Flávio Bolsonaro muda de estratégia diante do risco que se tornou Wassef

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Publicado terça-feira, 23 de junho de 2020 as 18:11, por: CdB

A iniciativa de pedir para falar no inquérito representa uma mudança radical na estratégia adotada pela defesa até aqui. Antes, em dezembro de 2018, o MPE-RJ convocara o senador para que falasse no processo, mas Wassef o desaconselhou a comparecer na data marcada e passou a protocolar uma série de recursos protelatórios.

Por Redação – de Brasília, Rio de Janeiro e São Paulo

A rápida degradação emocional do advogado Frederick Wassef e a estratégia arriscada que ele adotou no processo de seu agora ex-cliente, o senador Flávio Bolsonaro (Republicanos-RJ), levou os novos patrocinadores da causa do primogênito a entrar com pedido para que o ex-deputado estadual seja ouvido no inquérito que apura o suposto esquema de ‘rachadinhas’ na Assembleia Legislativa do Rio (Alerj).

Senador Flávio Bolsonaro em evento no Planalto
O senador Flávio Bolsonaro (Republicanos-RJ) troca de advogados, depois que Frederick Wassef foi envolvido em possível abrigo a Fabrício Queiroz

Os advogados Luciana Pires e Rodrigo Roca protocolaram, nesta terça-feira, o pedido junto ao Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPE-RJ) para que o investigado possa ‘prestar esclarecimentos’ sobre os fatos. Com a renúncia de Wassef, após o ex-assessor do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) e de seu filho mais velho, o ex-PM Fabrício Queiroz, ter sido preso em seu sítio, em Atibaia, no interior de São Paulo, os advogados, que são irmãos, assumiram o caso.

A iniciativa de pedir para falar no inquérito representa uma mudança radical na estratégia adotada pela defesa até aqui. Antes, em dezembro de 2018, o MPE-RJ convocara o senador para que falasse no processo, mas Wassef o desaconselhou a comparecer na data marcada e passou a protocolar uma série de recursos protelatórios e o pedido de arquivamento do inquérito. O primeiro foi apresentado ao Supremo Tribunal Federal (STF) e defendia o direito ao foro junto à Corte Suprema, uma vez que Flávio havia sido eleito ao Senado. O recurso foi negado pelo ministro da Corte Marco Aurélio Mello.

Gabinetes

Em seguida, Wassef passou a apontar irregularidades nos relatórios do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), os mesmos que identificaram movimentações atípicas de R$ 1,2 milhão nas contas de Queiroz e revelaram o envolvimento do então deputado no escândalo. O recurso também acabou negado pelo STF no final do ano passado.

A situação jurídica de Flávio Bolsonaro, no entanto, está longe de ser confortável. Embora o Tribunal de Justiça do Rio tenha agendado o julgamento de um pedido de habeas corpus preventivo ao senador, apresentado ainda por Wassef em março, caso a maioria dos cinco desembargadores da 3ª Câmara Criminal concorde com os argumentos dos advogados, todas as medidas cautelares adotadas no caso da ‘rachadinha’, incluindo as quebras de sigilo e a prisão de Fabrício Queiroz, podem ser anuladas. Essa possibilidade, no entanto, é considerada remota por analistas próximos ao processo.

Ademais, o MPE-RJ revelou, nesta terça-feira, que está negociando a delação premiada de oito servidores  da Alerj contra o senador Bolsonaro. Eles integram grupo suspeito de participar de esquemas de “rachadinha”, lotados nos gabinetes do então deputado e de outros parlamentares estaduais citados no processo.

Telefone

Em dezembro último, promotores estaduais realizaram buscas e apreensões em endereços de ex-assessores do filho de Bolsonaro, entre eles Fabrício Queiroz, que movimentou R$ 7 milhões entre 2014 e 2017, de acordo com relatório do Coaf. Por escrito, Queiroz explicou que fazia o “gerenciamento” de valores recebidos por servidores do gabinete do então deputado estadual Flávio Bolsonaro.

Queiroz disse, ainda, que coordenava “os trabalhos e demandas” com o objetivo de expandir as redes de contato e de colaboradores do parlamentar. Na época, o próprio presidente Bolsonaro, disse que sabia “dos rolos” de seu ex-assessor. Depois que Queiroz apareceu no sítio de Wassef, Bolsonaro também tentou justificar a presença de seu amigo pessoal na região, mas restam ainda dúvidas junto aos investigadores, segundo apurou a reportagem do Correio do Brasil.

Há um número de telefone, disponível na página do escritório de Wassef, diferente daqueles informados à Receita Federal (RF), instalado na casa, em Atibaia. Depois de três toques, uma secretária atende: ”Advocacia?”, sem, no entanto, citar o nome do escritório. Ela também não informa onde encontrar o dono da banca advocatícia. Interlocutores que têm acesso a Wassef, no entanto, citaram a jornalistas que estão preocupados com seu estado de nervos.

Sentença

Agitado e com pensamentos desconexos, quando não chora diante de qualquer pessoa com quem esteja conversando, Wassef tem motivos de sobra para se preocupar. Dona de contratos milionários no governo Federal, a ex-mulher de Wassef, Maria Cristina Boner Leo, enfrenta um pesado questionamento judicial sobre a prestação de serviços a órgãos públicos, uma vez que foi proibida, em 2019, de contratar com o Poder Público ou receber benefícios pelo período de três anos.

A Globalweb Outsorcing, empresa de informática de Maria Cristina hoje administrada por sua filha, Bruna Boner Leo, já recebeu R$ 41 milhões em contratos assinados com o governo de Jair Bolsonaro. Cerca de R$ 12,6 milhões deste valor foram pagos pelo Ministério da Educação.

A sentença judicial que impede Maria Cristina de contratar com o Poder Público foi decretada em 24 de junho de 2019. De acordo com o processo, houve direcionamento de licitação para a contratação da empresa B2BR, cuja representante na época era Cristina, pela Companhia de Planejamento do Distrito Federal (Codeplan). O valor do contrato era de R$9,8 milhões.

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