Delator da Lava Jato é encontrado morto no Rio de Janeiro

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Publicado quarta-feira, 18 de setembro de 2019 as 15:44, por: CdB

Henrique Valladares acusou o deputado Aécio Neves e mais três pessoas de receberem propina de empreiteira.

Por Redação – do Rio de Janeiro

O executivo da Odebrecht, Henrique Valladares, foi encontrado morto na terça-feira no Rio de Janeiro. Valladares, em delação premiada na Lava Jato, acusou o deputado federal Aécio Neves (PSDB-MG), o partido, o ex-ministro Edison Lobão, o jornalista Diego Mainardi e o empresário Alexandre Accioly, dono das academias BodyTech, de terem recebido propina da empreiteira. A informação é do colunista Lauro Jardim, do diário carioca O Globo.

Henrique Valladares acusou o deputado Aécio Neves e mais três pessoas de receberem propina de empreiteira

A causa da morte de Henrique Valladares não foi informada. Nos documentos apensados pela Procuradoria-Geral da República (PGR) e a Polícia Federal (PF), encontraram-se indícios de que Aécio Neves recebeu propina para atuar em nome de empreiteiras na construção da Usina de Santo Antônio, no Rio Madeira, em Rondônia. Segundo executivos da Odebrecht, o total repassado a Aécio chega aos R$ 50 milhões.

Na época,a Odebrecht apresentou extratos bancários que comprovariam depósitos ao senador tucano, em uma conta offshore, em Cingapura. A ligação fora citada por um de seus ex-executivos, Henrique Valladares, à PGR. A conta está vinculada ao empresário Accioly, segundo Valladares.

Em 2017, Alexandre Accioly divulgou uma nota oficial dizendo: “Afirmo com serenidade que ficará cabalmente comprovado, conforme já explicado, que não sou nem nunca fui titular ou beneficiário de conta ou estrutura financeira em Cingapura. De forma mais ampla, reafirmo que nunca recebi depósito em favor de terceiros em conta alguma no Brasil, em Cingapura ou outra localidade”.

O executivo ainda delatou lideranças indígenas e membros da CUT.

Aécio e Caixa 2

Neste ano, uma manifestação encaminhada ao Supremo Tribunal Federal (STF), a procuradora-geral da República, Raquel Dodge, pediu o arquivamento das investigações de suposto caixa 2 envolvendo o deputado federal Aécio Neves (PSDB-MG). Ela apontou a necessidade de envio do restante da apuração (sobre corrupção e lavagem de dinheiro) à Justiça Federal de Minas Gerais.

De acordo com delatores da Odebrecht, o então senador teria solicitado na campanha de 2014 um valor de R$ 6 milhões em doações em benefício dele e de aliados políticos.

Na avaliação de Raquel Dodge, o conjunto de provas coletadas até aqui “é bastante consistente e aponta para a prática, em tese, de crimes de corrupção ativa e passiva qualificadas, de lavagem de dinheiro e organização criminosa”.

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