Donald Trump sugere que congressistas ‘extremistas’ deixem os EUA

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Publicado quinta-feira, 18 de julho de 2019 as 12:00, por: CdB

Em evento de campanha, presidente menospreza críticas após seus comentários sobre democratas considerados racistas. Ele ataca particularmente Ilhan Omar, de origem somaliana, em meio ao coro de “enviem-na de volta”.

Por Redação, com DW e Reuters – de Washington

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, elevou o tom de suas críticas a quatro congressistas liberais do Partido Democrata, menosprezando a repercussão negativa da série de comentários considerados racistas feitos por ele nos últimos dias.

O presidente Donald Trump durante evento de campanha no estado da Carolina do Norte

No último domingo, Trump disse através do Twitter que as congressistas teriam vindo de lugares onde os governos seriam “os piores, os mais corruptos e ineptos em qualquer parte do mundo” e que elas deveriam voltar a esses países.

Ele se referia a um grupo de democratas que estreou na Câmara dos Representantes na atual legislatura. O grupo, apelidado de “o esquadrão”, é formado por Alexandria Ocasio-Cortez, eleita por Nova York, Ilhan Omar, de Minnesota, Rashida Tlaib, do Michigan, e Ayanna Pressley, de Massachusetts.

Na quarta-feira, o presidente, em evento de campanha na Carolina do Norte, criticou as congressistas uma a uma e as qualificou de extremistas, renovando a sugestão para que elas deixem o país, enquanto a plateia apoiava e aplaudia suas declarações.

– Essas congressistas, seus comentários estão ajudando a alimentar a ascensão de uma perigosa esquerda militante”, disse o republicano. “Tenho uma sugestão para as extremistas cheias de ódio que constantemente tentam dividir nosso país. Elas nunca têm nada de bom para dizer (…) Sabe o quê? Se não amam (o país), diga a elas para deixá-lo.

O presidente discorreu sobre uma série de comentários feitos pelas quatro mulheres que ele considera ofensivos, como o fato de Tlaib ter se referido a ele com um palavrão. Mas, as maiores críticas foram reservadas a Omar, que chegou aos EUA da Somália como refugiada ainda quando criança.

Reclamações

A congressista foi alvo de uma série de reclamações por parte de Trump, culminando na falsa acusação de que ela teria expressado admiração pelo grupo terrorista Al Qaeda. Foi o bastante para que a plateia iniciasse um coro com as palavras send her back (“enviem-na de volta” ao seu país de origem).

O cântico se assemelha à frase lock her up (“prendam-na”) entoada nos comícios de campanha de Trump na campanha para as eleições de 2016, que pedia a prisão de sua adversária, a candidata democrata Hillary Clinton.

As quatro congressistas retratam Trump como alguém que tem o objetivo de vilificar não apenas os migrantes, mas também as pessoas de cor.

Pré-candidatos democratas, que disputam a indicação do partido para concorrer à presidência, saíram em defesa das congressistas.

– Esses membros do Congresso, filhas de imigrantes, assim como muitos de nós, são um exemplo exato do que faz a América grande – disse o ex-vice-presidente Joe Biden, o favorito à nomeação do partido.

O também pré-candidato Beto O’Rourke disse que as frases entoadas pela plateia durante o discurso de Trump seriam “produto de um presidente que vê nossa diversidade não como um ponto forte, mas como uma fraqueza”.

O senador Bernie Sanders, acusou Trump de “insuflar as correntes mais desprezíveis e perturbadoras de nossa sociedade”. A também senadora Kamala Harris disse que o comportamento do presidente foi “vil, covarde e racista”. Elizabeth Warren pediu o impeachment de Trump.

Na terça-feira, deputados da Câmara dos EUA aprovaram uma moção de repúdio a Trump por causa da série de comentários racistas que o presidente fez pelo Twitter.

Impeachment

A Câmara dos Deputados dos Estados Unidos votou nesta quarta-feira para efetivamente derrubar por ora uma resolução de impeachment contra o presidente norte-americano, Donald Trump, mas sem enterrar a questão que tem dividido democratas.

Câmara dos EUA derruba por ora resolução de impeachment contra Trump

O autor da resolução, o deputado democrata Al Green, buscava capitalizar sobre a crescente crítica contra Trump após os ataques recentes que ele fez a deputadas democratas que pertencem a minorias.

A Câmara votou por 332 votos a 95 para derrubar a medida.

Green já tinha fracassado duas vezes na tentativa de aprovar uma resolução de impeachment, mas a desta quarta marcou a primeira vez que a Câmara tratou dessa questão desde que os democratas assumiram a maioria na Casa, neste ano.

Com a votação, a presidente da Câmara, Nancy Pelosi, teve novamente de arbitrar um conflito entre seus colegas de Partido Democrata, desta vez a discussão sobre a resolução de impeachment contra Trump.

Processo

Pelosi há muito tempo tenta evitar que democratas iniciem um processo de impeachment contra Trump, aguardando um resultado de uma investigação do Comitê Judiciário da Câmara sobre se Trump teria conspirado com a Rússia no caso das interferências nas eleições presidenciais de 2016 e cometido obstrução de Justiça na investigação do procurador especial Robert Mueller sobre o assunto.

Perguntada por jornalistas no Capitólio na manhã de quarta-feira se ela apoiava a resolução de Green, Pelosi disse: “Não, eu não apoio…  Minha posição te surpreende?”.

James Clyburn, o Democrata número 3 da Câmara e um importante aliado de Pelosi, disse que preferia que a resolução fosse engavetada. “Eu não acho que estamos prontos para debater isso no momento”, disse.

Clyburn acrescentou que parte do motivo para isso era que Mueller deve depor ao Congresso na semana que vem.

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