Consumo de álcool caiu 43% na Rússia

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Publicado quarta-feira, 2 de outubro de 2019 as 10:31, por: CdB

País continua entre os maiores consumidores de álcool do mundo, ficando agora, porém, atrás de Alemanha e França. Resultado de políticas públicas, diminuição impulsionou aumento da expectativa de vida.

Por Redação, com DW  e ACS- de Moscou

Apesar de permanecer um dos países onde mais se bebe no mundo, o consumo de álcool na Rússia caiu 43% em relação a 2003, revelou um relatório da Organização Mundial da Saúde (OMS) publicado na terça-feira. A redução foi alcançada graças a políticas governamentais.

Entre políticas para reduzir consumo de álcool, Moscou introduziu de um preço mínimo para vodka
Entre políticas para reduzir consumo de álcool, Moscou introduziu de um preço mínimo para vodka

De acordo com o relatório, os russos consomem em média o equivalente a 11,7 litros de álcool puro por ano, continuando entre os maiores bebedores do mundo. Com a redução, porém, o consumo anual per capita no país ficou abaixo dos 13,4 litros da Alemanha. Meio litro de cerveja contém quase 20 gramas de álcool.

“Há muito tempo, a Rússia é considerada um dos países onde mais se bebe no mundo”, reconhece a OMS, destacando que o álcool contribuiu significativamente para o aumento das mortes nos anos 1990 e a crise demográfica que se seguiu à queda da União Soviética, “no entanto, nos últimos anos, essas tendências foram revertidas”. De acordo com relatórios anteriores da organização, os russos agora bebem, em média, menos álcool do que os franceses e os alemães.

Segundo o relatório, a expectativa de vida masculina na Rússia caiu para 57 anos na década de 1990, mas começou a aumentar em 2003, quando o consumo de álcool atingiu seu auge, sendo seguido por um declínio nos anos seguintes. Essa redução contribuiu para que a expectativa atingisse um nível recorde em 2018, se 78 anos para as mulheres e 68 anos para os homens.

Entre 2003 e 2018, a mortalidade no país também caiu 39% entre homens e 36% entre mulheres. O relatório destacou que há uma relação direta entre os níveis de consumo de álcool e as taxas de mortalidade e expectativa de vida. Segundo a OMS, o consumo de álcool pode causar câncer e doenças cardiovasculares. Além disso, especialistas citam os acidentes e assassinatos cometidos sob o efeito de bebidas alcoólicas como outras perigosas consequências do consumo.

Alcoolismo

De acordo com o relatório, essa diminuição é resultado de políticas públicas adotadas nos anos 2000. O ex-líder soviético Mikhail Gorbachev tentou reduzir o consumo executando uma campanha contra o alcoolismo, proibindo parcialmente a venda de bebidas destiladas em meados da década de 1980. Após a queda da União Soviética em 1991, entretanto, o consumo alcoólico explodiu e continuou a crescer até o início dos anos 2000.

Quando assumiu o poder em 2000, Vladimir Putin reintroduziu restrições a bebidas alcoólicas, como o aumento dos imposto sobre o produto, e a imposição de um preço mínimo para vodca e outros destilados, além da proibição de publicidade e de vendas após às 23h.

Álcool na adolescência

A Adolescência, que acontece dos 12 aos 18 anos de acordo com o Estatuto da criança e do Adolescente (ECA), é uma fase marcada por inúmeras mudanças, questionamentos, alterações hormonais e inquietações emocionais, justamente pelo fato de que neste período a personalidade do indivíduo está sendo definida e os lutos da infância vivenciados.

Os adolescentes enfrentam decisões sociais e psicológicas para toda a vida, e muitas vezes apresentam comportamentos extemos, imediatistas, opositores e podem até, em alguns momentos, negligenciar os cuidados com sua saúde.

O consumo de bebidas alcoólicas é um problema de saúde pública cada vez mais agravante, particularmente no que se refere aos adolescentes, que é quando, na maioria das vezes, se inicia a ingestão do álcool.

Algumas pesquisas revelam que entre todas as substâncias avaliadas, o álcool foi a que apresentou a menor média de idade para o início do consumo, sendo um pouco mais de 12 anos. Dado este bastante preocupante, já que quanto mais precoce for a iniciação, piores as consequências e riscos para desenvolver a dependência ou futuros abusos no consumo.

O álcool na adolescência é extremamente desaconselhável porque o sistema nervoso central do jovem ainda está se desenvolvendo, também pela possibilidade de atrapalhar seu amadurecimento normal, causar alterações no desenvolvimento da personalidade e prejudicar funções como memória e atenção. Por sua vez, estes prejuízos podem levar a dificuldade de aprendizagem e piora no desempenho escolar.

De acordo com um recente estudo realizado da Finlândia, adolescentes que bebem em excesso tendem a ter menos massa cinzenta no cérebro, que é a estrutura responsável pela memória, tomada de decisões e autocontrole.

Sendo assim, o consumo de bebidas alcoólicas pode acarretar uma série de problemas sociais e de saúde e contribuir para a vulnerabilidade dos jovens a acidentes de trânsito, violência, doenças sexualmente transmissíveis e gravidez indesejada, uma vez que o sentimento de onipotência marcante nessa etapa do desenvolvimento é intensificado pelo uso do álcool, possibilitando que os adolescentes acreditem que podem se expor aos riscos sem que lhe ocorram maiores danos..

A naturalização atribuída às bebidas alcoólicas é um dos fatores de risco ao consumo, já que em diversos contextos culturais a cerveja e a cachaça estão presentes nas comemorações e festividades brasileiras e são incessantemente expostas e divulgadas pela mídia. A bebida é associada então à busca de prazer que os jovens atribuem a bebida, à desinibição, à sociabilidade e autoafirmação.

As pesquisas têm mostrado muitos outros fatores de risco para o abuso de substâncias psicoativas. No entanto, alguns autores acreditam que as condições familiares são cruciais, já que a família é a base da estruturação emocional e psíquica do ser humano.

Como fatores protetores podemos destacar a família bem estruturada; com o envolvimento afetivo dos pais na vida dos filhos e determinando regras de conduta e limites claros; o desempenho escolar satisfatório; e as relações com outras referências da comunidade como igreja, ações sociais e esportivas.

Portanto, os riscos imediatos e de longo prazo provenientes do consumo do álcool pelos jovens reforçam a necessidade do desenvolvimento de programas de prevenção e de tratamento. O conhecimento e a compreensão dos fatores sociais, pessoais e ambientais que contribuem para a iniciação e o aumento no consumo é essencial para a iniciativa de ações eficazes de combate ao problema.

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