Distrito Federal privatiza distribuidora de energia para a espanhola Iberdrola

Arquivado em: Destaque do Dia, Energia, Últimas Notícias
Publicado sexta-feira, 4 de dezembro de 2020 as 13:29, por: CdB

O grupo vencedor teve uma disputa acirrada com a CPFL, controlada pela chinesa State Grid, que chegou a fazer uma proposta de R$ 2,508 bilhões. A CPFL havia mostrado interesse anteriormente na CEB, assim como pela gaúcha CEEE-D, que também está em processo de privatização.

Por Redação, com Reuters – de Brasília

A distribuidora de energia da CEB , que atua no Distrito Federal, foi privatizada nesta sexta-feira com um lance de R$ 2,515 bilhões da Bahia Geração de Energia, uma empresa do grupo Neoenergia, controlada pela espanhola Iberdrola. O certame foi marcado por um ágio de 76,63%, de acordo com dados da B3, que realizou o evento. O preço mínimo por 100% do ativo era de aproximadamente R$ 1,4 bilhão.

Diretores da Neoenergia, que comemoraram o ingresso da empresa na B3, voltaram a brindar o sucesso no leilão da noite passada
Diretores da Neoenergia, que comemoraram o ingresso da empresa na B3, voltaram a brindar o sucesso do leilão em que arremataram a CEB, na noite passada

O grupo vencedor teve uma disputa acirrada com a CPFL, controlada pela chinesa State Grid, que chegou a fazer uma proposta de R$ 2,508 bilhões. A CPFL havia mostrado interesse anteriormente na CEB, assim como pela gaúcha CEEE-D, que também está em processo de privatização.

O grupo Equatorial chegou a fazer uma oferta inicial de R$ 1,485 bilhões no início, mas não avançou na disputa do leilão viva-voz, que teve mais de dez ofertas de CPFL e Bahia Geração de Energia.

Concessão

A aprovação da venda da unidade de distribuição pelos acionistas da Companhia Energética de Brasília (CEB) ocorreu em meio a riscos de a empresa perder a concessão para prestação de serviços, uma vez que não tem cumprido metas estabelecidas pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) para qualidade do atendimento e equilíbrio econômico-financeiro das operações.

Havia risco de a reguladora abrir processo de caducidade da concessão, o que poderia levar o Distrito Federal a desembolsar cerca de R$ 1 bilhão para liquidar a CEB-D, por custos com funcionários e pagamentos de dívidas.

Presente no leilão, o presidente do BNDES, Gustavo Montezano, disse que a privatização da CEB-D é “um marco histórico”, pois vai gerar obras e investimentos no Distrito Federal, além de aliviar o caixa do Estado.

Em juízo

A venda da CEB-D mostra a “magia da desestatização”, disse o presidente do banco que assessorou o processo. Ele ressaltou que a privatização vai trazer R$ 5 bilhões em investimentos para a região.

Disse ainda que a transação é mais uma etapa de privatizações em andamento no Brasil, que envolverão ativos de elétrica no Rio Grande do Sul, além de saneamento e rodovias.

O leilão foi realizado apesar de uma decisão judicial no final da noite de quinta-feira, que suspendeu a deliberação tomada na 103ª Assembleia-Geral Extraordinária da CEB, que autorizou a alienação da CEB-D sem prévia legislação autorizativa, conforme documento ao qual a agência inglesa de notícias Reuters teve acesso. Procurada, a B3 não comentou o assunto, imediatamente.