Diálogos inéditos de Lula reforçam tese de conluio entre Moro e procuradores

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Publicado domingo, 8 de setembro de 2019 as 18:21, por: CdB

Moro divulgou áudio com uma conversa entre a então presidenta da República Dilma Rousseff e Lula. O telefonema serviu como base à época para decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF)  Gilmar Mendes, de suspender a nomeação de Lula como ministro-chefe da Casa Civil.

 

Por Redação, com RBA – de São Paulo

Conversas gravadas do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva contrariam a hipótese de obstrução de Justiça, adotada pelo então juiz Sergio Moro para divulgar os grampos que  permaneceram em sigilo de Justiça, até agora. É o que aponta o conteúdo obtido pela agência norte-americana de notícias Intercept Brasil, liberado para o diário conservador paulistano Folha de S. Paulo, neste domingo.

O ex-juiz Sergio Moro teria usado um argumento falso para se livrar de um processo, no Supremo Tribunal Federal

Moro divulgou áudio com uma conversa entre a então presidenta da República Dilma Rousseff e Lula. O telefonema serviu como base à época para decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF)  Gilmar Mendes, de suspender a nomeação de Lula como ministro-chefe da Casa Civil. O hoje ministro da Justiça e Segurança Pública teria incorrido, assim, em uma falta grave, segundo o código de conduta da magistratura.

Temer

A Lava Jato adotou a narrativa de que o telefonema mostraria que a posse do ex-presidente tinha como objetivo travar as investigações sobre ele, transferindo a responsabilidade pelo seu caso de Curitiba para o STF. A interpretação foi encampada de forma acrítica pela mídia tradicional.

As conversas no Telegram entre membros da força-tarefa mostram que outros diálogos desmentiam essa tese, com Lula afirmando que sua entrada no governo se destinaria a salvar o governo em crise. São diversas anotações realizadas pela Polícia Federal, entre elas conversas em que Lula buscava uma reaproximação com Temer e o MDB, acenos recebidos pelo vice-presidente em dois telefonemas.

Ainda que os registros mostrem os policiais atentos a todas as conversas do ex-presidente, a conversa entre Dilma e Lula foi a única anexada pela PF aos autos da investigação antes que Moro determinasse o levantamento do sigilo do processo.

Convite

A força-tarefa soube uma semana antes da oficialização a respeito do convite feito por Dilma a Lula e em diversas ocasiões o ex-presidente expressou não estar certo sobre a decisão de assumir o ministério. No dia 9 de março, o agente Rodrigo Prado ouviu Lula confirmar o convite, numa conversa com o ex-ministro Gilberto Carvalho.

O áudio anexado aos autos pela PF mais tarde mostra que o ex-presidente temia que sua ida para o governo fosse associada a uma tentativa de escapar da Lava Jato.

Após a nomeação, Lula conversou com sua assessora Clara Ant e, segundo as anotações feitas pelos agentes, ele indicou que estava desconfortável com a situação após a nomeação.

“Diz que acabou de se f…. LILS diz que ficaram discutindo até meia-noite. LILS tem mais incerteza do que certeza. LILS diz que não tem como escapar ‘dela’”, resumiu o agente que estava na escuta, identificando o ex-presidente pelas iniciais de seu nome completo. Ao longo do primeiro ano de governo da presidenta cassada, Lula discordou de medidas adotadas pela sucessora, nos campos político e econômico.

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