Coronavírus coloca mulheres e crianças em risco ao prejudicar serviços de saúde

Arquivado em: Destaque do Dia, Saúde, Últimas Notícias, Vida & Estilo
Publicado quarta-feira, 24 de junho de 2020 as 13:31, por: CdB

Milhões de mulheres e crianças de países pobres estão em risco porque a pandemia de covid-19 está prejudicando os serviços de saúde de que dependem, dos cuidados pré e pós-natais às imunizações e aos métodos contraceptivos, alertou uma especialista de saúde global do Banco Mundial.

Por Redação, com Reuters – de Londres/Washington 

Milhões de mulheres e crianças de países pobres estão em risco porque a pandemia de covid-19 está prejudicando os serviços de saúde de que dependem, dos cuidados pré e pós-natais às imunizações e aos métodos contraceptivos, alertou uma especialista de saúde global do Banco Mundial.

Mulheres e crianças caminham para receberm ajuda alimentar em meio à pandemia de covid-19 em Pretoria, na África do Sul
Mulheres e crianças caminham para receberm ajuda alimentar em meio à pandemia de covid-19 em Pretoria, na África do Sul

Monique Vledder, chefe do secretariado da Linha de Financiamento Global do banco (GFF), disse à agência inglesa de notícias Reuters em uma entrevista que a agência está gravemente preocupada com o número de crianças que estão perdendo vacinações e de mulheres dando à luz sem ajuda médica e com a interrupção dos suprimentos de remédios que salvam vidas, como antibióticos.

– Estamos muito preocupados com o que está acontecendo, particularmente na África subsaariana – disse Vledder ao apresentar os resultados de um levantamento da GFF, um dos primeiros que procurou avaliar o impacto da covid-19 na saúde de mulheres e crianças.

– Muitos dos países em que trabalhamos são frágeis, e por isso, por definição, já têm situações muito desafiadores quando se trata de proporcionar serviços de saúde. Isto está piorando as coisas.

A partir do final de março, a GFF passou a realizar levantamentos mensais com autoridades locais de 36 países para monitorar o impacto da covid-19 em serviços de saúde essenciais para mulheres, crianças e adolescentes.

Ao compartilhar as conclusões dos levantamentos com a Reuters, a GFF disse que, das nações que deram informações, 87% disseram que a pandemia, o temor de infecções ou as medidas de isolamento concebidas para conter a disseminação do coronavírus prejudicaram a mão de obra de profissionais de saúde.

Medicamentos

Mais de três quartos dos países também relataram transtornos nos suprimentos de remédios cruciais para mães e bebês, como antibióticos para tratar infecções e ocitocina, um medicamento para evitar sangramento excessivo após o parto.

O número de nações da GFF que relataram transtornos nos serviços quase dobrou das 10 de abril para as 19 de junho, e o número das que relataram uma diminuição de pessoas buscando serviços de saúde essenciais saltou de 5 em abril para 22 em junho.

O declínio acelerado do acesso a suprimentos de saúde reprodutiva também é uma grande preocupação, acrescentou Vledder. A GFF estima que, se a situação não melhorar, até 26 milhões de mulheres podem perder o acesso a métodos contraceptivos nos 36 países, o que provocaria quase 8 milhões de gestações indesejadas.

Países em conflito

Grandes diferenças entre os números de casos de coronavírus entre mulheres e homens em partes da África e do Oriente Médio levam a crer que as mulheres podem estar com dificuldade para ter acesso a exames ou cuidados médicos, alertou uma agência humanitária nesta quarta-feira.

No Paquistão, Afeganistão e Iêmen, mais de 70% dos casos relatados são de homens, sendo que a média global é de 51%, e o mesmo ocorre na República Central Africana, Chade e Somália, disse o Comitê Internacional de Resgate (IRC).

– O que estamos vendo é uma situação na qual as mulheres podem estar sendo deixadas sem exames e sua saúde não estar sendo priorizada – disse Stacey Mearns, conselheira técnica sênior de saúde emergencial do IRC.

– Isto poderia ter ramificações graves em seu bem-estar físico.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) exorta os países a especificarem gênero e idade dos casos confirmados de covid-19 para poder analisar quem é mais afetado.

Menos da metade dos casos globais confirmados foi relatada com dados sobre gênero e idade, por isso qualquer interpretação sobre diferenças por gênero deveria ser feita com cautela, disse a OMS em maio.

Até esta semana, a doença já infectou cerca de 9 milhões de pessoas e matou quase meio milhão em todo o mundo, de acordo com uma contagem da Reuters.

Estudos na China, Europa e Estados Unidos mostraram que os homens têm mais probabilidade de serem hospitalizados e morrer de coronavírus do que as mulheres, mas não apontaram a disparidade de gênero em casos confirmados que provocou alerta no IRC.

Na maior parte da Europa, o número de casos é aproximadamente igual entre homens e mulheres.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *