Entre um biscoito e outro

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Publicado terça-feira, 20 de fevereiro de 2018 as 09:34, por: CdB

É preciso saudar enfaticamente a vitória dos metalúrgicos alemães do Estado de Baden-Wuerttemberg, organizados pelo poderoso sindicato IG Metall, que após uma semana de greves conseguiram uma forte redução da jornada de trabalho, de 35 para 28 horas semanais e um aumento de salário de 4,3% (o acordo é válido por um ano para todos os trabalhadores e contém cláusulas a serem negociadas)

Por João Guilherme Vargas Netto – de São Paulo:

Esta vitória acontece depois de duas décadas em que o sindicalismo alemão sofreu a regionalização das negociações salarias com a BDI, a confederação dos patrões.

É preciso saudar enfaticamente a vitória dos metalúrgicos alemães do Estado de Baden-Wuerttemberg

A regionalização desorganizou as negociações nacionais (vigentes desde sempre) e introduziu a flexibilização dos acordos; o que foi lesivo para os trabalhadores até mesmo quanto à redução efetiva das jornadas.

Agora, com o novo acordo regional em um dos Estados mais importantes da Alemanha; espera-se uma onda que se propague em todos os outros estados federados e até mesmo em toda a União Europeia; abrindo um ciclo novo de redução das jornadas com ganhos salariais.

FGV

Se isto acontecer a tabela mundial hierarquizada de 68 países em que se relaciona a duração média das jornadas anuais trabalhadas; com a produtividade feita pela FGV e publicada pelo diário conservador carioca O Globo em 15 de fevereiro (matéria assinada por Daiane Costa); deve sofrer mudanças, principalmente no topo.

Na tabela constata-se uma forte correlação entre jornadas menores e maiores produtividades o que; mesmo levando-se em conta eventuais críticas ao método aplicado, confirma a tese dos sindicatos de; que a redução da jornada sem redução dos salários aumenta a produtividade.

Mesmo sabendo que o conceito de produtividade (e sua medida) é objeto de discórdia; entre os economistas e um pântano teórico impõe-se aqui o dilema Tostines: jornadas menores garantem produtividades maiores; ou produtividades maiores permitem jornadas menores?

Entre um biscoito e outro fica a lição: na aspiração produtivista brasileira de aumento da produtividade o movimento sindical deve lutar pela redução constitucional da jornada; um passo seguro confirmado pela experiência dos trabalhadores e das economias mais desenvolvidas.

João Guilherme Vargas Netto, é consultor sindical de diversas entidades de trabalhadores em São Paulo.

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