“Estou em um país capitalista”, diz Bolsonaro em Pequim

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Publicado quinta-feira, 24 de outubro de 2019 as 10:29, por: CdB

O presidente neofascista voltou a falar sobre a necessidade de se fazer privatizações, para as quais o Brasil quer atrair investimentos chineses.

Por Redação, com Reuters – de Brasília

Na sequência da viagem em que ficará dez dias fora do Brasil, o presidente Jair Bolsonaro chegou a Pequim nesta quinta-feira com a intenção de atrair investimentos chineses para o Brasil e refazer a imagem na relação com o país, a quem acusou, durante a campanha, de querer “comprar o Brasil”.

Na chegada, em conversa com jornalistas, foi perguntado qual sua resposta para quem diz que ele estaria visitando um país comunista, sistema político que tanto critica.

Durante campanha presidencial Jair Bolsonaro acusou a China de querer comprar o Brasil
Durante campanha presidencial Jair Bolsonaro acusou a China de querer comprar o Brasil

– Estou em um país capitalista – disse.

Bolsonaro afirmou que fará o possível para o desenvolvimento do Brasil e comentou a necessidade de se fazer privatizações, para as quais o Brasil quer atrair investimentos chineses.

– Arrebentaram com as estatais, conseguiram quase quebrar uma petroleira. Então estamos em uma situação que não temos alternativa. O sistema energético não temos suficiente para que ele não entre num colapso brevemente. Então tem certas coisas que tem que se adaptar à realidade. Não é o que você quer, é o que tem que ser feito – disse.

Na China, o ministro da Casa Civil, Onyx Lorenzoni, responsável pelo Programa de Parcerias em Investimentos (PPI), se juntou à comitiva presidencial e teve um encontro com a State Grid, empresa chinesa de energia, além de uma sequência de encontros nas áreas de portos, mineração, ferrovias, rodovias, óleo e gás e usinas hidrelétricas.

Novo nome conservador para embaixada em Washington

Bolsonaro confirmou nesta quinta-feira a indicação de Nestor Foster para a embaixada brasileira em Washington, no lugar de seu filho, o deputado Eduardo Bolsonaro (PSL-SP), e sinalizou que o pedido de agrèment deve ser encaminhado ao governo dos Estados Unidos nos próximos dias.

– Por aqui mesmo a gente já pede o agrèment e formaliza – disse Bolsonaro a jornalistas na partida de Tóquio a caminho de Pequim, a próxima parada de sua viagem pela Ásia e o Oriente Médio.

– É uma pessoa bem-quista, é um quadro exemplar, tem tudo para dar certo – acrescentou.

Foster é hoje o encarregado de negócios da embaixada em Washington e era o nome mais cotado para ocupar o posto até a decisão do presidente de indicar o filho, em julho deste ano. Eduardo, no entanto, desistiu da posição em meio a uma crise dentro de seu partido, o PSL.

Amigo do chanceler Ernesto Araújo e ligado a Olavo de Carvalho, Foster segue os padrões conservadores impostos pelo governo Bolsonaro, mas não tem experiência como chefe de embaixadas. Foi promovido a ministro de primeira classe —equivalente a embaixador— apenas em junho deste ano, justamente em preparação para ser indicado para a posição em Washington.

Eduardo Bolsonaro anunciou sua desistência do posto esta semana, depois de ter eclodido a crise no PSL, em que terminou assumindo a liderança da bancada na Câmara em uma manobra do grupo bolsonarista do partido.

O deputado, no entanto, não tinha votos suficientes no Senado para ter a nomeação aprovada. Desde que foi indicado pelo presidente, em julho, Eduardo e o Planalto faziam lobby por seu nome, mas o governo nunca chegou a ter garantia de que seria aprovado — tanto que a mensagem oficial com a indicação nunca chegou a ser enviada ao Senado.

O Brasil está sem embaixador em Washington desde abril, quando Sérgio Amaral, indicado ainda no governo Temer, foi retirado do posto por ordem de Bolsonaro.

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