Déficit fiscal piora muito e BC espera não precisar de novo corte nos juros

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Publicado sexta-feira, 4 de setembro de 2020 as 19:36, por: CdB

No fim de julho, o déficit do governo central havia sido estimado em R$ 787,4 bilhões, ou 11% do PIB. Somente com o auxílio emergencial neste ano, o governo estimou um custo total de R$ 321,8 bilhões, contra R$ 254,2 bilhões antes. Para o setor público, a conta foi a agora a um déficit primário de R$ 891,1 bilhões, ou 12,4% do PIB, ante R$ 812,2 bilhões (11,3% do PIB) na projeção anterior.

Por Redação – de Brasília

O Ministério da Economia atualizou, nesta sexta-feira, suas projeções fiscais para 2020, e piorou substancialmente o rombo primário estimado para o governo central. O déficit chega a R$ 866,4 bilhões, ou 12,1% do Produto Interno Bruto (PIB), após incorporar um impacto de R$ 67,6 bilhões pela extensão do auxílio emergencial, até dezembro.

O Banco Central avalia os riscos econômicos e espera não precisar de um novo corte nos juros, embora a crise tenha ficado ainda mais grave

No fim de julho, o déficit do governo central havia sido estimado em R$ 787,4 bilhões, ou 11% do PIB. Somente com o auxílio emergencial neste ano, o governo estimou um custo total de R$ 321,8 bilhões, contra R$ 254,2 bilhões antes. Para o setor público, a conta foi a agora a um déficit primário de R$ 891,1 bilhões, ou 12,4% do PIB, ante R$ 812,2 bilhões (11,3% do PIB) na projeção anterior.

Diante do quadro fiscal ainda mais grave, o Banco Central (BC) advertiu que somente promoverá novo corte de juros depois de avaliar que o sistema financeiro está bem adaptado ao cenário de juros baixos. A afirmação é do diretor de Política Econômica da autarquia, Fabio Kanczuk, nesta sexta-feira. Ele frisou que a decisão era, antes de tudo, cautelosa.

— O comitê tem que ter a confiança de que o sistema financeiro já está adaptado à nova situação de juros bem mais baixos, então está parando para observar, notar que tudo está funcionando de forma sólida — afirmou, ao ser questionado sobre o que determinaria uma nova redução da Selic, hoje em 2%.

Conservadorismo

Kanczuk frisou que a autoridade monetária tem acompanhado o funcionamento do sistema financeiro de perto e não detectou qualquer problema. Mas entende que deve atuar com cuidado, diante das implicações do novo patamar de juros baixos para os produtos de investimento e o setor financeiro como um todo.

— É mais uma questão de cautela, de conservadorismo, a gente prefere ir devagar mesmo. Pode ter queda de juros? Pode. É provável? Não. A gente também colocou isso na ata (da última reunião do Copom), a barra para queda de juros é muito mais alta do que era antes, por questões prudenciais — acrescentou.

O diretor também afirmou que o BC somente avaliaria recorrer à compra de títulos (quantitative easing) em caso de disfuncionalidade do mercado. Ele não vê a alternativa, já autorizada pelo Congresso, como um instrumento de política monetária para estimular a economia.

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