Filho de Bolsonaro leva puxão de orelha por declarações contra a China

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Publicado quinta-feira, 26 de novembro de 2020 as 15:26, por: CdB

Sem declinar o recente embate entre ​o deputado Eduardo Bolsonaro (PSL-SP) e a embaixada da China, Mourão ​saiu em defesa, nesta quinta-feira, das relações entre Brasil e o país asiático. Ele lembrou que, apesar da covid-19, as exportações ao país devem bater recorde.

Por Redação – de Brasília

Eduardo Bolsonaro (PSL-SP), filho ’03’ do presidente da República, Jair Bolsonaro (sem partido), está prestes a perder não apenas o assento na Comissão de Relações Exteriores, mas já recebeu um puxão de orelha enviesado por parte do vice-presidente, general Hamilton Mourão, sem sequer ter o nome citado na reprimenda.

O embaixador da China no Brasil, Jin Hongjun, respondeu em nota ao deputado Eduardo Bolsonaro (PSL-SP)
O embaixador da China no Brasil, Jin Hongjun, respondeu em nota ao deputado Eduardo Bolsonaro (PSL-SP)

Sem declinar o recente embate entre ​o deputado Eduardo Bolsonaro (PSL-SP) e a embaixada da China, Mourão ​saiu em defesa, nesta quinta-feira, das relações entre Brasil e o país asiático. Ele lembrou que, mesmo com a pandemia de covid-19, as exportações brasileiras ao país devem bater recorde em 2020.

— A China é nosso maior parceiro comercial desde 2009. A crise mundial gerada pela pandemia da covid-19 não alterou esse quadro, ao contrário: as autoridades chinesas estimam que a importação de produtos brasileiros baterá recorde em 2020, contrastando com o contexto de desaceleração generalizada do comércio internacional. A complementaridade entre as economias de Brasil e China oferece bases sólidas para expandir e diversificar a relação nos mais diferentes setores — disse Mourão, na abertura de um seminário do Conselho Empresarial Brasil-China.

Retórica

Em suas redes sociais, na segunda-feira, o deputado destacou que o Brasil endossa uma iniciativa dos Estados Unidos relativa à segurança da tecnologia 5G —cujo leilão deve ser no início do ano— “sem espionagem da China”. “O governo Jair Bolsonaro declarou apoio à aliança Clean Network, lançada pelo governo Donald Trump, criando uma aliança global para um 5G seguro, sem espionagem da China”, escreveu. “Isso ocorre com repúdio a entidades classificadas como agressivas e inimigas da liberdade, a exemplo do Partido Comunista da China”, acrescentou o ’03′.

As mensagens foram apagadas logo depois, mas o estrago nas relações entre os dois países já estava feito. No dia seguinte, a embaixada chinesa no Brasil respondeu e sugeriu que o filho do presidente e outros críticos do país asiático deveriam abandonar a retórica da extrema-direita norte-americana, para evitar “consequências negativas”.

A nota com a assinatura do embaixador Jin Hongjun assesta que o deputado acusou a China de fazer espionagem cibernética e ressaltou que ele defendeu iniciativa que discrimina a tecnologia de 5G chinesa. “Tais declarações infundadas não são condignas com o cargo de presidente da Comissão de Relações Exteriores da Câmara dos Deputados”, afirmou a representação diplomática.

Diplomacia

Em linha com a posição da diplomacia chinesa, os deputados federais Fausto Pinato, do Progressistas e integrante da Frente Parlamentar Brasil-China, Perpetua Almeida, do PCdoB e presidente da Frente Parlamentar da Cooperação entre os Países do Brics; além de Daniel Almeida, também do PCdoB e presidente do Grupo Parlamentar de Amizade Brasil/China requereram ao presidente da Câmara, deputado Rodrigo Maia, que paute o “imediato afastamento” de Eduardo Bolsonaro da Presidência da Comissão de Relações Exteriores, por conta de mais uma declaração que prejudica o bom relacionamento do país com a China

As declarações de Eduardo Bolsonaro, enquanto presidente da Comissão de Relações Exteriores, também são “uma afronta às boas relações diplomáticas que construímos há mais de 45 anos e que beneficiam os dois países”, conclui o requerimento.

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