Bolsonaro tenta aproximação com países árabes

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Publicado sexta-feira, 25 de outubro de 2019 as 11:16, por: CdB

Durante a campanha eleitoral, Bolsonaro prometeu a seus apoiadores evangélicos que transferiria a embaixada brasileira de Tel Aviv para Jerusalém para aproximar mais o Brasil de Israel.

Por Redação, com Reuters – de Brasília

O presidente Jair Bolsonaro chega a Abu Dhabi no sábado para uma viagem por três países do Golfo Pérsico na esperança de superar a desavença diplomática travada com nações árabes no ano passado devido a uma proposta de transferir a embaixada brasileira em Israel para Jerusalém.

Em 2018 Bolsonaro disse que a Palestina não é um país e que não deveria ter uma embaixada em Brasília
Em 2018 Bolsonaro disse que a Palestina não é um país e que não deveria ter uma embaixada em Brasília

O plano, que teria descartado o apoio tradicional do Brasil a uma solução de dois Estados para o conflito entre israelenses e palestinos, irritou países árabes e ameaçou um comércio anual de US$ 5 bilhões em exportações de carne halal brasileira.

Durante uma visita a Israel em abril, Bolsonaro desistiu da ideia e anunciou a abertura de um escritório comercial em Jerusalém.

Os convites para visitar os Emirados Árabes Unidos, o Catar e a Arábia Saudita são prova de que a questão foi superada, disse Kenneth Nóbrega, secretário de negociações bilaterais com o Oriente Médio, a Europa e a África do Ministério das Relações Exteriores.

Nóbrega disse que Bolsonaro buscará mais comércio e investimento com seus anfitriões produtores de petróleo para ajudar a revigorar a economia do Brasil. O presidente se encontrará com chefes de Estado e falará em conferências de negócios em Doha, na segunda-feira, e em Riad, na quarta-feira.

Na eleição do ano passado, Bolsonaro prometeu a seus apoiadores evangélicos que transferiria a embaixada brasileira de Tel Aviv para Jerusalém para aproximar mais o Brasil de Israel.

Mas o presidente recuou diante da pressão interna de generais e da equipe econômica do governo, que sublinharam a necessidade de laços econômicos mais fortes com as nações árabes, de acordo com Oliver Stuenkel, professor adjunto de Relações Internacionais na Fundação Getulio Vargas (FGV) de São Paulo.

– Bolsonaro foi instruído sobre o que deve falar e o que não deve falar para consertar o estrago que fez à reputação do Brasil no mundo árabe – disse Stuenkel.

Os laços brasileiros com as nações árabes melhoram a cada dia, disse o embaixador da Autoridade Palestina, Ibrahim Al Zeben, que construiu uma embaixada em Brasília a pouca distância do palácio presidencial — o que exasperou diplomatas israelenses.

No ano passado, Bolsonaro disse que a Palestina não é um país e que não deveria ter uma embaixada em Brasília, embora em 2010 o Brasil tenha reconhecido o Estado da Palestina e suas fronteiras de 1967.

Al Zeben afirmou que autoridades do Itamaraty lhe dizem que o Brasil ainda apoia uma solução de dois Estados para a questão palestina.

– Tanto Brasil quanto o mundo árabe nos esforçamos para desenvolver e diversificar mais os laços sob a base de mútuos interesses. A visita do senhor presidente (Bolsonaro) a países árabes cabe perfeitamente no âmbito desta lógica – afirmou à agência de notícias britânica Reuters.

Indianos e chineses

O presidente Jair Bolsonaro disse nesta quinta-feira durante visita à China que isentará da obrigação de visto para entrada no Brasil chineses e indianos que queiram fazer turismo e negócios no país.

Ao lado do presidente, o ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo, disse que “não necessariamente” a isenção aos chineses terá a reciprocidade do governo de Pequim.

– Anunciamos há pouco que vamos, o mais rápido possível, seguindo a legislação, isentar o turista chinês de visto para entrar no Brasil – disse Bolsonaro aos jornalistas.

– Pretendemos também fazer a mesma coisa com a Índia – acrescentou.

Araújo disse que os passos para a isenção do visto estão sendo analisadas e afirmou que não há garantia de reciprocidade.

– Não necessariamente (haverá reciprocidade). A questão é atrair o turista chinês. Vamos ver quais as maneiras de fazer isso, os passos até lá – disse o chanceler.

A ideia, de acordo com o presidente e o ministro, é adotar o mesmo modelo da isenção de visto feito para norte-americanos, canadenses, japoneses e australianos mais cedo neste ano. Nesses casos, a decisão brasileira foi unilateral e não teve a reciprocidade dos governos desses países.

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