Comitê estuda medidas para prevenir assassinato de jovem

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Publicado quinta-feira, 10 de maio de 2018 as 15:32, por: CdB

O lançamento foi marcado pela apresentação de dados alarmantes sobre esses homicídios, além de relatos de jovens negros e de uma mãe que teve o filho assassinado aos 19 anos

Por Redação, com ABr – do Rio de Janeiro:

O Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) reuniu 22 instituições públicas, institutos de pesquisa e movimentos sociais para criar o Comitê para a Prevenção de Homicídios de Adolescentes no Rio de Janeiro. A iniciativa foi lançada nesta quinta-feira e é a segunda do tipo no Brasil, seguindo o exemplo do Ceará.

Comitê estuda medidas para prevenir assassinato de adolescente no Rio

O lançamento foi marcado pela apresentação de dados alarmantes sobre esses homicídios; além de relatos de jovens negros e de uma mãe que teve o filho assassinado aos 19 anos.

Segundo o Unicef, 335 adolescentes foram assassinados na cidade do Rio de Janeiro em 2016, e 269 deles eram negros. O Brasil é país do mundo que mais mata adolescentes em números absolutos.

Em 2015, foram 11.403 assassinatos de pessoas de 10 a 19 anos. O patamar supera todas as mortes desse tipo registradas em todos os países do continente asiático; o que inclui nações em conflito, como a Síria.

A representante do Unicef no Brasil, Florence Bauer, destacou que a situação do país é grave a nível internacional; com o registro de 28 mortes de adolescentes por dia.

– Atualmente, é mais perigoso ser adolescente do que ser adulto no Brasil. A probabilidade de ser assassinado sendo adolescente mais é alta do que sendo adulto – disse. “O Brasil fez muito na redução da mortalidade infantil. Vocês salvaram milhares de vidas a cada ano de crianças; que não morreram antes dos seis anos. Agora, elas estão morrendo na adolescência”.

O grupo

O grupo se reunirá com regularidade para estudar o perfil dessas mortes no estado e propor soluções para preveni-las. Participam órgãos como o Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro, Defensoria Pública estadual; três comissões da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro; as secretarias estaduais de direitos humanos e segurança pública e a prefeitura do RIo de Janeiro.

Pelo lado da sociedade civil, integram o grupo entidades como o Movimento Moleque, o Observatório de Favelas e o Centro de Defesa dos Direitos da Criança e do Adolescente.

Ceará

A experiência da Unicef com o comitê do Ceará começou em 2016, quando foi mapeado; que Fortaleza era a capital brasileira com a maior letalidade violenta de adolescentes. O trabalho realizado permitiu identificar a trajetória desses adolescentes vitimados; o que evidenciou que, além de negros e pobres, eles também estavam, em muitos casos, afastados da escola há mais de seis meses.

– Isso permite orientar a politica pública. Ficamos sabendo que a escola, além de ser importante para a formação da criança e do adolescente; é uma forma também de proteção – disse Florence, que contou que os dados ajudaram a fortalecer as ações de busca ativas por crianças e adolescentes que estão fora da escola.

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