Dirigente do MST responde aos ataques de Bolsonaro contra sem-terra

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Publicado terça-feira, 6 de outubro de 2020 as 18:06, por: CdB

A “indireta” desta segunda-feira foi direcionada aos trabalhadores sem-terra que lutam pela reforma agrária. O ex-capitão, expulso do exército, publicou um vídeo no qual aparecem manifestantes encapuzados em um protesto por acesso à terra.

Por Redação, com BdF – de São Paulo

O diretor nacional do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), João Paulo Rodrigues, respondeu a ataque do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) e seus seguidores pelo Twitter nesta segunda-feira.

— Terrorismo é o que seu governo faz! Libera porte de arma, deixa o povo passar fome e o pantanal pegar fogo. Diz que a covid-19 é gripezinha — comparou o Rodrigues.

O líder sem-terra João Paulo Rodrigues fez críticas ao mandatário neofascista
O líder sem-terra João Paulo Rodrigues fez críticas ao mandatário neofascista

Bolsonaro utilizou mais uma vez a rede social para insuflar seus seguidores contra a atuação de movimentos sociais, especialmente o MST.

A “indireta” desta segunda-feira foi direcionada aos trabalhadores sem-terra que lutam pela reforma agrária. O ex-capitão postou um vídeo no qual aparecem manifestantes encapuzados em um protesto por acesso à terra. Ao fundo, ouvem-se rojões e disparos. Uma voz, que parece ser a de um dos policiais que filma os militantes, menciona os disparos e afirma não ter clareza de onde vêm.

— Tenho minha opinião, qual a sua? — disparou o presidente.

Bolsonaristas de plantão aproveitaram o post do presidente da República para publicar, em peso, ofensas ao MST. “Terroristas”, afirmaram muitos.

Ruralistas

A posição de Bolsonaro sobre os movimentos sociais é conhecida, especialmente sobre o MST. 

— A propriedade privada é sagrada. Temos que tipificar como terroristas. Invadiu? É chumbo — disse ainda em 2018, antes de ser eleito.

Desde que tomou posse como presidente da República, Bolsonaro trabalha para desmontar o processo de reforma agrária no Brasil. A proposta de orçamento do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) em 2021, enviada por Bolsonaro ao Congresso Nacional, tem uma elevação de 4%, em relação ao aprovado para 2020 — de R$ 3,3 bilhões para R$ 3,4 bilhões.

No entanto, R$ 2,1 bilhões (66%) foram reservados para o pagamento de precatórios. Esses títulos tratam de dívidas com fazendeiros que conseguiram na Justiça elevar o valor de indenização por terras desapropriadas por improdutividade. Ou seja, para os ruralistas o aumento foi de 22% em relação ao orçamento deste ano.

Alimentos

O MST defende a função social da terra e da propriedade, luta por acesso e trabalho, especialmente em terras improdutivas, utilizadas muitas vezes por grileiros e pela especulação. Nas terras do MST, atacado por Bolsonaro, são produzidas toneladas de alimentos orgânicos, livre de agrotóxicos. “Reforma Agrária se resolve com terra e não com criminalização dos movimentos populares”, destacou João Paulo.

Organizado em 24 estados nas cinco regiões do país, o MST atua ao lado de cerca de 350 mil família. Elas conquistaram a terra por meio da luta e da organização dos trabalhadores rurais. Mesmo depois de assentadas, estas famílias permanecem organizadas no MST, pois a conquista da terra é apenas o primeiro passo para a realização da Reforma Agrária.

O movimento é também reconhecido internacionalmente, tanto por seu trabalho com a agroecologia, como com a educação de crianças, jovens e adultos.

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