Coincidências demais na morte de miliciano chama atenção de deputado

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Publicado segunda-feira, 10 de fevereiro de 2020 as 18:37, por: CdB

“Coincidências: matadores de Marielle um morava no condomínio do Bolsonaro e o outro só frequentava. O capitão morto ontem estava hospedado no sítio do vereador do PSL, mas o vereador não sabia. São tantas coincidências que nem Manoel Carlos autor da Globo pensaria nesse roteiro”, escreveu Alexandre Frota (PSDB-SP), em uma rede social.

Por Redação – de Brasília

Um dos principais articuladores da campanha de Jair Bolsonaro (sem partido) à Presidência da República, hoje um crítico declarado do presidente, o deputado federal Alexandre Frota (PSDB-SP) voltou alertar às autoridades policiais quanto às relações promíscuas entre políticos do PSL e o miliciano Adriano da Nóbrega Silva, ex-capitão PM ligado à família Bolsonaro e morto neste domingo, após troca de tiros com agentes policiais, na Bahia. 

O miliciano Adriano Magalhães de Nóbrega
O miliciano Adriano Magalhães de Nóbrega recebeu elogios públicos por parte da família Bolsonaro

“Coincidências: matadores de Marielle um morava no condomínio do Bolsonaro e o outro só frequentava. O capitão morto ontem estava hospedado no sítio do vereador do PSL, mas o vereador não sabia. São tantas coincidências que nem Manoel Carlos autor da Globo pensaria nesse roteiro”, escreveu o parlamentar, em uma rede social.

O ex-militar, ainda segundo Frota, integrava o Escritório do Crime, grupo de matadores de aluguel (criminosos “contratados” para cometer assassinatos), com sede em Rio das Pedras, Zona Oeste do município do Rio. A milícia é suspeita de envolvimento com a morte da ex-vereadora Marielle Franco (PSOL), morta pelo crime organizado em março de 2018.

Os atiradores efetuaram os disparos em um lugar sem câmeras e haviam perseguido o carro da parlamentar por cerca de três quilômetros. Marielle era ativista de direitos humanos e denunciava a truculência policial nas favelas, bem como a atuação de milícias.

Foto

Registros da Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj) asseguram que o filho primogênito do presidente, Flávio Bolsonaro, quando era deputado estadual, foi o único a votar contra a proposta do então deputado estadual Marcelo Freixo (PSol), atual deputado federal, para conceder a medalha Tiradentes em homenagem à vereadora quando o pessolista ocupava um cargo no Legislativo do estado do Rio.

Em 2005, o então deputado Jair Bolsonaro defendeu Adriano, acusado de homicídio, e disse que o ex-militar era um “brilhante oficial”. Dois suspeitos do crime contra Marielle estão presos: o policial militar reformado Ronnie Lessa e o ex-militar Élcio Vieira de Queiroz. O primeiro é acusado de ter feito os disparos e o segundo de dirigir o carro que perseguiu a parlamentar. 

Lessa morava no mesmo condomínio de Bolsonaro. Élcio Vieira de Queiroz, de 46 anos havia postado no Facebook uma foto ao lado de Jair Bolsonaro. Na foto, o rosto de Bolsonaro está cortado. 

Coaf

O ex-capitão do Bope Adriano da Nóbrega Silva também foi citado na investigação que apura a prática de “rachadinha” no antigo gabinete do atual senador Flávio Bolsonaro na Alerj. A mãe do policial trabalhou no gabinete do parlamentar.

Segundo o Ministério Público Estadual do Estado do Rio de Janeiro (MPE-RJ), Adriano controlava contas bancárias para abastecer Fabrício Queiroz, ex-assessor do senador e amigo de Jair Bolsonaro.

Queiroz está envolvido em um esquema de lavagem de dinheiro que ocorria na Alerj quando o filho de Jair Bolsonaro era deputado estadual. Ele movimentou R$ 7 milhões em de 2014 a 2017, de acordo com relatório do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), órgão ligado ao Banco Central do Brasil.

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