Críticas de Padilha a Sérgio Moro abrem fissuras no campo da direita

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Publicado terça-feira, 16 de abril de 2019 as 13:40, por: CdB

Em artigo publicado nesta terça-feira, o diretor da franquia Tropa de Elite, José Padilha, diz se arrepender do apoio ao então juiz Sérgio Moro.

 

Por Redação – do Rio de Janeiro

 

As fissuras no campo da direita aumentaram, nesta terça-feira, com a divulgação de uma severa crítica ao então juiz Sérgio Moro, ora ministro da Justiça, por um dos principais defensores do então candidato, hoje presidente, Jair Bolsonaro (PSL). O cineasta e diretor do filme Tropa de Elite e da série O Mecanismo, José Padilha, publicou artigo em um dos diários conservadores paulistanos no qual admite que errou ao apoiar Moro e o papel de desempenhou na Operação Lava Jato.

Padilha, diretor da franquia Tropa de Elite, prestou serviço relevante à candidatura de Bolsonaro
Padilha, diretor da franquia Tropa de Elite, prestou serviço relevante à candidatura de Bolsonaro

“Ora, o leitor sabe que sempre apoiei a operação Lava Jato e que chamei Sergio Moro de ‘samurai ronin’, numa alusão à independência política que, acreditava eu, balizava a sua conduta. Pois bem, quero reconhecer o erro que cometi”, lamenta Padilha. O cineasta aponta a existência de um conluio entre o ex-magistrado e as milícias que atuam nos bairros periféricos do Rio de Janeiro.

“Digo isso porque não há outra explicação: Sergio Moro finge não saber o que é milícia porque perdeu sua independência e hoje trabalha para a família Bolsonaro”, acusa. Padilha classifica a proposta chamada ‘Lei anticrime’, levada por Moro ao Congresso, “pacote pró-milícia”.

‘Kit bandido’

O diretor lista, em seguida, as razões que levaram Padilha a acreditar que as medidas facilitarão a violência policial, em uma linha de apoio às milícias.

Padilha cita, pontualmente, o excludente de ilicitude, avaliado por parlamentares da oposição como uma licença prévia para que policiais matem quem bem entender.

“O hábito que os policiais milicianos têm de plantar armas e drogas nos corpos de suas vítimas para justificar execuções é tão usual que deu origem a um jargão: todo bom miliciano carrega consigo um ‘kit bandido’. Aprovado o pacote de Moro, nem de ‘kit bandido’ os milicianos precisarão mais”, revela.

‘Pró-máfia’

Ainda segundo Padilha, “o juiz Giovanni Falcone, em quem o ministro diz se inspirar, foi morto aos 53 anos de idade na explosão de uma bomba colocada pela máfia em uma estrada”. Porém, ao lado de Bolsonaro, Moro se coloca como um “anti-Falcone”.

“Seu pacote anticorrupção é, também, um pacote pró-máfia”, conclui.

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