Corrupção no governo Bolsonaro fica maior ou igual ao que existia no país

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Publicado segunda-feira, 30 de dezembro de 2019 as 13:10, por: CdB

O estudo revela que 12% consideram que a corrupção aumentou e 46% opinam que permaneceu igual durante o primeiro ano de governo de Jair Bolsonaro. Para 39,2%, a corrupção diminuiu e 2,8% não souberam opinar.

 

Por Redação – de São Paulo

 

A maioria dos brasileiros percebe que a corrupção no setor público ficou igual ao que existia, no país, ou aumentou durante o primeiro ano do governo de Jair Bolsonaro. Os dados constam de um levantamento feito pelo Instituto Paraná Pesquisas e divulgado nesta segunda-feira.

A corrupção tem aumentado durante o governo do presidente Bolsonaro, de acordo com pesquisa de opinião junto aos eleitores brasileiros

O estudo revela que 12% consideram que a corrupção aumentou e 46% opinam que permaneceu igual durante o primeiro ano de governo de Jair Bolsonaro. Para 39,2%, a corrupção diminuiu e 2,8% não souberam opinar.

A pesquisa utilizou uma amostra de 2.222 pessoas, distribuídas por sexo, faixa etária, escolaridade, nível econômico e posição geográfica. O levantamento de dados foi feito através de entrevistas telefônicas com habitantes com 16 anos ou mais em 26 Estados e Distrito Federal e em 166 municípios brasileiros entre os dias 14 a 18 de dezembro.

Violência

Em outro estudo, divulgado também nesta manhã, mostra que a maioria dos eleitores acredita que, para combater a violência, o governo deveria priorizar investimentos na geração de empregos e na melhoria da educação; e não especificamente na área da segurança, como no treinamento e na compra de equipamentos de policiais.

Na pesquisa do Datafolha, feita em dezembro deste ano, 57% dos entrevistados acreditam ser mais importante investir em áreas sociais do que na segurança. O investimento em polícias é mais importante para 41% . Outros 2% responderam que não sabem.

“Esse índice é alto mesmo entre quem apoia o presidente Jair Bolsonaro, que se elegeu com um discurso de endurecimento da segurança pública. Entre os que avaliam o governo com ótimo ou bom, 51% acreditam que se deve investir mais nas áreas sociais, e 47% acreditam que se deve investir mais em polícias”, afirma o texto referente ao estudo do DataFolha.

Segurança

O antropólogo Luiz Eduardo Soares, ex-secretário Nacional de Segurança Pública, em entrevista ao diário conservador paulistano Folha de S. Paulo (FSP), proprietária do DataFolha, afirma que uma série de fatores pode alterar essa percepção. Se houve um crime cruel e de grande repercussão, por exemplo, a tendência da sociedade é enfatizar aspectos repressivos, o que não acontece em outros momentos.

— Mas é uma constatação preciosa. A despeito de retóricas ideológicas e muito caricatas, que promovem identificações superficiais, há sempre espaço para argumentação, reflexão. Quando as questões sociais são tão graves e dramáticas, como são no Brasil, com desemprego tão grande, há evidência suficiente da origem dos problemas. As pessoas são capazes de tirar suas conclusões, entendendo como a crise social afeta comportamentos — afirmou Soares.

A socióloga Samira Bueno, diretora do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, também à FSP, afirma que a pesquisa mostra que “há uma consciência de que a desigualdade está diretamente vinculada à violência”.

— Não à toa, os territórios que concentram os maiores índices de violência são os de maior vulnerabilidade social — acrescentou.

“A avaliação de homens e mulheres sobre o tema não varia além da margem de erro. O que influencia mais essa percepção é idade, escolaridade e renda dos entrevistados. Em geral, quanto menor a faixa etária dos entrevistados, mais a percepção pende para a área social”, diz o jornal.

Homicídios

Renda e educação formal também pesam a balança: entrevistados mais pobres e menos escolarizados tendem a defender mais investimentos na polícia. Uma das poucas categorias em que há mais entrevistados que defendem que violência se resolve com policiamento é entre os brasileiros que estudaram só até o ensino fundamental.

Moradores de cidades do interior defendem mais investimento em polícias do que quem vive em capitais e cidades em regiões metropolitanas do país.

O Sudeste é a região em que menos se acredita que a solução da violência é investir na polícia: 35% dos entrevistados. Por outro lado, o Nordeste é a região com a maior taxa, 47%. Alguns dos estados brasileiros com as maiores índices de homicídio do país estão nessa região.

A pesquisa Datafolha mostra ainda que 72% da população brasileira diz ter medo de sair às ruas de suas cidades depois que anoitece. Do total, 50% afirmou ter muito medo, e 22% disse ter um pouco de medo. O índice é bem maior entre mulheres —grupo em que 79% dizem temer andar à noite. Entre os homens, esse índice é de 63%.

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