Coronavac produz anticorpos em 97% dos casos

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Publicado quarta-feira, 18 de novembro de 2020 as 10:43, por: CdB

Vacina da empresa chinesa Sinovac é segura, mostram resultados das fases 1 e 2. Mas nível de anticorpos gerados é menor do que em pessoas recuperadas da doença, e não está claro quanto tempo eles permanecem no corpo.

Por Redação, com DW – de Pequim/Viena

A vacina chinesa Coronavac produziu, depois de 28 dias, anticorpos em 97% dos voluntários saudáveis testados e é segura, afirma um estudo publicado na terça-feira na revista especializada The Lancet Infectious Diseases.

Cientistas frisaram que as descobertas da fase 3 serão cruciais para determinar se resposta imunológica é suficiente
Cientistas frisaram que as descobertas da fase 3 serão cruciais para determinar se resposta imunológica é suficiente

A Coronavac é fabricada pela empresa chinesa Sinovac e está na fase 3 de testes em diversas regiões do Brasil desde julho, em parceria com o Instituto Butantan, de São Paulo. Os dados do estudo são das fases 1 e 2.

Os resultados são provenientes de testes clínicos feitos na China em abril e maio, com 744 voluntários saudáveis entre os 18 e 59 anos, e revelaram que as respostas de anticorpos podem ser induzidas dentro de 28 dias após a primeira imunização, administrando duas doses da vacina com 14 dias de intervalo.

Níveis e persistência dos anticorpos

Porém, os níveis de anticorpos produzidos pela vacina foram mais baixos do que os observados em pessoas que foram infectadas e se recuperaram da doença covid-19, provocada pelo novo coronavírus.

Além disso, a persistência dos anticorpos gerados precisa ainda ser verificada para determinar quanto tempo durará a proteção contra o vírus, disseram os cientistas.

Diante disso, os cientistas frisaram que as descobertas da fase 3 serão cruciais para determinar se a resposta imunológica gerada pela Coronavac é suficiente para proteger contra uma infecção pelo Sars-CoV-2.

A pesquisa publicada, realizada por uma equipe chinesa, identificou a dose ideal para gerar as respostas imunológicas mais altas, enquanto observou os efeitos secundários, que foram leves e desapareceram em 48 horas.

O resultado já alcançado torna a vacina adequada para uso de emergência durante a pandemia, disse o pesquisador Fengcai Zhu, do Centro Provincial de Controle e Prevenção de Doenças de Jiangsu, na China.

Os autores identificaram algumas limitações no estudo, como o fato de o teste da fase 2 não ter avaliado as respostas das chamadas células T (células do sistema imunológico), que representam outra variante da resposta imunológica às infecções pelo vírus.

A tecnologia usada na vacina

A Coronavac, uma das 47 candidatas a vacinas contra o novo coronavírus em testes clínicos, baseia-se numa cepa viral do Sars-CoV-2, originalmente isolada de um paciente chinês.

Outros candidatas a vacina, como as da Moderna e da Biontech-Pfizer, utilizam a tecnologia de RNA mensageiro (mRNA) modificado. Ou seja, a resposta imunológica é gerada sem o uso de patógenos, como no caso da Coronavac. Como as vacinas de mRNA não são feitas com o próprio coronavírus, não há qualquer chance de alguém ser contaminado pela própria vacina.

O Butantan estima que terá 46 milhões de doses do imunizante, sendo que 6 milhões virão da China e 40 milhões serão produzidas em São Paulo.

Os sete grupos de sintomas

Garganta irritada, dor de cabeça, calafrios, quais são mesmo os sintomas de covid-19? Um ano atrás, talvez não nos importássemos muito com eles, por considerá-los parte de um simples resfriado. Hoje, no entanto, a situação é outra. Um espirro basta para acionar nossa imaginação: “Onde estive nos últimos dias, com quem tive contato? Ainda posso sentir cheiro e gosto?”

Não se aflija, não é só você que tem essas preocupações. Pesquisadores e médicos também ainda estão tentando rastrear o leque de sintomas da covid-19.

Cientistas da Universidade de Medicina de Viena puderam estruturar uma longa lista de sintomas da doença, identificando sete formas dela. O estudo foi publicado na revista científica Allergy.

