Erdogan defende ofensiva na Síria após receber críticas

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Publicado quinta-feira, 10 de outubro de 2019 as 09:42, por: CdB

O presidente turco, Tayyip Erdogan, defendeu nesta quinta-feira a incursão de forças da Turquia na Síria após uma onda de críticas internacionais.

Por Redação, com Reuters – de Ancara

O presidente turco, Tayyip Erdogan, defendeu nesta quinta-feira a incursão de forças da Turquia na Síria após uma onda de críticas internacionais, dizendo que a operação militar reforçará a integridade territorial da Síria ao confrontar o controle curdo do nordeste do país.

Fumaça vista do vilarejo de Tel Arkam em Eas al Ain, na Síria
Fumaça vista do vilarejo de Tel Arkam em Eas al Ain, na Síria

– Eles não são honestos, eles apenas inventam palavras – disse Erdogan em relação aos críticos da Turquia, destacando a Arábia Saudita e o Egito. “Nós, no entanto, criamos ação e essa é a nossa diferença”, disse ele a membros do seu partido AK em Ancara.

Ataque aéreo

Tropas curdas e seus aliados rebeldes sírios atacaram milícias curdas no nordeste da Síria na quarta-feira, usando ataques aéreos e artilharia antes de uma operação terrestre transfronteiriça que pode transformar uma guerra que já está em seu oitavo ano.

O ataque começou dias após o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, retirar tropas norte-americanas do local, provocando denúncias de membros de seu próprio Partido Republicano, que dizem que ele abandonou os curdos sírios, aliados de Washington.

“As Forças Armadas Turcas e o Exército Nacional Sírio deram início à operação terrestre ao leste do rio Eufrates como parte da Operação Primavera da Paz”, tuitou o Ministério da Defesa da Turquia após o cair da noite, no dia seguinte aos ataques aéreos na região.

A mídia turca relatou que tropas entraram na Síria em quatro pontos, dois deles próximos à cidade síria de Tel Abyad e dois próximos a Ras al Ain, mais ao leste.

A Turquia afirmou ao Conselho de Segurança das Nações Unidas em carta vista pela Reuters que sua operação militar será “proporcional, calculada e responsável”. O órgão de 15 membros irá se encontrar na quinta-feira para discutir a situação na Síria, a pedido de seus cinco membros europeus: Reino Unido, França, Alemanha, Bélgica e Polônia.

Milhares de pessoas fugiram de Ras al Ain em direção à província de Hasaka, tomada pelas Forças Democráticas Sírias (SDF), lideradas por curdos. Os ataques aéreos turcos mataram ao menos cinco civis e três combatentes das SDF. Dezenas de civis também ficaram feridos, segundo as SDF.

Jornalistas da Reuters em Akçakale, no lado turco da fronteira, avistaram explosões em Tel Abyad. Após o anoitecer, as chamas vermelhas de foguetes puderam ser vistas pela fronteira em Tel Abyad, e chamas queimavam perto da cidade. Explosões em Tel Abyad puderam ser ouvidas durante oito horas de bombardeios. Uma testemunha contatada por telefone disse que civis fugiram em massa.

Combatentes das SDF rechaçaram um ataque terrestre de tropas turcas em Tel Abyad, afirmou Mustafa Bali, porta-voz das SDF, em publicação no Twitter.

Curdos

O ataque contra curdos, há anos os principais aliados de Washington em solo na Síria, é possivelmente uma das maiores mudanças em anos na guerra síria a envolver potências globais e regionais. Os curdos desempenharam um importante papel na captura de territórios anteriormente do Estado Islâmico e agora possuem a maior faixa de território da Síria fora das mãos do presidente Bashar al-Assad.

A Rússia, aliado externo mais forte de Assad, pediu diálogo entre Damasco e os curdos da Síria.

A decisão de Trump de retirar forças foi denunciada por alguns curdos como “uma facada nas costas”.

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