Bolsonaro volta usar cloroquina como manobra diversionista para ‘enganar trouxas’

Arquivado em: Política, Últimas Notícias
Publicado sexta-feira, 7 de agosto de 2020 as 18:16, por: CdB

Na semana passada, um requerimento assinado por deputados do PT pede à Presidência da Câmara dos Deputados pede a abertura de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) que investigue irregularidades envolvendo a produção de cloroquina – e seu composto, a hidroxicloroquina – pelo governo do presidente Jair Bolsonaro.

Por Redação – de Brasília

Atolado em um pântano de processos por responsabilidade na crise da covid-19, com quase 100 mil vítimas; além das ações judiciais sobre possível cumplicidade em esquemas criminosos montados para a disseminação de notícias falsas e ataques aos ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) voltou a usar a cloroquina — substância com contra-indicações e inócua no tratamento contra o novo coronavírus — como manobra diversionista.

— Esse truque é para enganar trouxas, mas já está manjado — afirmou um alto técnico do Ministério da Saúde por telefone, nesta sexta-feira, à reportagem do Correio do Brasil, em condição de anonimato “por razões óbvias”, acrescentou.

Ao anunciar que estava livre da covid-19, Bolsonaro aparece em um cenário montado com uma caixa de cloroquina na mão e um sinal de positivo
Ao anunciar que estava livre da covid-19, Bolsonaro aparece em um cenário montado com uma caixa de cloroquina na mão e um sinal de positivo

Bolsonaro afirmou na noite passada, em transmissão pelas redes sociais, que o país tem um estoque reduzido de comprimidos de hidroxicloroquina. Ele disse ainda que, se precisar, pode pedir mais para o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.

Na semana passada, um requerimento assinado por deputados do PT pede à Presidência da Câmara dos Deputados pede a abertura de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) que investigue irregularidades envolvendo a produção de cloroquina – e seu composto, a hidroxicloroquina – pelo governo Bolsonaro.

Propaganda

Os parlamentares questionam o governo e o Exército sobre a superprodução, os custos de fabricação e os critérios de distribuição dos medicamentos como forma de enfrentamento à covid-19.

Embora a Organização Mundial da Saúde (OMS) já tenha orientado pela interrupção das pesquisas com os medicamentos, o mandatário neofascista faz campanha aberta pelo uso das substâncias. O documento critica o presidente pela propaganda que faz da cloroquina e por defender a modificação de protocolos referentes ao uso do remédio.

No requerimento, os deputados petistas destacam que já foram produzidos cerca de três milhões de comprimidos pelo Exército, mesmo sem comprovação científica de que o medicamento é eficaz no tratamento da infecção causada pelo novo coronavírus.

Laboratórios

Bolsonaro é um dos principais defensores do uso dessa substância no tratamento da covid-19, apesar de pesquisas dentro e fora do país já terem descartado eficácia no tratamento à doença. As drogas, sugerem estudos, ainda provocam fortes efeitos adversos em pacientes.

— Aceitei do presidente Trump a doação de 1 milhão de comprimidos, que ainda não foram distribuídos porque a cartela deles tem 100 comprimidos. E se o Trump, nós tivermos necessidade aqui de mais comprimidos, pode ser que haja mais necessidade, eu não tenho problema nenhum de ligar para o presidente norte-americano, se tiver mais, manda para nós, a gente manda um avião buscar ou ele manda um avião para cá e a gente distribui esse material aí — destacou.

Apesar da enfática defesa do presidente da hidroxicloroquina, comprimidos da droga doados ao Brasil pelo governo dos EUA e por um laboratório foram enviados ao laboratório do Exército, depois que secretários estaduais de Saúde se posicionarem contra o uso do medicamento. Uma quantia ainda incerta de recursos públicos tem sido empregada na manipulação da substância, nas instalações militares.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *