Exportações de proteína animal tendem a declinar este ano

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Publicado quinta-feira, 23 de agosto de 2018 as 15:15, por: CdB

Para a carne de frango, a expectativa é de embarques em torno de 4,25 milhões de toneladas, ante 4,32 milhões em 2017. No caso da proteína suína, as vendas externas devem cair para 620 mil toneladas, de 697 mil toneladas em 2017.

Por Redação – de São Paulo

A Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA) disse, em nota, nesta quinta-feira que as processadoras brasileiras de carne suína e de frango deverão reduzir as exportações em 2018. Os preços mais altos de ração e proibições comerciais prejudicaram as perspectivas do setor nos últimos meses.

O volume produzido nas granjas tende a diminuir, com a proibição de exportação por parte de países da Europa
O volume produzido nas granjas tende a diminuir, com a proibição de exportação por parte de países da Europa

Para a carne de frango, a expectativa é de embarques em torno de 4,25 milhões de toneladas, ante 4,32 milhões em 2017. No caso da proteína suína, as vendas externas devem cair para 620 mil toneladas, de 697 mil toneladas em 2017.

No acumulado entre janeiro e julho, o volume de exportação do frango brasileiro foi de 2,3 milhões de toneladas, o que significou uma queda de 8,2% em relação ao mesmo período do ano passado. Em receita, o país faturou US$ 3,68 bilhões, queda de 12,4%, segundo a ABPA, que representa 144 empresas do setor.

As empresas exportadoras esperam absorver as perdas ao longo do ano, com projeção para produção até o final de 2018 de queda entre 1% e 2%, o equivalente a 13 milhões de toneladas. As exportações devem ter retração de 2% a 3%, uma redução de 4,25 milhões de toneladas.

Salmonela

Presidente da ABPA, Francisco Turra citou a suspensão de 16 plantas exportadoras para a União Europeia, que antes era algo visto como “impensável”. A proibição, em maio deste ano, foi consequência da terceira fase da Operação Carne Fraca, deflagrada pela Polícia Federal, em março do ano passado. A investigação apontou fraude em resultados de análises laboratoriais sobre contaminação por salmonela.

O diretor de Relações Institucionais da entidade, Ariel Antônio Mendes, acrescentou que o critério usado para a proibição foi equivocado e que a ABPA pretende questioná-lo na Organização Mundial do Comércio (OMC). O objetivo é saber se há “outras motivações, que não a sanidade, para nos manter no processo de restrição de mercado”.

Suínos

O volume de carne suína exportada de janeiro a julho deste ano, por sua vez, foi de 346,5 mil toneladas, queda de 14% em relação ao mesmo período de 2017. A redução de receita no mesmo período foi de 28%, atingindo US$ 686,5 milhões.

O embargo russo à carne suína, país que responde por 38% do volume exportado pelo Brasil, influencia o resultado negativo. O argumento usado foi a presença de substâncias como estimulantes. O bloqueio prejudica o setor desde o final do ano passado.

A projeção para suínos é de aumento de 1% no acumulado até o final do ano, equivalente a 3,8 milhões toneladas. As exportações, entretanto, devem sofrer queda de 10% a 12%, próximo de 620 mil toneladas.

Tabelamento do frete

A ABPA também reagiu, de forma negativa, ao tabelamento do frete, determinado pela gestão do presidente de facto, Michel Temer, pois implicará em aumento do custo logístico em 35%, na média. Algumas modalidades, como transporte de ração, sofrerão maiores impactos, chegando a aumento de 80%. Para o consumidor interno, a alta estimada é de 15%.

A previsão de elevação nos custos de produção inclui os insumos. Algumas alternativas encontradas pelas empresas, de acordo com a entidade, foram a compra de caminhões para uso dos produtores rurais e a compra de milho de países como México, Paraguai e América Central.

— O tabelamento do frete veio para matar. Num regime de liberdade (de concorrência), poderia haver entendimento maior — concluiu o presidente da associação.

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