Denúncia quanto à exportação de madeira ilegal da Amazônia cai no vazio dos BRICS

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Publicado terça-feira, 17 de novembro de 2020 as 16:35, por: CdB

Embora seja inócua, a ação prometida pelo governo brasileiro tem potencial para abrir outra crise diplomática com países com quem o Brasil já desenvolveu uma relação difícil pelas críticas ao aumento do desmatamento e das queimadas na Amazônia. Entre eles a França, a Alemanha e os países nórdicos.

Por Redação – de Brasília

A denúncia do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) em seu discurso na abertura da Cúpula do Brics — grupo formado por Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul — para afirmar que nos próximos dias irá revelar quais países estariam importando madeira ilegal da Amazônia e contribuindo para o desmatamento da floresta, caiu no vazio. Analistas políticos ouvidos pela reportagem do Correio do Brasil ressaltam que essa lista é inócua, se não revelar quem desmata, transporta, embarca e recebe o dinheiro proveniente da transação ilegal.

Garoto empina pipa ao lado de madeira extraída da Amazônia no Pará
Garoto empina pipa ao lado de madeira extraída ilegalmente da Amazônia, no Pará, onde atuam aliados do presidente Jair Bolsonaro (sem partido)

— A responsabilidade do Brasil está em coibir a prática do desmatamento e das queimadas criminosas no bioma amazônico. O fato, no entanto, é que os culpados por derrubar e vender madeira de lei brasileira são, em sua maioria, eleitores de Bolsonaro. Logo, ele não pretende atuar contra seu patrimônio político, portanto, tenta lançar uma cortina de fumaça sobre o assunto, principalmente nos BRICS, que têm nada a ver com isso — disse ao CdB, por telefone, um assessor da Confederação Nacional da Indústria (CNI), que prefere manter o anonimato.

Crise internacional

Segundo Bolsonaro, boa parte dos países que criticam o Brasil pelo desmatamento da Amazônia fazem parte dessa lista que importa ilegalmente madeira brasileira.

— Estaremos revelando nos próximos dias países que têm importado madeira ilegal da nossa Amazônia. E alguns desses países têm sido severos críticos ao meu governo no tocante a essa região amazônica. Creio que depois dessa manifestação, que interessa a todos, porque não dizer ao mundo, essa prática diminuirá muito nessa região — continuou.

Embora seja inócua, a ação prometida pelo governo brasileiro tem potencial para abrir outra crise diplomática com países com quem o Brasil já desenvolveu uma relação difícil pelas críticas ao aumento do desmatamento e das queimadas na Amazônia. Na semana que vem, Bolsonaro participa de outra encontro com chefes de Estado, a Cúpula do G20, que também acontecerá online.

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