Há fãs que adoram, mas as brigas no hóquei podem ser banidas do esporte

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Publicado quarta-feira, 13 de janeiro de 2021 as 13:07, por: CdB

A Liga Nacional de Hóquei (NHL, na sigla em inglês), nos Estados Unidos, está diante de um desafio que, ao longo das próximas temporadas, precisará de uma grande decisão, com o número de brigas no gelo continuando a cair para níveis historicamente baixos. Para os pacifistas em geral, os dados parecem positivos; mas há aquele torcedor que não dispensa a emoção do conflito e, desde que o hóquei existe, há brigas no gelo.

NHLOs confrontos, dentro do quadrilátero gelado onde os times se enfrentam, tem sido questionado recentemente, por setores influentes no esporte, ainda que o combate generalizado entre os atletas continue uma parte considerável do jogo profissional, nos EUA e Canadá.

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Nos primórdios da NHL, em 1922, a primeira briga regulamentada oficialmente na Liga ocorreu apenas cinco anos após a temporada inaugural e, desde então, milhares de brigas aconteceram no gelo. Nestes 99 anos, com o frisson do público diante dos confrontos, alguns times foram mais longe e desenvolveram uma reputação de jogo sujo, com uma participação intensa em brigas.

Penalidades

O Boston Bruins – cujas odds em caso de título da Stanley Cup de 2021 são de 11/1 em sites de casa de aposta – e o Anaheim Ducks são frequentemente citados por fãs entre os times mais sujos da era moderna. Tais reputações são merecidas, segundo dados colhidos nas súmulas desportivas.

Desde a temporada 2010/11, nenhum outro time esteve mais envolvido em brigas do que os Bruins. Seus atletas receberam 371 penalidades graves por brigas (fighting majors) nesse período. O Boston também lidera a liga em penalidades por instigar brigas durante esse período e foi punido por iniciar 21 brigas nas últimas 10 temporadas da NHL.

Os Ducks, por sua vez, receberam 363 penalidades graves por brigas desde 2010/11 – o segundo número mais alto da NHL. Já o Anaheim, contudo, é conhecido por não iniciar os confrontos, mas ser arrastado para eles, ainda que apenas no campo oficial, e tem apenas nove punições por instigar brigas nas últimas dez temporadas. Este número o coloca na metade inferior entre os times da Liga.

Mais agressivos

O Ottawa Senators, o Columbus Blue Jackets e o Philadelphia Flyers, com 323, 316 e 309 penalidades graves por brigas, respectivamente, desde 2010/11, são outros times frequentemente envolvidos em brigas. Tanto os Flyers quanto os Senators provocam muitas brigas. O Philly foi punido por instigar 15 brigas, enquanto Ottawa sofreu 18 punições do gênero, em igual mesmo período, de acordo com o artigo publicado pela Betway, casa de aposta online.

Ainda na parte superior da tabela, o New York Islanders e o Florida Panthers estão entre os times mais agressivos da NHL, na era atual. Eles receberam 19 e 15 punições por instigar brigas, respectivamente, desde 2010/11. O jogo sujo, é claro, vai além das brigas, e Philadelphia somou 8.951 minutos no penalty box desde 2010 – mais do que qualquer outro time.

Na outra extremidade da lista, o Carolina Hurricanes é o time menos envolvido, com apenas 132 penalizações graves por brigas desde 2010/11. O Carolina também é quem soma menos tempo no penalty box na NHL. O time recebeu apenas 6.091 minutos de punição nas últimas dez temporadas.

Em debate

O Detroit Red Wings recebeu apenas uma penalidade grave por briga a mais do que os Hurricanes no mesmo período e é o terceiro time com menos tempo no penalty box. Também figuram entre os times mais limpos o Chicago Blackhawks e o Arizona Coyotes, que estão no top 5 com menos penalidades graves por brigas e minutos totais de penalização.

Desde 2010, nenhum time provocou menos brigas do que o Toronto Maple Leafs, que sofreu apenas uma punição por instigar em dez temporadas. Se essas estatísticas confirmam ou negam as suspeições dos fãs sobre os times mais sujos da NHL, está lançado o debate sobre o futuro das brigas no hóquei.

Trata-se de um debate que existe há muitos anos, com opositores alegando que elas causam lesões desnecessárias — especialmente na cabeça — desperdiçam tempo e roubam a atenção dos aspectos mais técnicos do esporte.

No futuro

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Os que querem a continuidade das brigas na NHL acreditam que elas ajudam a impedir outras formas de jogo sujo – permitindo que os jogadores se policiem – e que também dão proteção aos craques do esporte.

Do ponto de vista dos fãs, muitos acreditam que as brigas deixam o hóquei mais divertido, e alguns até assistem às partidas na esperança de ver um quebra-pau começar. Qualquer que seja sua opinião sobre o assunto, as estatísticas contam uma história ameaçadora para o futuro das brigas no hóquei.

Durante a temporada 2010/11, houve uma média de mais de uma briga a cada duas partidas – 0,52 por jogo, para ser exato. Em 2019/20, esse número caiu para 0,18. De modo geral, o número de brigas na NHL caiu em 70% nos últimos dez anos, e as penalidades graves por brigas foram de 1.274 em 2010/11 para apenas 388 em 2019/20.

Consequência

A temporada 2018/19 foi a primeira dos tempos modernos em que menos de 200 partidas tiveram uma penalidade grave por briga, com a temporada 2019/20 dando sequência. Outra consequência é que menos jogadores estão se envolvendo em brigas.

Em 2010/11, um número recorde de 348 jogadores participaram de pelo menos uma briga em algum momento da temporada. No ano passado, menos de 250 jogadores tiraram suas luvas para brigar.

Todas estatísticas relevantes mostram que as brigas na NHL estão em queda, e não há nada que sugira que esse padrão vai mudar em breve. O que isso significa para o futuro da liga ainda é incerto.

Encruzilhada

Aqueles que discordam dos confrontos no gelo esperam que isso acelere a exclusão total das brigas na modalidade. Mas há os favoráveis e eles argumentam que brigas em números inferiores são o melhor dos dois mundos – os jogadores ficam mais seguros, e os fãs ainda são brindados com uma emoção ocasional.

Caso as brigas sejam banidas, então os Bruins, os Ducks e os outros times mais combativos da NHL enfrentarão um período de incerteza em que seu estilo de jogo terá de mudar. O que quer que aconteça, uma coisa é certa: o assunto não pode ser ignorado por mais muito tempo.

A NHL está se aproximando de uma encruzilhada, e a direção tomada pode mudar a história do hóquei.

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