrar-se do entulho autoritário.

Os crimes de Manaus foram a gota d’água na classe média urbana. As cenas horrendas de mortos asfixiados pela negligência completa do governo federal foi o soco de empiria que faltava para uma boa parte sair do transe. Bolsonaro, hoje, não vale uma bicada de Ema; e com Trump ensinando o caminho da Presidência à prisão, o restante de capital simbólico de Bolsonaro se foi. 

Responsabilidade

O exército, que vinha rachando desde a demissão de Santos Cruz, percebeu que sai desta aventura completamente no chão. As suas estrelas (Mourão, Heleno e Pazuello) mostram ao Brasil que até mesmo para pintar meio fio, o custo para manter esta tropa de incompetentes é muito alto. Salvo os golpistas de sempre, o exército brasileiro não moverá uma palha por Bolsonaro.

A última gota de brio na cara de qualquer oficial caiu com as transferências às pressas de bebês para que não morressem sem ar nos hospitais de Manaus. Não é exagero dizer que se o país tivesse sido atacado militarmente, os danos seriam menores. São 205 mil brasileiros mortos, uma grande parte encharcados de Cloroquina e Ivermectina que Bolsonaro produziu, induzindo o Exército a cometer crime de responsabilidade.

Os ofícios do Ministério da Saúde, confiscando seringas de empresas privadas, e vacinas dos Estados, colocaram empresários e governadores em desespero ao perceber que o autoritarismo parece ser superado apenas pela ignorância deste governo. Hoje, Bolsonaro só é defendido por alucinados como Bia Kicis e Carla Zambelli.

Ladeira abaixo

Nem mesmo os blogueiros, arregimentados pelo gabinete do ódio, estão ao seu lado. Foram deixados na estrada, como Bolsonaro ameaça fazer com Pazuello, colocando-lhe todas as culpas de um governo de apedeutas e perversos. Não há mais como esconder que as atitudes de Bolsonaro levaram o Brasil a ter 10% das mortes mundiais da pandemia, e com Guedes calado e suas promessas desfeitas, Bolsonaro é um morto-vivo esperando que lhe empurrem para a cova.

A briga, agora, é saber quem será o herói que matará o monstro. As elites apressam-se a aproveitar que Lula não está no país e a última imagem do PT é abraçado em acordos nada bons com Rodrigo Maia. O PSOL se apressa a buscar os flashes, vendo a derrapada petista e a proverbial verborragia sem efetividade de Ciro Gomes. Luciano Huck e Doria disputam com Maia, que dará a última estocada no monstro moribundo.

E, o mais importante para eles, quem tirará a foto já de olho em 2022. Bolsonaro não durará muito. A dúvida é quem dará o último golpe. Talvez Mourão no intuito de salvar alguma oliva do uniforme verde-vômito que o exército passou a usar quando se ombreou com o fascista. Talvez a Globo e o garoto-propaganda dos institutos neoliberais tabatianos. Talvez Doria buscando a ressurreição do PSDB. A verdade é que quem empurrar Bolsonaro ladeira abaixo unirá o país e deve ser o próximo presidente.

Hitler

Com a esquerda desbaratada, o neoliberalismo sente a oportunidade de matar dois coelhos com uma cajadada só. Neste momento, Maia articula-se para ser o cajado e o PT trabalha ardentemente para ocupar a posição de coelho. Quanto a Bolsonaro, seria melhor que seguisse o exemplo de Adolf Hitler e não o de Donald Trump. Para o Brasil seria melhor que Bolsonaro saísse da vida para entrar na (lata de lixo da) história. E ele tem armas de sobra para fazer o serviço.

Dois mil e vinte e um nos fará sentir saudades da Peste Negra no século XIV.

Fernando Horta é professor, “apaixonado por educação. Na luta por um país menos desigual, mais justo e efetivamente para todos”.