Casa Branca considerou banir Huawei de sistema financeiro dos EUA

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Publicado terça-feira, 3 de dezembro de 2019 as 10:22, por: CdB

O governo Trump considerou banir a Huawei do sistema financeiro dos Estados Unidos no início deste ano como parte de uma série de opções de políticas.

Por Redação, com Reuters – de Washington/Xangai

O governo Trump considerou banir a Huawei do sistema financeiro dos Estados Unidos no início deste ano como parte de uma série de opções de políticas para frustrar a gigante dos equipamentos de telecomunicações, segundo três pessoas familiarizadas com o assunto.

O governo Trump considerou banir a Huawei do sistema financeiro dos Estados Unidos no início deste ano
O governo Trump considerou banir a Huawei do sistema financeiro dos Estados Unidos no início deste ano

O plano, que acabou sendo arquivado, pedia a colocação da Huawei, a segunda maior fabricante de smartphones do mundo, na lista de Nacionais Especialmente Designados do Departamento do Tesouro (SDN).

Uma das pessoas familiarizadas com o assunto, que é a favor do movimento, disse que isso poderá ser retomado nos próximos meses, dependendo de como as coisas caminharão com a Huawei.

O plano foi considerado pelo Conselho de Segurança Nacional da Casa Branca e visto pelas autoridades como uma opção extrema no topo de um conjunto de ferramentas políticas para sancionar a empresa, disseram duas pessoas. Essa designação pode tornar praticamente impossível para uma empresa concluir transações em dólares americanos.

Oficiais do governo redigiram um memorando e realizaram reuniões entre as agências sobre o assunto, de acordo com uma das pessoas, mostrando até que ponto os oficiais do governo ponderaram a implementação da ferramenta de sanção mais agressiva dos Estados Unidos contra a empresa chinesa.

A Huawei não respondeu a um pedido de comentário. Um porta-voz do Tesouro disse que o órgão “não comenta investigações ou ações em potencial, inclusive para confirmar sua existência”.

Empresas

A Huawei estaria entre as maiores empresas já incluídas nesta lista, que inclui a russa Rusal, a segunda maior empresa de alumínio do mundo, além de oligarcas russos, políticos iranianos e traficantes de drogas venezuelanos.

A designação proíbe empresas ou cidadãos norte-americanos de negociar ou realizar transações financeiras com aqueles listados e congela ativos da empresa mantidos nos Estados Unidos.

A adição da Huawei, portanto, prejudicaria aliados dos EUA que já confiam na empresa para suas redes 4G, uma vez que quase todos os pagamentos em dólar passam pelas instituições financeiras do país.

O tamanho da Huawei, com dezenas de subsidiárias, complicaria significativamente os esforços dessa imposição e sua execução, disseram especialistas.

– Quanto maior a entidade, mais difícil é a administração dos EUA prever e se preparar para os principais efeitos, estrangeiros e domésticos, que colocá-la na lista de SDN pode causar – disse Matthew Tuchband, ex-funcionário do Tesouro que acrescentou que é necessário fazer uma consideração antes de incluir na lista uma empresa do tamanho da Huawei.

No entanto, alguns parlamentares ainda consideram que a Huawei deve ser considerada para a lista.

– Dada a implacável iniciativa da Huawei de dominar o cenário 5G, ela é uma das ameaças de segurança nacional mais urgentes que o mundo livre enfrenta – disse o congressista republicano Michael Gallagher.

– Todas as opções devem ser consideradas para impor pressão máxima – acrescentou.

Reconhecimento facial

A China adotou no domingo novas regulações que exigem que as operadoras de telecomunicações digitalizem os rostos de usuários que compram serviços de telefonia móvel, uma medida que o governo alega ser necessária para combater fraudes.

As regras, anunciadas pela primeira vez em setembro, significam que milhões de pessoas estarão sujeitas à tecnologia de reconhecimento facial na China.

O Ministério da Indústria e Tecnologia da Informação da China (MIIT) não informou quais empresas fornecerão esse serviço às operadoras, mas a China abriga algumas das líderes mundiais em software de reconhecimento facial, incluindo Megvii e SenseTime.

Identidade das pessoas

As operadoras de telecomunicações da China agora precisam usar a tecnologia de reconhecimento facial e outros meios para verificar a identidade das pessoas que abrem novas contas.

As três maiores operadoras da China são as estatais China Telecom, China Unicom e China Mobile. Não ficou claro como a lei se aplica às linhas atuais.

Uso da tecnologia

Supermercados, sistemas de metrô e aeroportos já usam a tecnologia de reconhecimento facial. O Alibaba oferece aos clientes a opção de pagar usando o reconhecimento facial na rede de supermercados Hema e administra um hotel em Hangzhou, onde os hóspedes podem digitalizar o rosto com o smartphone para fazer o check-in antecipado.

Os sistemas de metrô de algumas das principais cidades chinesas anunciaram que usarão a tecnologia, com o jornal estatal China Daily dizendo que Pequim a usará para “classificar passageiros” para permitir “diferentes medidas de verificação de segurança”.

À agência inglesa de notícias Reuters divulgou no ano passado o amplo uso da tecnologia na região de Xinjiang, uma área devastada pela violência separatista e repressão por forças de segurança contra muçulmanos uigures e membros de outros grupos étnicos que foram detidos em campos. A China diz que os campos são centros de reeducação e treinamento.

A polícia chinesa também é conhecida por possuir aparelhos de vigilância de alta tecnologia, como óculos com reconhecimento facial embutido.

Usuários

As tecnologias de vigilância encontraram pouca oposição pública na China, mas houve um debate principalmente anônimo em plataformas de mídia social como o Weibo.

Alguns usuários argumentam que é necessário combater fraudes, mas outros manifestaram preocupações sobre suas implicações para dados pessoais, privacidade e ética.

Um caso raro de oposição envolveu um professor universitário, que processou um parque em Hangzhou depois que ele substituiu seu sistema de entrada baseado em impressões digitais por um que usava tecnologia de reconhecimento facial.

O jornal Southern Metropolis Daily, que noticiou o caso em novembro, disse que o professor estava preocupado com o fato de o sistema resultar em roubo de identidade e pediu um reembolso. Ele processou após o parque negar seu pedido.

A seguir

Atualmente, a tecnologia está sendo testada em áreas como faixas de pedestres e a China anunciou que expandirá seu uso para outras funções, como inscrições de estudantes para o Exame Nacional de Admissão à Faculdade.

Também houve pedidos de maior supervisão regulatória.

O People’s Daily, no sábado, pediu uma investigação, dizendo que um de seus repórteres havia encontrado dados faciais à venda na internet, com um pacote de 5 mil rostos custando apenas 10 iuanes (1,42 dólares).

Na semana passada, o órgão regulador da internet na China anunciou novas regras sobre o uso da tecnologia “deepfake”, que usa inteligência artificial para criar vídeos hiper-realistas, nos quais uma pessoa parece dizer ou fazer algo que não fez.

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