General vê Bolsonaro cercado de ‘bandidinhos’ e ganha apoio militar

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Publicado terça-feira, 30 de junho de 2020 as 13:59, por: CdB

Segundo os militares ouvidos, em condição de anonimato, Santos Cruz fala pelo setor dos quartéis que deplora as condições em que se encontra a gestão do presidente, uma vez que “há rastros visíveis de que a corrupção e os desmandos seguem seu curso, no Palácio do Planalto”, afirmou um dos oficiais, por telefone.

Por Redação – do Rio de Janeiro

Parcela relevante dos militares brasileiros, que concorda com o ponto de vista do general Carlos Alberto dos Santos Cruz — ex-comandante da tropa, no Haiti, e ministro do atual governo até junho do ano passado — chegou ao limite com o governo do mandatário neofascista Jair Bolsonaro (sem partido). Ao repercutir a declaração de Santos Cruz à mídia, neste fim de semana, a reportagem do Correio do Brasil constatou que outros oficiais generais concordam com a afirmativa de que “o problema do presidente é que é cercado de bandidinhos vagabundos…”.

O general Santos Cruz já exerceu comando de tropas brasileiras no Haiti, pelas Nações Unidas
O general Santos Cruz já exerceu comando de tropas brasileiras no Haiti, pelas Nações Unidas

Segundo os militares ouvidos, em condição de anonimato, Santos Cruz fala pelo setor dos quartéis que deplora as condições em que se encontra a gestão do presidente, uma vez que “há rastros visíveis de que a corrupção e os desmandos seguem seu curso, no Palácio do Planalto”, afirmou um dos oficiais, por telefone.

— Esse caso do Fabrício Queiroz (ex-assessor da família presidencial, preso por possível envolvimento na milícia armada que atua na Zona Oeste do Rio) também é uma nódoa no governo, da qual Bolsonaro não consegue se livrar. Isso tem gerado um ambiente de desconfiança quanto à seriedade do presidente, o que é extremamente grave — acrescentou.

Bobagens

Esta, no entanto, não é a primeira vez que Santos Cruz tece duras críticas ao presidente e ao núcleo do seu governo, e recebe o apoio de grande parte do generalato. Na primeira manifestação pública após sua demissão da Secretaria de Governo da Presidência da República, há um ano, Santos Cruz não poupou o ex-capitão, ora investido do cargo de comandante-em-chefe das Forças Armadas.

A atual gestão deveria parar de perder tempo com “bobagens” para focar no que é importante, disse o general.

— Tem de parar de criar coisas artificiais que tiram o foco — acrescentou.

Sobre as críticas das quais foi alvo por parte do astrólogo Olavo de Carvalho, mentor da família Bolsonaro, avaliou que há um limite.

— Discordâncias são normais, mas atacar as pessoas em sua intimidade, isso acaba virando uma guerra de baixarias. Tem de aproveitar essa oportunidade para tirar a fumaça da frente para o público enxergar as coisas boas, e não uma fofocagem desgraçada — criticou.

Ofensas

Ainda segundo o militar, se alguém “fizer uma análise das bobagens que se têm vivido, é um negócio impressionante”.

— É um show de besteiras. Isso tira o foco daquilo que é importante. Tem muita besteira. Tem muita coisa importante que acaba não aparecendo porque todo dia tem uma bobagem ou outra para distrair a população, tirando a atenção das coisas importantes. Tem de parar de criar coisas artificiais que tiram o foco. Todo mundo tem de tomar consciência de que é preciso parar com bobagem — atirou Santos Cruz.

Para o militar, “não é porque você tem liberdade e mecanismos de expressão, Twitter, Facebook, que você pode dizer o que bem entende, criando situações que atrapalham o governo ou ofendem a pessoa”.

— Você discordar de métodos de trabalho é normal, até publicamente. Discordâncias são normais, de modo de pensar, modo de administrar, modo de fazer política, de fazer coordenação. Mas, atacar as pessoas em sua intimidade, isso acaba virando uma guerra de baixarias — concluiu.

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