Governo tenta recriar ‘fiscais do Sarney’ contra alta de preços nos supermercados

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Publicado quinta-feira, 10 de setembro de 2020 as 16:27, por: CdB

Por determinação de Mendonça, a Senacon, do Ministério da Justiça, deu cinco dias para supermercados, cooperativas de alimentos e associações justificaram o aumento nos preços, principalmente, do arroz. Caso a Senacon entenda que há preços abusivos, multas de até R$ 10 milhões podem ser aplicadas

Por Redação – de Brasília

Ministro da Justiça do governo do presidente Jair Bolsonaro (sem partido), o advogado André Mendonça partiu contra o empresariado atacadista e donos de supermercados, diante do aumento de preços e retenção de produtos. O ato foi comparado às ações do grupo conhecido como ‘fiscais do Sarney’, em referência às medidas adotadas no governo do então presidente José Sarney (15 de março de 1985 a 15 de março de 1990).

Ao lado de Sarney, primeiro presidente civil depois do regime militar, Bolsonaro retoma a prática da Sunab
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Por determinação de Mendonça, a Secretaria Nacional do Consumidor (Senacon), do Ministério da Justiça, deu cinco dias para supermercados, cooperativas de alimentos e associações justificaram o aumento nos preços. Caso a Senacon entenda que há preços abusivos, multas de até R$ 10 milhões podem ser aplicadas, segundo a instituição.

Varejistas

Segundo a chefe da Senacon, Juliana Domingues, as sanções serão adotadas mas ela prefere não comentar sobre a possibilidade da alta dos preços ter surgido em razão do aumento das importações por contra da desvalorização do real.

— Não podemos falar em preços abusivos sem antes avaliar toda cadeia de produção e as oscilações decorrentes da pandemia — afirmou, a jornalistas.

Os ofícios da Senacon foram encaminhados aos supermercados com o pedido de explicações sobre quais os produtos da cesta básica tiveram maior variação no último mês e os três itens com maior reajuste. As redes varejistas precisarão, ainda, mencionar os três principais fornecedores, o preço médio nos últimos seis meses e apresentar notas fiscais. Produtores também terão que detalhar as variações de preços.

‘Tropa de choque’

A ação do Ministério da Justiça destoa do discurso dos ministros Paulo Guedes (Economia) e Tereza Cristina (Agricultura). Ainda de acordo com notícias vazadas de dentro do gabinete de Mendonça, uma “tropa de choque” está em formação para monitorar os preços nas gôndolas dos supermercados, conforme ocorria na década de 80.

Nas redes sociais, internautas comparam o Senacon de Bolsonaro à Superintendência Nacional de Abastecimento (Sunab) de José Sarney, durante o Plano Cruzado. O uso da Senacon para multar comerciantes e a formação de uma tropa relembra em certa medida a, que criou os “Fiscais do Sarney”, que iam às ruas aplicar multas. O órgão foi extinto em 1997.

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