Cerco a Venezuela: a quem interessa essa estupidez?

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Publicado quarta-feira, 27 de fevereiro de 2019 as 10:18, por: CdB

O caos na Venezuela interessa única e exclusivamente aos Estados Unidos da América, cujo objetivo é o mesmo de sempre: se apoderar dos recursos naturais alheios, no caso a maior reserva de petróleo do planeta, para ampliar a sua riqueza e seu arranjo geopolítico.

Por Eron Bezerra  – de Brasília

A tática empregada igualmente é a de sempre e de tão recorrente chega a ser enfadonha. O “script” básico inclui o estabelecimento do caos econômico; o cerco político e ideológico contra o alvo da vez; a mobilização da direita local e dos países vizinhos; e a escalação de um fantoche local – no caso Juan Guaidó – para a execução das medidas práticas.

O caos na Venezuela interessa única e exclusivamente aos Estados Unidos da América

No passado, os Estados Unidos agiam com certa discrição. Hoje, com o avanço conjuntural das forças de direita no continente, eles atuam abertamente sem qualquer pudor. Articulam abertamente a deposição de quem não se submete aos seus interesses; fazem chantagem, ameaças e todo tipo de pressão nos aliados regionais. O próprio presidente norte-americano, Donald Trump, faz chantagem e ameaças explícitas aos militares da Venezuela.

A imagem do autoproclamado “presidente da Venezuela”, Juan Guaidó, confraternizando com o vice-presidente americano, Mike Pence, e o presidente da Colômbia, Iván Duque, revela o papel subalterno desse personagem nesse processo e deixa explícito que ele é um mero marionete a serviço dos Estados Unidos da América nessa trama contra o seu próprio país. É uma cena que certamente constrangeria a qualquer pessoa com um mínimo de sentimento patriótico.

A ofensiva americana contra a Venezuela ainda não descambou para a pura e simples invasão militar por duas questões essenciais: a oposição aberta a essa estupidez por parte da Rússia e da China e, não menos importante, a falta de apoio de massa na Venezuela a essa pretensão.

A ninguém de bom senso interessa o caos na Venezuela, especialmente ao Brasil, que será o maior prejudicado com as consequências de um eventual conflito no país vizinho, razão pela qual o governo deveria está empenhado na busca de uma solução pacífica que respeite a soberania e a autodeterminação do povo venezuelano, bem como empenhado na busca de medidas que igualmente sejam benéficas aos nossos interesses e não aos interesses dos Estados Unidos da América. Esse papel de marionete, de lambaio americano, não nos interessa.

Os problemas da Venezuela, reais ou fabricados, devem ser resolvidos pelo seu povo e não por qualquer preposto ou invasor. E esses problemas jamais serão resolvidos se não estiverem preservados a soberania e a autodeterminação da Venezuela.

Diante de uma questão aparentemente tão cristalina, por que o governo brasileiro flerta com a aventura e a arrogância americana?

Porque bom senso não é o que caracteriza o atual governo brasileiro.

A estupidez de se aliar aos Estados Unidos da América e reconhecer um fantoche como “presidente“ da Venezuela sem que ele tenha obtido sequer um voto para tal cargo dá a dimensão da insensatez do governo.

Mas essa insensatez também se expressa na decisão de mudança da embaixada brasileira em Israel para Jerusalém, o que provocou imediata reação dos países árabes, inclusive com retaliação comercial. E consequências mais graves ainda podem ocorrer.

E o que dizer da expulsão de 8.500 médicos cubanos de excelente formação acadêmica e de extremada dedicação profissional, o que deixou mais de 50 milhões de brasileiros sem assistência médica?

A paz, e somente a paz, interessa a Venezuela e aos povos do mundo. Assim como os nossos problemas, igualmente, são exclusivamente nossos e nós saberemos como resolver, sem qualquer tipo de interferência.

A estupidez irracional que anima a política americana e, conjunturalmente, também a política brasileira, é a expressão do conflito civilizacional que, em essência, opõe as ideias progressistas – genericamente apelidaras de esquerda – às ideias reacionárias, de direita.

Eron Bezerra, é professor da UFAM, Doutor em Ciências do Ambiente e Sustentabilidade na Amazônia, Coordenador Nacional da Questão Amazônica e Indígena do Comitê Central do PCdoB.

As opiniões aqui expostas não representam necessariamente a opinião do Correio do Brasil

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