Fundo privado que comprou Copel Telecom fez ‘negócio da China’

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Publicado terça-feira, 10 de novembro de 2020 as 10:25, por: CdB

A Copel Telecom, uma das melhores operadoras do Brasil segundo o ranking do segmento, integrava a distribuidora de energia elétrica do Estado do Paraná, a Copel, que ainda se mantém sob a gestão do governo, mas com capital aberto na B3.

Por Redação – de Curitiba

A empresa estatal de telecomunicações, Copel Telecom, foi vendida para o fundo de investimentos Bordeaux em leilão realizado em Bolsa, na véspera, e consolidado nesta quarta-feira. A empresa, última do setor no país ainda sob a gestão estatal, o Estado do Paraná, foi arrematada por R$ 2,395 bilhões, quase R$ 1 bilhão a mais do que a oferta mínima definida no leilão, mas abaixo do lucro da companhia, nos últimos dois anos.

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A Copel Telecom conta com uma das melhores infraestruturas em telecomunicações, do país

A Copel Telecom, uma das melhores operadoras do Brasil segundo o ranking do segmento, integrava a distribuidora de energia elétrica do Estado do Paraná, a Copel, que ainda se mantém sob a gestão do governo, mas com capital aberto na B3. A missão da área de de telecomunicações era levar fibra óptica a 100% dos municípios paranaenses, cumprida plenamente ao longo da última década.

Por decisão do governo do Paraná, por requerer aportes significativos e periódicos para manter a empresa competitiva, a companhia foi a leilão, mesmo com taxas de lucro acima da média. A receita líquida da companhia foi de R$ 410 milhões em 2019.

Além do fundo Bordeaux, a Algar Soluções foi a principal concorrente no leilão, mas perdeu a disputa pela operadora. A guerra de lances, porém, elevou o preço em cerca de R$ 1 bilhão. O valor do sobrepreço se equivale ao rendimento da Copel como um todo, segundo balanço financeiro do terceiro trimestre de 2019, divulgado em agosto desse ano. O lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) foi de R$ 1,2 bilhão.

Nem na China

Os valores representam um crescimento de 40% em relação ao mesmo período de 2018. No acumulado do ano, o lucro chega a R$ 3,2 bilhões, alta de 31% em relação ao ano passado, cerca de R$ 1 bilhão a mais do que o preço de venda do ativo público.

Dentro do negócio Copel, a que apresentou maior lucro foi a Copel Geração e Transmissão. No terceiro trimestre, o lucro EBITDA atingiu R$ 541,1 milhões, representando 18,4% a mais do que o mesmo período de 2018. No acumulado do ano, são R$ 1,8 bilhão e aumento de 24,5% em relação ao ano passado.

Na linha recém-privatizada, a Copel Telecom arrecadou R$ 49 milhões no terceiro trimestre de 2019 e acumula arrecadação de R$ 148 milhões em 2019. Isso significa 18,8% a mais que igual período de 2018, quando o lucro chegou a R$ 124,6 milhões e a perspectiva de o novo proprietário zerar o investimento em pouco mais de dois anos, algo considerado no mercado financeiro “um negócio da China”.

Na Justiça

O negócio foi tão vantajoso para o setor privado que o Sindicato dos Engenheiros do Estado do Paraná (Senge-PR) ajuizou ação contra a Copel Telecom para obter toda a documentação relativa a contratos em que teriam ocorrido pagamentos de valores abusivos em ativações de internet de 2017 a 2019. Segundo a mídia local, o Ministério Público do Estado do Paraná (MPE-PR) e o Tribunal de Contas do Estado do Paraná (TCE-PR) teriam recebido denúncias de irregularidades nos contratos com empreiteiras para prestação de serviços de ativação de clientes e manutenção da rede de internet em Curitiba, Ponta Grossa, Londrina, Maringá e Cascavel.

Segundo Maximiliano Garcez, advogado da Advocacia Garcez, responsável pela demanda, a ação visa obter documentos necessários a um eventual ajuizamento de posterior ação popular, objetivando proteger o interesse público, caso sejam obtidos elementos que indiquem ilegalidades que configurem violação ao princípio da moralidade administrativa.

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