Centrão e partidos de esquerda articulam contra ítens da reforma previdenciária

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Publicado terça-feira, 26 de março de 2019 as 14:24, por: CdB

Em nota, os líderes do Centrão e de partidos da esquerda na Câmara dos Deputados anunciaram, nesta terça-feira, que atuarão para tirar do texto da reforma da Previdência enviado pelo governo do presidente Jair Bolsonaro as mudanças nas regras da aposentadoria rural e no Benefício de Prestação Continuada (BPC).

 

Por Redação, com Reuters – de Brasília

 

Presidente da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara, Felipe Francischini (PSL-PR) enfrenta, agora, a rebelião dos deputados de partidos da centro-direita, que se pronunciaram contrariamente “à desconstitucionalização generalizada do sistema previdenciário do país”, segundo nota assinada por líderes do MDB, PR, PRB, PSD, Podemos, PTB, PPS, DEM, PSDB, PP e SD.

O presidente da CCJ, deputado Francischini (PSL-PR), ainda não havia iniciado os trabalhos da comissão para analisar a reforma da Previdência
O presidente da CCJ, deputado Francischini (PSL-PR), ainda não havia iniciado os trabalhos da comissão para analisar a reforma da Previdência

No documento, os líderes do Centrão e de partidos da esquerda, na Câmara dos Deputados, anunciaram nesta terça-feira que atuarão para tirar do texto da reforma da Previdência enviado pelo governo do presidente Jair Bolsonaro as mudanças nas regras da aposentadoria rural e no Benefício de Prestação Continuada (BPC).

Segundo Francischini, que mantém contato com o ministro da Casa Civil, Onyx Lorenzoni, há uma série de conversas para tornar o ambiente político mais favorável, após uma semana de turbulência que culminou com farpas entre o presidente Jair Bolsonaro e o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), um dos principais fiadores da reforma no Congresso.

Admissibilidade

Para o deputado, o esforço para virar a página envolve bastante conversa com líderes e parlamentares, e “tentar criar um ambiente político favorável para que possamos designar o relator nesta semana”.

O líder do PSL, Delegado Waldir (PSL-GO), no entanto, avaliou que não há pressa para a designação de um relator na CCJ, o que só ocorrerá quando Maia e Bolsonaro “fumarem o cachimbo da paz”. Segundo Waldir, isso ainda não ocorreu.

A CCJ é o primeiro órgão colegiado a analisar a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) da reforma da Previdência, e deve opinar sobre sua admissibilidade. O nome mais cotado para a relatoria da matéria era o de Eduardo Cury (PSDB-SP), mas o partido do parlamentar colocou a nomeação em modo de espera após ataques de integrantes do PSL ao presidente nacional do PSDB, Geraldo Alckmin.

Boa vontade

Depois de passar pela CCJ, a PEC ainda precisa ser avaliada por uma comissão especial e só então segue ao plenário da Câmara, onde precisará de 308 votos em dois turnos de votação para ser aprovada.

Aliados do governo no Congresso calculam que há boa vontade em mudar as regras de aposentadoria, mas que esse patamar de votos está longe de ser alcançado — projeções mais otimistas avaliam que a PEC teria 100 votos favoráveis, enquanto estimativas mais realistas apontam um patamar de 80 votos.

Após as recentes turbulências, o governo se mobilizou para tentar melhorar o clima no Congresso. O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (DEM-AP), foi o anfitrião de um almoço na segunda com Maia e Onyx, em uma tentativa de distensionar a relação.

Boina azul

No Planalto, Bolsonaro comandou na manhã da segunda-feira uma reunião com Onyx, o ministro da Economia, Paulo Guedes, e outros ministros para discutir, entre outros assuntos, o avanço da Previdência e dar a ordem de “pacificar” a relação com o Congresso.

A mensagem foi reforçada pelo porta-voz da Presidência, general Otávio Rêgo Barros, que afirmou que Bolsonaro vai buscar a paz com base na interlocução. E ainda brincou, dizendo que, embora o presidente não tenha sido um boina azul (em referência às tropas de paz da ONU), ele é “tudo pela paz”.

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