Dirceu diz que neofascista Jair Bolsonaro teme ‘uma revolta popular’

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Publicado terça-feira, 3 de dezembro de 2019 as 16:04, por: CdB

Dirceu, que deixou a prisão em novembro, acrescentou que “ao ameaçar o país com um novo AI-5, o governo revela seu medo de uma revolta popular e expõe sua face autoritária e antidemocrática. Um espectro ronda as noites: o povo rebelado e insubmisso – e a saída militar, a ditadura”, continua.

 

Por Redação – de Brasília

 

Ex-ministro-chefe da Casa Civil, no primeiro governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o militante petista José Dirceu, na estreia de sua coluna em um diário brasiliense, afirma ser grave “o papel exercido pelos militares, que não escondem seu apoio a dois eixos principais da política de Bolsonaro: o alinhamento total à hegemonia e política externa norte-americana e a radical política liberal e de mercado de Guedes”.

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Dirceu se mostra resiliente e mantém o tom desafiador ao governo do presidente Bolsonaro

Dirceu, que deixou a prisão em novembro, acrescentou que “ao ameaçar o país com um novo AI-5, o governo revela seu medo de uma revolta popular e expõe sua face autoritária e antidemocrática. Um espectro ronda as noites: o povo rebelado e insubmisso – e a saída militar, a ditadura”, continua.

No artigo, Dirceu destaca que “chegaram ao ponto de em entrevistas ou no Twitter mandarem recados aos poderes constituídos, Legislativo e Judiciário, para endossar por vias indiretas – ou abertamente, como fez o superministro – a tutela militar ou senão simplesmente a ditadura via um novo AI 5”.

Ordem social

“Bolsonaro aos poucos propõe mudanças legais, que, na prática, legalizariam uma ditadura, como o uso sem embasamento constitucional das chamadas Operações de Garantia da Lei e da Ordem (GLO)e a exclusão de ilicitude”, acrescenta.

Os fatos recentes no Equador, no Peru, no Chile, na Bolívia e na Colômbia, segundo o analista político, “nos remetem de novo ao militarismo, e as fotos não mentem: as forças armadas desses países, com exceção da Colômbia, voltaram ou reafirmaram seu papel de tutela sobre o sistema político, com o agravante de mantenedoras da ordem social e econômica mesmo às custas da democracia, apesar de as Constituições proibirem expressamente qualquer papel político para aqueles aos quais a nação entregou sua defesa em armas”.

“Em todas as fotos atrás do presidente, seja ele Lenin Moreno, o traidor; Vizcarra que dissolveu o parlamento – de acordo com a Constituição, mas alegou ter o apoio dos “mandos” militares; ou Piñera, estavam os três comandantes das três armas. Na Bolívia, os militares e a polícia simplesmente exigiram a renúncia do presidente. A exceção por enquanto vem da Colômbia, onde um governo de direita é repudiado em manifestações pela maioria da população, e perdeu a eleição na capital, Bogotá”, ressalta.

Espectro

Ainda segundo o ex-ministro, “a oposição liberal vacila e, comprometida com a pauta neoliberal, busca desesperadamente uma saída sem Bolsonaro, cala-se frente à tutela militar, mas seu verdadeiro temor é Lula, o PT e a oposição de esquerda. O presidente agride e repudia (começando pela Globo e pela Folha), avança em sua política autoritária, fundamentalista, religiosa e reacionária e se prepara para a reeleição”.

“Um espectro ronda as noites: o povo rebelado e insubmisso – e a saída militar, a ditadura. As esquerdas e a oposição popular têm um desafio, decifrar essa esfinge. Tema de nosso próximo artigo”, promete.

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