Cacique Aritana morre vítima de coronavírus

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Publicado quarta-feira, 5 de agosto de 2020 as 13:50, por: CdB

O cacique Aritana Yawalapiti, 71 anos, um dos principais líderes indígenas do Alto Xingu, morreu nesta quarta-feira vítima de covid-19, depois de duas semanas internado em um hospital de Goiânia.

Por Redação, com Reuters – de Brasília

O cacique Aritana Yawalapiti, 71 anos, um dos principais líderes indígenas do Alto Xingu, morreu nesta quarta-feira vítima de covid-19, depois de duas semanas internado em um hospital de Goiânia.

Cacique Aritana é visto ao chegar a hospital em Goiânia no mês passado
Cacique Aritana é visto ao chegar a hospital em Goiânia no mês passado

A morte de Aritana foi confirmada pela família, em uma nota em que agradece às condolências, e pelo médico Celso Correia Batista, que atende os indígenas no Xingu e foi responsável por levar Aritana de carro até Goiânia, depois de o líder indígena apresentar sintomas da covid-19, com tosse, cansaço e falta de ar.

O líder indígena chegou a ser internado em Canarana, no Mato Grosso. Depois de uma tomografia mostrar o comprometimento de 50% do pulmão e a avaliação do médico Celso Batista de que os sintomas eram de covid-19, tentou-se uma transferência para Goiânia de UTI móvel.

Os esforços pela transferência aérea

Como nenhum médico queria se responsabilizar pelo transporte de um paciente em estado grave, os esforços pela transferência aérea não deram resultado ao longo de dois dias.

Batista levou então Aritana até Goiânia em uma segunda viagem de carro, de nove horas. O cacique ficou duas semanas internado na UTI, mas não resistiu às complicações causadas pela doença.

Uma das lideranças mais tradicionais da região e um dos últimos falantes do idioma tradicional de seu povo, o Yawalapiti, Aritana trabalhou com os irmãos Villas-Bôas para a criação do Parque Nacional do Xingu.

Povos Indígenas

Segundo a Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib), 633 índios já morreram de covid-19 no Brasil, com 22.325 casos confirmados até o momento.

O Ministério da Saúde registra um número menor, de 294 óbitos entre indígenas e 16.509 casos confirmados. Índios que deixaram as aldeias e se mudaram para cidades não são contabilizados separadamente pelo governo.

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