Eleição de 2020 é um caminho de pedras afiadas

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Publicado domingo, 27 de setembro de 2020 as 17:01, por: CdB

Ainda temos os esforços das redes de televisão para não realizar debates amplos no primeiro turno, com a clara intenção de excluir os candidatos mais fortes das esquerdas e preservar seus candidatos de direita e ultradireita dos inevitáveis desgastes desses confrontos verbais.

Começou oficialmente, neste domingo, a campanha eleitoral mais atípica que o Brasil já teve, decorrente principalmente das limitações impostas pelos riscos de contaminação do coronavírus, que continua forte e matando o nosso povo. Vai ser uma campanha muito curta, com corpo a corpo bastante prejudicado e com elevadíssima abstenção, somando aí os efeitos da criminalização da política com o medo da pandemia.

Além disso, ainda temos os esforços das redes de televisão para não realizar debates amplos no primeiro turno, com a clara intenção de excluir os candidatos mais fortes das esquerdas e preservar seus candidatos de direita e ultradireita dos inevitáveis desgastes desses confrontos verbais.

O Estado reacionário profundo do Brasil é o que chamamos de Casa Grande das elites econômicas, no momento, composto politicamente pela ultra-direita, que controla o governo federal e pela direita liberal, que conta com a Rede Globo e muitos governadores e candidatos a prefeitos das capitais.

Prisão ilegal

Manuela D'Ávila recebeu telefonema de hacker que denunciou Sérgio Moro
Manuela D’Ávila lidera as intenções de voto, na capital gaúcha, com apoio dos partidos de esquerda

É esse Estado reacionário profundo que tenta, mais uma vez, controlar a disputa eleitoral para mantê-lo dentro dos seus estreitíssimos limites de classe dominante. Em seu conjunto, essas forças não pretendem cometer mais o erro dos tucanos que, por “excesso de zelo democrático”, permitiram no passado a eleição para a presidência da República de um operário e de uma mulher de esquerda.

Mas, claro, esses são os desejos explícitos das forças reacionárias e fascistas, desejos que em parte conseguiram realizar com o golpe do impeachment e o impedimento de Lula candidato por conta de uma condenação forjada e uma prisão ilegal.

Mas uma réstia de sol consegue, teimosamente, penetrar nesse escuro e mofado corredor de morte da democracia popular e vemos, no duro garimpo da renovação eleitoral da esquerda, vários diamantes ainda “brutos” sendo lapidados para liderar o povo brasileiro nas batalhas futuras. O crescimento de Boulos em São Paulo e a ascensão de Marília Arraes, em Recife e Manuela d’Ávila, em Porto Alegre apontam nessa direção.

Sustentabilidade

Haddad, Boulos e Dino representam a vanguarda da renovação da esquerda, seguidos por Marília Arraes e Manuela d’Ávila. Isso para citar apenas o campo da esquerda definida, mas na raia do centro-esquerda tem muitos nomes se destacando. No Estado do Rio de Janeiro um desses nomes é o do prefeito de Niterói, o ex-petista Rodrigo Neves.

O Estado reacionário profundo pode muito, mas não pode tudo! Foi assim no passado, com a ditadura militar e depois com a democracia “restrita” em que vigorou na hegemonia tucana (pensada para durar 20 anos) e certamente também será derrotado em sua forma atual, o regime neofascista de Bolsonaro – um governo sem sustentabilidade econômica, social, ambiental e genocida, pelo seu descaso com a pandemia. 

A falta de sustentabilidade geral pode se estender mais rapidamente para o campo político se Trump, o padrinho de Bolsonaro, for derrotado em novembro próximo.

Val Carvalho é articulista do Correio do Brasil.

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