Globo é taxada de corrupta por Bolsonaro, alvo de nova denúncia sobre ‘rachadinha’

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Publicado quinta-feira, 17 de setembro de 2020 as 15:20, por: CdB

Em resposta às denúncias, o mandatário neofascista Jair Bolsonaro desfechou o mais contundente ataque ao Grupo Globo e à família Marinho, à qual aponta como corrupta e envolta em uma esfera de banditismo e crimes.

Por Redação – de Brasília e Rio de Janeiro

Censurada judicialmente, para que parasse de revelar fatos sobre o possível envolvimento do senador Flávio Bolsonaro (Republicanos-RJ) em crimes como evasão de divisas e formação de quadrilha, a Rede Globo e os demais veículos de comunicação que integram as Organizações Globo — de propriedade da família do jornalista Roberto Marinho — não se contiveram. Na edição desta quinta-feira, voltaram a divulgar dados sobre o processo.

Presidente Jair Bolsonaro em Brasília
Presidente Jair Bolsonaro aponta a Rede Globo como uma empresa corrupta, controlada pela família Marinho

Desta vez, porém, os envolvidos não eram apenas os filhos, mas os demais parentes do presidente Jair Bolsonaro (sem partido). Todos figuram como suspeitos de participar de uma trama milionária, obtida em movimentações de dinheiro vivo, em bancos e caixas eletrônicos.

Em resposta às denúncias, o mandatário neofascista desfechou o mais contundente ataque ao Grupo Globo e à família Marinho, à qual aponta como corrupta e envolta em uma esfera de banditismo e crimes.

Sob sigilo

“Os esquemas bilionários da Globo. Corrupção para valer é com a família Marinho”, escreveu Bolsonaro, em uma rede social. Na mensagem, distribuiu uma reportagem do SBT, que ataca a concorrente logo depois de vencer a disputa pela transmissão da Copa Libertadores, em um certame do qual a favorita era a Rede Globo. A reportagem relata, ainda, um suposto esquema de corrupção da emissora à época das Olimpíadas no Brasil, em 2016.

Com a divulgação da reportagem, o grupo de mídia arrisca-se a desacatar uma ordem do desembargador Fábio Dutra, da 1ª Câmara Cível do Tribunal de Justiça do Estado do  Rio de Janeiro (TJ-RJ). O magistrado negou recurso apresentado pela Rede Globo e manteve liminar que proíbe a emissora de divulgar documentos do caso das ‘rachadinhas’ envolvendo o senador Flávio Bolsonaro. O processo foi colocado sob sigilo.

Em nota, a emissora disse que a decisão judicial é um ‘cerceamento à liberdade de informar, uma vez que a investigação é de interesse de toda a sociedade’. A TV Globo também afirmou que avalia todas as providências legais cabíveis, inclusive um pedido de habeas corpus ao Supremo Tribunal Federal (STF).

Saques amiúde

Nesta quinta-feira, porém, o diário conservador carioca O Globo não resistiu e afirmou, em uma extensa reportagem, que “familiares de Ana Cristina Valle, ex-mulher de Jair Bolsonaro, realizaram mais de 4,2 mil saques no valor de R$ 500 entre os anos de  2007 e 2018, conforme dados da investigação que apura a existência de um esquema de ‘rachadinha’ no gabinete do senador Flávio Bolsonaro (…) na época em que ele ocupava uma cadeira na (…) Alerj”.

O Ministério Público (MP), diz o texto, listou dez integrantes da família de Ana Cristina que sacaram, em média, 83% dos salários pagos pela Alerj. Ainda de acordo com relatório do MP, dos R$ 4,8 milhões referentes aos salários, R$ 4 milhões foram sacados em espécie. Documentos com a quebra de sigilo bancário de oito familiares de Ana Cristina Valle vazados aos jornalistas mostram que os saques eram sempre no mesmo valor e somaram, ao longo do tempo, “um total de R$ 2,1 milhões”.

Ainda segundo a matéria, nas investigações do MPE-RJ os dez integrantes da família são citados como um dos grupos da “organização criminosa” e aponta que os investigados sacaram, em média, 83% dos salários recebidos da Assembleia Legislativa do Rio (Alerj). “Em Resende, no Sul do Estado do Rio, os parentes de Ana Cristina levam uma vida modesta”, constata a reportagem.

Transações

Dados do MPE-RJ entregues, com exclusividade, ao diário conservador constatam que os familiares da ex-madrasta de Flávio Bolsonaro “sacavam quase a integralidade dos salários recebidos na Alerj para repassar os valores em espécie a outros integrantes da organização criminosa”. Ao analisar os dados bancários da família Siqueira, o Ministério Público verificou que, ao longo de 28 anos, o clã Bolsonaro nomeou 102 pessoas com laços familiares para funções públicas.

O valor sacado pelo grupo não mudou ao longo do período de 11 anos apurado pelo MP. Muitas vezes, familiares mantinham o hábito de fazer a mesma quantidade de saques, nos mesmos valores e mesmos dias. “Os saques de R$ 500 representam um volume dez vezes superior ao segundo valor mais frequente, o saque de R$ 100, por exemplo, só está presente em 443 transações”, acrescenta.

A reportagem do Correio do Brasil tentou contato com todas as pessoas citadas na matéria do Globo, para que admitir ou negar os fatos que se tornaram públicos, mas nenhuma delas retornou às ligações. 

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