Cenário político nos EUA deixa dólar mais fraco nas reservas cambiais

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Publicado quarta-feira, 30 de setembro de 2020 as 17:02, por: CdB

No âmbito macroeconômico, o terceiro trimestre chegava ao fim em meio a cautela nos mercados internacionais depois que o primeiro debate dos candidatos à Presidência da maior economia do mundo — repleto de insultos e muitas vezes carente de fatos — falhou em fornecer alguma orientação clara sobre o futuro das eleições.

Por Redação – de São Paulo

A participação do dólar nas reservas cambiais informadas ao Fundo Monetário Internacional (FMI) caiu para 61,3% no segundo trimestre, ante taxa de 61,9% nos primeiros três meses do ano, mostraram dados do FMI divulgados nesta quarta-feira. Diante da nova realidade, a moeda norte-americana apresentava volatilidade contra o real nesta quarta-feira.

O Banco Central vendeu nesta terça-feira 5.100 contratos de swap cambial reverso, de oferta de até 12.000, e US$ 255 milhões em moeda à vista
O dólar operava em alta volatilidade, nesta quarta-feira, diante do cenário político internacional após o primeiro debate da campanha eleitoral norte-americana

O movimento refletia a briga do fechamento da Ptax de fim de mês e a incerteza política nos Estados Unidos depois de um debate caótico entre o presidente norte-americano, Donald Trump, e seu adversário democrata nas eleições presidenciais, Joe Biden.

Às 10h32, o dólar avançava 0,02%, a R$ 5,6442 na venda, depois de ter tocado mais cedo R$ 5,6705 na máxima do dia, alta de 0,5%. O dólar futuro, negociado na B3, subia 0,26%, a R$ 5,6525. Na véspera, o dólar negociado no mercado interbancário teve variação positiva de 0,14%, a R$ 5,6428 na venda, nova máxima desde 20 de maio.

Insultos

Segundo especialistas, a instabilidade nas negociações acompanhava a formação da Ptax no último dia de setembro, que envolve a briga entre comprados e vendidos, enquanto várias operações são liquidadas nesta quarta-feira.

No âmbito macroeconômico, o terceiro trimestre chegava ao fim em meio a cautela nos mercados internacionais depois que o primeiro debate dos candidatos à Presidência da maior economia do mundo — repleto de insultos e muitas vezes carente de fatos — falhou em fornecer alguma orientação clara sobre o futuro das eleições.

Entre analistas, predominava a visão de que Trump não conseguirá ganhar terreno nas pesquisas eleitorais depois do debate, levantando incerteza sobre o futuro das políticas econômicas dos Estados Unidos.

Radical

O dólar, uma das moedas que mais tem se beneficiado de momentos de cautela, avançava contra uma cesta de pares fortes nesta quarta-feira, enquanto os futuros de Wall Street registravam queda.

— (Trump) não teve uma mudança radical em seu discurso de forma a conseguir reverter os resultados das pesquisas — explicou à agência inglesa de notícias Reuters Vanei Nagem, responsável pela mesa de câmbio da Terra Investimentos, sobre o impacto do debate nos mercados financeiros globais, destacando que uma derrota do republicano poderia ter algum impacto no Brasil, dada a proximidade do governo de Jair Bolsonaro com os EUA.

Por aqui, depois da reação negativa do mercado financeiro às propostas do governo para financiar um novo programa de transferência de renda, o presidente Bolsonaro reclamou que precisa de sugestões, não de críticas, e alertou que com o agravamento da crise econômica, “todo mundo vai mal”, inclusive o mercado.

Em alta

As preocupações fiscais têm dominado o radar dos investidores domésticos nas últimas semanas em meio à possibilidade de furo do teto de gastos devido ao impacto econômico da pandemia de Covid-19, que se opõe a um orçamento apertado para 2021.

Depois de um mês conturbado no âmbito político e fiscal, o dólar caminhava para fechar setembro em alta de cerca de 2,7% contra o real, resultado que marcaria seu segundo ganho mensal consecutivo.

No ano, a moeda norte-americana acumula salto de mais de 40% contra o real, deixando a divisa brasileira na posição de pior desempenho dentro de uma cesta com mais de 30 pares do dólar, refletindo também um ambiente de juros extremamente baixos.

Pregão

O Ibovespa subia nesta quarta-feira, após acumular queda de 3,5% nas duas últimas sessões, com dados econômicos fortes nos EUA também apoiando o movimento e o salto de papéis de CSN.

Às 12h15, o Ibovespa subia 1%, a 94.518,22 pontos. O volume financeiro somava R$ 8,8 bilhões. Mesmo com a forte alta da sessão, o índice caminhava para encerrar setembro com queda superior a 4%.

Apesar do cenário político, nos EUA, dados positivos elevaram as esperanças de investidores de uma recuperação econômica norte-americana, com contratos para compra de moradias usadas saltando para máxima recorde em agosto; além de fortes números de criação de empregos no setor privado, apoiando os mercados de Wall Street.

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