Ex-ministro cita Bolsonaro no caso de candidaturas laranja

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Publicado segunda-feira, 4 de novembro de 2019 as 13:59, por: CdB

Gustavo Bebianno disse que houve um acordo político entre Bolsonaro e Luciano Bivar no início de 2018 para que o então pré-candidato ingressasse na legenda.

Por Redação – de São Paulo

O ex-ministro Gustavo Bebianno disse, em depoimento à Polícia Federal, que o atual presidente da República Jair Bolsonaro chancelou em 2018, durante a campanha presidencial, um acordo para repassar 30% do fundo eleitoral do PSL para o diretório do partido em Pernambuco.

Bebianno disse que houve um acordo político entre Bolsonaro e Luciano Bivar no início de 2018 para que o então pré-candidato ingressasse na legenda
Bebianno disse que houve um acordo político entre Bolsonaro e Luciano Bivar no início de 2018 para que o então pré-candidato ingressasse na legenda

Gustavo Bebianno disse que houve um acordo político entre Bolsonaro e Luciano Bivar, presidente nacional do PSL, no início de 2018 para que o então pré-candidato ingressasse na legenda.

A transcrição do depoimento de Bebianno diz que: “Perguntado sobre quem seria o responsável pela definição das contas relativas aos fundos partidário e especial [eleitoral] para cada estado e seu correlato repasse para os candidatos durante o processo eleitoral, [Bebianno] respondeu que na forma do acordo político celebrado entre Jair Bolsonaro, Luciano Bivar, Fernando Francischini [então deputado federal pelo Paraná e aliado de Bolsonaro], Antônio Rueda [braço-direito de Bivar], Eduardo Bolsonaro [filho do presidente] e o declarante, parte relevante do fundo eleitoral, em torno de 30%, seria destinado para o estado de Pernambuco, estado original da fundação do PSL, e que os 70% restantes seriam distribuídos de acordo com o peso eleitoral de cada estado”.

No dia 7 de outubro, Jair Bolsonaro negou ter qualquer ligação com as suspeitas de candidaturas-laranjas de seu partido, o PSL, em Minas Gerais, e acusou a imprensa de querer derrubá-lo com mentiras e distorções.

Na época, Bolsonaro se direcionou a jornalistas que estavam no local e criticou a imprensa, chamando de “patifaria” e “covardia” uma reportagem do diário conservador brasiliense Correio Braziliense Correio Braziliense segundo a qual o governo estuda acabar com a estabilidade dos servidores federais como parte de uma nova reforma administrativa.

– Nunca falei nesse assunto, isso é querer jogar o servidor contra mim – disse Bolsonaro, de acordo com vídeo de um apoiador do presidente disponível no YouTube.

– Como ontem a Folha de S.Paulo querer me ligar ao problema de Minas Gerais. É um esgoto a Folha de S.Paulo. Lamento a imprensa brasileira agir dessa maneira, o tempo todo mentindo, distorcendo, me difamando. Vocês querem me derrubar? Eu tenho couro duro, vai ser difícil – acrescentou.

Na sexta-feira, o Ministério Público estadual de Minas Gerais ofereceu denúncia contra o ministro do Turismo, Marcelo Álvaro Antônio, em uma investigação em que ele é alvo sobre uso de candidaturas-laranjas do PSL no Estado nas eleições passadas.

Saída de Bebianno do governo Bolsonaro

Em 19 de fevereiro, Bebianno afirmou que o responsável por sua demissão do cargo de ministro da Secretaria-Geral da Presidência havia sido Carlos Bolsonaro, um dos filhos do presidente Jair Bolsonaro.

Bebianno disse reconhecer que Carlos, vereador pelo PSC no Rio de Janeiro, tem “uma admiração bonita pelo pai”. Por outro lado, criticou o filho do presidente, afirmando que “Carlos tem um nível de agressividade acima do normal”.

O ex-ministro negou, no entanto, que seja um homem-bomba, alguém que poderia causar estragos ao presidente.

– Tem muita gente dizendo que eu sou homem-bomba. Tenho caráter, não vou atacar o presidente – disse na época.

Mas o vice-presidente Hamilton Mourão disse que houve quebra de confiança, atribuindo ao ex-ministro a divulgação de áudios postados em trocas de mensagem pelo WhatsApp.

Os áudios divulgados pela imprensa mostraram que Bebianno trocou mensagens via WhatsApp com Bolsonaro, contrariando as declarações do presidente e de Carlos, de que Bebianno tinha mentido ao dizer que se falaram.

Na troca de mensagens revelada pela revista, Bebianno disse considerar isso como se fosse uma conversa. Bolsonaro, por sua vez, rebateu e disse que esse envio de áudios por aplicativos não configuraria uma conversa, defendeu a atuação do filho e contestou atitudes tomadas por Bebianno no governo.

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