Bolsonaro fala em ‘soco na mesa’, ameaça o STF e apela aos militares

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Publicado terça-feira, 16 de junho de 2020 as 14:20, por: CdB

A declaração desta manhã, da mesma forma que a nota de sexta-feira — com as assinaturas do vice-presidente, Hamilton Mourão, e o ministro da Defesa, Fernando Azevedo —, ocorre em meio a julgamento, no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), das primeiras duas ações contra a chapa Bolsonaro-Mourão, eleita em 2018.

Por Redação – de Brasília

Completamente pressionado pela proximidade de um possível desenlace definitivo para o seu mandato, o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) apela às Forças Armadas. Ele pede para que a caserna não aceite “um julgamento político para destituir um presidente democraticamente eleito”. Foi o que afirmou nesta segunda-feira, repetindo teor de nota divulgada na última sexta-feira.

Caricatura de Jair Bolsonaro
A caricatura de Jair Bolsonaro, lembrando um longínquo passado militar, dissemina-se pelas redes sociais

— Nós, militares das Forças Armadas, e eu também sou militar, somos os verdadeiros responsáveis pela democracia em nosso país — disse Bolsonaro em entrevista a uma rádio paulista. O mandatário neofascista foi desligado das fileiras militares em um rumoroso processo, no último quarto do século passado, após descobertos seus planos para explodir bombas em instalações de segurança nacional.

A declaração desta manhã, da mesma forma que a nota de sexta-feira — com as assinaturas do vice-presidente, Hamilton Mourão, e o ministro da Defesa, Fernando Azevedo —, ocorre em meio a julgamento, no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), das primeiras duas ações contra a chapa Bolsonaro-Mourão, eleita em 2018.

— Nós jamais cumpriríamos ordens absurdas; também jamais aceitaríamos um julgamento político para destituir um presidente democraticamente eleito — reforçou.

Fake news

Bolsonaro enfrenta ainda, no Supremo Tribunal Federal (STF), um inquérito que investiga a possível tentativa de interferência na Polícia Federal (PF). Há outras dezenas de pedidos de impeachment que o aguardam para decisão do presidente da Câmara, deputado Rodrigo Maia. O Brasil já teve dois presidentes democraticamente eleitos que sofreram o impeachment e perderam seus mandatos: Fernando Collor de Mello e Dilma Rousseff.

Ciente de que pode estar com os dias contados no Palácio do Planalto, o presidente voltou a criticar o julgamento das ações pelo TSE e a operação, dentro de um inquérito do Supremo sobre fake news, que o atingem diretamente e aos seus aliados. Bolsonaro ainda pretende concorrer à reeleição.

Segundo o mandatário, o objetivo seria chegar em 2022 em condições de formar uma bancada consistente de deputados e senadores aliados e, assim, promover as mudanças planejadas. A realidade, no entanto, segue na direção contrária, uma vez que sequer o número mínimo de eleitores, suficiente para a formação de um partido político, foi alcançado até agora.

Inconformismo

Não bastassem as arengas no judiciário, Bolsonaro está às voltas com a saída iminente do ministro da Educação, Abraham Weintraub. O presidente reconheceu que ele não foi muito prudente em participar de manifestação no domingo, em Brasília. Em vídeo nas redes sociais, o ministro voltou a falar em “vagabundos” ao comentar o inconformismo de quem disse pagar imposto e ver a ação dos corruptos.

Weintraub usou a expressão “vagabundos na cadeia” em reunião ministerial de 22 de abril, ao pedir a prisão de ministros do Supremo.

— Quanto à participação do ministro no dia seguinte, um grupamento de pessoas que não foi aquele grupo de pessoas que soltou os fogos para cima do STF, eu acho que ele não foi muito prudente em ele participar desta manifestação, apesar de nada de grave ele ter falado ali. Mas não foi um bom recado ali — disse Bolsonaro.

E emendou:

— Por quê? Ele não estava representando o governo, estava representando a si próprio. Então, como tudo que acontece cai no meu colo, mais um problema que estamos tentando solucionar com o senhor Abraham Weintraub.

Mais ameaças

Não satisfeito, Bolsonaro voltou a ameaçar a democracia brasileira, na entrevista à rádio, nesta manhã. Ele disse que a  decisão de impedir a posse do delegado Alexandre Ramagem como diretor-geral da Polícia Federal foi “mais uma brutal interferência do STF no Executivo”.

— Não podemos concordar com isso — afirmou, antes da ameaça velada aos poderes constituídos da República, ao afirmar que está “sendo consciente e complacente demais”.

Ministro do STF, o decano Celso de Mello autorizou a abertura de inquérito para investigar interferência política na PF, na tentativa de proteger familiares e amigos das ações policiais. Alguns deles estão envolvidos com a formação de milícias armadas e com a morte da vereadora Marielle Franco (PSOL-RJ), no ano passado.

Soco na mesa

Bolsonaro também atacou o ministro Alexandre de Moraes, relator do inquérito no STF que apura a produção de fake news e ofensas contra magistrados da Corte. Afeito a bravatas, o inquilino do Planalto voltou a lembrar o último ditador dos chamados ‘anos de chumbo’, general João Baptista de Oliveira Figueiredo, na frase lapidar: “Eu prendo e arrebento”. Na atual versão, foi o “soco na mesa”.

— É um inquérito que serve para o interesse apenas dele. Não quero dar soco na mesa e afrontar ninguém, mas peço que não afronte o Poder Executivo. Não queremos medir força com ninguém. Nós queremos administrar e conduzir o Brasil a um porto seguro. Afinal de contas, têm muitas incertezas no ar — disse à rádio BandNews, sem especificar que incertezas seriam essas.

Sem tomar conhecimento destes arroubos ditatoriais do mandatário neofascista, o Plenário do Supremo Tribunal Federal (STF) formou maioria, nesta manhã, para rejeitar o pedido de habeas corpus impetrado pelo ministro da Justiça, André Mendonça. A medida visava retirar Weintraub do rol de investigados no inquérito das fake news, que investiga a disseminação de notícias falsas e ameaças a integrantes do Supremo.

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