Para Bolsonaro, não há riscos para aprovação da Previdência

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Publicado segunda-feira, 21 de outubro de 2019 as 11:05, por: CdB

“Que crise política? Inventaram a crise política. Não há crise nenhuma, zero”, afirmou Bolsonaro sobre sua relação com o PSL.

Por Redação, com Reuters – de Brasília

O presidente Jair Bolsonaro afirmou nesta segunda-feira que não há uma crise política e nem riscos para a aprovação final da reforma da Previdência no Senado, prevista para terça-feira, apesar do racha dentro de seu partido, o PSL.

No Japão, Jair Bolsonaro nega a existência de crise no PSL e disse que a mesma foi inventada
No Japão, Jair Bolsonaro nega a existência de crise no PSL e disse que a mesma foi inventada

– É o Senado que resolve amanhã. Eu estou tranquilo e o Parlamento está tranquilo também. A responsabilidade é de todos nós – disse o presidente a jornalistas durante um passeio pelas ruas de Tóquio, primeira parada de uma viagem de 10 dias pela Ásia e o Oriente Médio.

Questionado sobre a crise no PSL, que na semana passada atingiu o ápice com a suspensão de cinco deputados ligados a Bolsonaro, o presidente negou que exista e disse que foi inventada.

– Que crise política? Inventaram a crise política. Não há crise nenhuma, zero – afirmou.

Nas últimas semanas, desde que Bolsonaro foi gravado dizendo a um apoiador que devia esquecer o PSL e que o presidente do partido, deputado Luciano Bivar (PE), estava “queimado”, a crise interna da sigla se agravou e rachou a bancada da legenda. Parte do grupo que se diz leal a Bolsonaro tenta controlar o PSL ou sair do partido sem ser afetado pela lei de fidelidade partidária.

Na semana passada, o grupo tentou retirar o atual líder da bancada, Delegado Waldir (GO), do cargo e emplacar o filho do presidente Eduardo Bolsonaro (SP), em uma manobra com o apoio de Bolsonaro, mas que não deu certo.

Em retaliação, o PSL suspendeu cinco parlamentares do grupo bolsonarista e ameaça tirar os filhos do presidente Eduardo e Flávio do controle dos diretórios do partido em São Paulo e Rio de Janeiro, respectivamente.

Bolsonaro afirmou que “essas coisas acontecem”.

– É igual uma ferida, cicatriza naturalmente – disse.

Na sexta-feira, foram eleitos novos delegados com direito a voto na convenção da legenda a ser realizada em novembro, elevando o número de 101 convencionais para 153, o que amplia a força política de Bivar na sigla.

– Alcançamos quórum para a votação com a maioria absoluta – afirmou o líder do PSL no Senado, Major Olimpio (SP).

– Houve apresentação de uma chapa única para completar quadros na Convenção Nacional – completou.

– Não temos pressa com nada e nem para praticar injustiça. Temos cinco parlamentares que tiveram suspensão decretada pela Executiva – disse Olimpio.

O presidente chegou nesta madrugada, horário do Brasil, a Tóquio, onde participa na terça-feita da cerimônia de entronização do novo imperador japonês, Naruhito. Terá ainda uma reunião bilateral com o primeiro-ministro, Shinzo Abe, e encontros com empresários japoneses e brasileiros.

A segunda etapa de viagem será a China, e em seguida Bolsonaro vai a Arábia Saudita, Emirados Árabes e Catar.

Crise afasta 03 da embaixada dos EUA

Enquanto o presidente Jair Bolsonaro nega a crise na legenda, a briga pode deixar o deputado Eduardo Bolsonaro (PSL-SP) mais longe da embaixada em Washington. A indicação para a embaixada, anunciada pelo próprio presidente em julho, até hoje não foi formalizada pelo governo, apesar de os Estados Unidos já terem concedido o agrèment a Eduardo, uma espécie de aceite do país anfitrião. Isso porque o governo até agora não conseguiu os votos para garantir que Eduardo seja indicado e, com o partido rachado, o próprio governo admite que as dificuldades aumentaram.

Uma experiente fonte do Senado disse à agência de notícias britânica Reuters, antes mesmo da confusão envolvendo a liderança da Câmara, que considerava “muito difícil” a indicação de Eduardo para embaixador passar. Segundo essa fonte, que pediu anonimato, o governo já se demonstrava muito inseguro com o nome e estava “jogando com o balcão” para tentar convencer os parlamentares. Isto é, oferecendo cargos e emendas parlamentares.

Depois da guerra aberta no PSL, senadores avaliam que a situação de Eduardo ficou ainda mais complicada, especialmente depois de o filho do presidente não ter conseguido ganhar a disputa para líder da bancada na Câmara, mesmo com a interferência direta do pai.

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