O objetivo principal do estudo foi descobrir como seria uma boa imunidade após uma infecção com o novo coronavírus e como isso pode ser medido.

Para isso, os cientistas liderados pelo imunologista Winfried Pickl e pelo alergologista Rudolf Valenta realizaram um estudo incluindo entrevistas e controle sanguíneo de 109 pessoas que estão se recuperando de covid-19 e 98 pessoas saudáveis.

Sete grupos de sintomas

Com base nos dados reunidos, os pesquisadores conseguiram demonstrar que vários sintomas estão relacionados entre si e ocorrem em grupos, dos quais foram identificados sete:

Sintomas semelhantes aos de gripe (febre, calafrios, fadiga e tosse).

Sintomas de resfriado (rinite, espirros, garganta seca e nariz entupido).

Dores musculares e nas articulações.

Inflamação dos olhos e das mucosas.

Problemas pulmonares (com pneumonia e falta de ar).

Problemas gastrointestinais (diarreia, náuseas e dor de cabeça).

Perda do olfato, do paladar e outros sintomas.

– No último grupo, também descobrimos que a perda do olfato e do paladar afeta mais pessoas com um sistema imunológico jovem – disse Pickl à agência alemã de notícias Deutsche Welle (DW). Um sistema imunológico jovem não é medido pela idade do paciente, mas pelo número de células imunes (linfócitos T) que migraram recentemente do timo.

– Isto significa que fomos capazes de diferenciar claramente os cursos sistêmicos (por exemplo, grupos 1 e 3) dos cursos específicos para órgãos (por exemplo, grupos 6 e 7) da doença primária covid-19 – afirma Pickl.

No entanto, isto não quer dizer que não haja sobreposição entre os grupos de sintomas. Entretanto, foram mostradas correlações entre os diferentes grupos e parâmetros imunológicos específicos. Por exemplo, um curso da doença covid-19 com febre alta se correlaciona com a memória imunológica do corpo e pode indicar uma imunidade relativamente longa. A perda do olfato e paladar, por outro lado, foi associada a um nível mais elevado de linfócitos T.

Covid-19 e a impressão digital no sangue

Por meio do sangue, os pesquisadores conseguiram identificar importantes marcadores de covid-19. Dez semanas após a doença, eles descobriram mudanças claras no sistema imunológico − como uma impressão digital no sangue do paciente, por assim dizer.

O número de granulócitos, que são responsáveis ​​pelo combate a patógenos bacterianos no sistema imunológico, foi significativamente menor do que o normal no grupo de covid-19. “Isso foi incrível e completamente novo”, disse o imunologista.

– Para isso, as células imunes CD4 e CD8 desenvolvem uma memória e as células T CD8 permanecem fortemente ativadas. Isso mostra que o sistema imunológico ainda está lidando intensamente com a doença muitas semanas após a primeira infecção – disse Pickl.

Essa também pode ser a razão pela qual muitos pacientes se sentem fracos por mais tempo após uma infecção por covid-19. Ao mesmo tempo, as células reguladoras T foram bastante reduzidas, uma situação perigosa, que também pode levar a uma doença autoimune.

Além disso, mais células imunes produtoras de anticorpos puderam ser detectadas no sangue dos convalescentes. Quanto mais alta a febre da pessoa afetada com um curso leve da doença, mais pronunciada foi a imunidade ao vírus.

“Nossas descobertas contribuem para um melhor entendimento da doença e nos ajudam no desenvolvimento de possíveis vacinas, já que agora podemos recorrer a biomarcadores promissores e fazer um monitoramento ainda melhor”, enfatizou a equipe de cientistas em seu artigo para a revista científica. “Agora sabemos que os linfócitos B e T são parâmetros importantes para avaliar as vacinas”, diz Pickl.

Acima de tudo, o estudo mostra que, com a ajuda conjunta de células imunológicas e anticorpos, o sistema autoimune humano tem uma estratégia de defesa contra uma doença. As células imunológicas também podem memorizar certos “movimentos” do vírus em sua “memória” e reagir a eles.

A tarefa agora é colocar essas descobertas em prática, que podem ajudar no tratamento de pacientes e no desenvolvimento de uma vacina.

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