Catilinárias versus Sérgio Moro

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Publicado quarta-feira, 26 de junho de 2019 as 09:43, por: CdB

Até quando oh Catilina, abusarás de nossa paciência?… Não vês que tua conspiração foi dominada pelos que a conhecem?

Por Eron Bezerra – de Brasília

Com esse libelo o tribuno romano Marco Túlio Cícero iniciava, por volta de 63 a.C, uma sequência de duros discursos – conhecidos como as Catilinárias – denunciando a conspiração tramada pelo Senador Romano Lúcio Sérgio Catilina.

Sérgio Moro

Como se percebe, as tramas e conspirações não começaram e tampouco terminaram no golpe de 2016, hoje completamente comprovado. Fazem parte da trajetória humana, desde que haja alguém suficientemente inescrupuloso para se prestar a esse papel.

E, como os fatos recentes comprovaram, há abundância desses personagens no mercado, como os documentos publicados pelo The Intercept demonstraram ao revelarem as conversas entre o então juiz Sérgio Moro e os procuradores da lava-jato.

Crimes

Flagrado cometendo crimes e, portanto, reduzido ao mesmo papel dos criminosos que em tese ele dizia combater, sua atitude não poderia ser mais deplorável.

Inicialmente, tentou dizer que não via “nada de mais” em orientar um membro do ministério público de como deveria proceder para incriminar alguém que ele ia “julgar” – nesse caso o verbo mais apropriado seria condenar – bem como combinar quando e como deveriam ser as operações, sem descuidar da própria defesa que deveriam fazer para blindarem a ele próprio.

Essas barbaridades seriam um crime escandaloso em qualquer lugar do mundo, até na imaginária cidade de Sucupira, onde os adversários eram vítimas do caricato e inescrupuloso prefeito Odorico Paraguaçu. Mas para Moro eram “simples conversas”.

Percebendo que seus argumentos só poderiam convencer os “convencidos”, gente tipo os “tontos do MBL”, ele mudou o discurso.

Expediente

Agora, recorre ao frágil expediente, mas o único que lhe restou, de tentar desacreditar o vasto material que, a cada dia, se torna mais devastador contra a farsa que ele montou para atender os interesses americanos e interromper um ciclo de conquistas sociais.

Moro se tornou um zoombi e em breve estará assombrando os que estiverem no seu entorno.

Não será surpresa, portanto, se ele já for a próxima peça a ser descartada na esplanada dos ministérios.

Sua ainda aparente força, demonstrada com a retirada de pauta do processo que analisaria sua eventual suspeição na condução de seus julgamentos, especialmente contra o ex presidente Lula, decorre muito mais da concentração de direita que se formou para interromper os avanços socioeconômicos do país e muito menos por restar dúvidas quanto à sua parcialidade.

Os fatos, todavia, apenas demonstram, de forma inequívoca, o que recorrentemente temos sustentado: o Estado nada mais é do que um instrumento de dominação da classe dominante. E mais uma vez deixou isso claro.

Eron Bezerra, é professor da UFAM, Doutor em Ciências do Ambiente e Sustentabilidade na Amazônia, Coordenador Nacional da Questão Amazônica e Indígena do Comitê Central do PCdoB.

As opiniões aqui expostas não representam necessariamente a opinião do Correio do Brasil

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